Aceitação: o caminho do perdão – com base em Dr. David Hawkins


A aceitação e o perdão são os alicerces da harmonia nos relacionamentos humanos. Aceitar o outro como ele é e realizar as mudanças em si é o início da sabedoria.

Temos um péssimo hábito de enxergarmos os defeitos e problemas dos outros e comprarmos briga para mudá-los.

E na maior parte, não porque queremos o melhor para a outra pessoa, mas porque queremos provar a ela que estávamos certos ou porque as atitudes daquela pessoa nos incomoda.

E esquecemos que a base de um relacionamento saudável é o perdão.

A prova disso é nossa insistência em querer ver o outro mudando, mesmo que ele não queira ou veja necessidade, só porque as atitudes atuais dele são diferentes das nossas e nos trás incômodos ou angústias.

Querer impor ou insistir algo a alguém é violar o livre arbítrio da outra pessoa para favorecer nossas percepções e opiniões egoicas, o que é a contramão do que nós mesmos buscamos. Todas as pessoas buscam reconhecimento e aceitação, o que não significa concordância, mas compreensão.

O nível de consciência de aceitação

A pessoa que escolhe habitar neste nível de consciência, ou seja, a soma de suas intenções, pensamentos, falas e atitudes são, em sua maioria, coerentes com o princípio da aceitação, vivem em tranquilidade interna, que substitui as emoções perturbadoras e impulsivas.

Sentimos como se os eventos da vida estivessem fluindo constantemente. Neste nível, entendemos que somos os responsáveis pelos eventos os quais passamos em nossa vida e que tudo que atraímos para nós é devido a nossos méritos e deméritos. Conseguimos enxergar com mais clareza o ditado “a gente colhe o que planta”.

Há a percepção que a felicidade está dentro e não fora e nossa missão surge de nossa natureza interior, que parece espontânea e automática quando os bloqueios são removidos.

Trabalhos difíceis não trazem desânimo, mesmo que desconfortáveis. O julgamento diminui e o foco torna-se resolver o problema.

No âmbito dos relacionamentos emerge o perdão, e a pessoa neste nível de consciência usa esta ferramenta com cada vez mais sabedoria e intensidade. Enxergamos as pessoas como fazendo o seu melhor dentro de suas limitações. Em uma relação amorosa, pequenas imperfeições não são mais levadas tão a sério. Há o desprendimento dos debates intermináveis do mundo sobre moralidade, ética, judiciário, política, religião, etnia e posicionamentos sociais.

Perdão Gandhi
“Os fracos jamais perdoam. Perdão é uma característica dos fortes” – Mahatma Gandhi

O erro é visto como necessidade de correção, aprendizado e compaixão ao invés de justificativa para punição. Opiniões pessoais perdem sua tendência de dominar por pressão emocional pura e o discernimento sem emoção substitui julgamentalismo emocional. Entende-se que a sobrevivência não é garantida por ter medo ou odiar o relâmpago, mas por evitar seus locais prováveis de queda.

 

Como praticar a aceitação sem negligência

Para aceitar não é necessário concordar e, tampouco, endossar um pensamento, opinião ou atitude. Aceitar é trocar condenação por compreensão. É se colocar no lugar do outro, inclusive em seu contexto histórico e atual, para saber que ele não poderia ser diferente. Afinal, se pudesse, ele já seria.

Aceitar também não significa passividade ou afastamento. Tem ligação com o desapego. É possível ser firme e severo com outra pessoa, por saber que é o certo a se fazer naquele momento, mas sem criar expectativas ou esperar que a pessoa mude. O desapego não é sobre a pessoa, mas sobre suas próprias expectativas e opiniões. Ser diferente, não significa estar errado ou certo, pois diversidade não se opõe à igualdade.

Outra confusão gerada, nesta mesma linha, é que aceitar é não intervir. Na verdade, a aceitação surge da capacidade de entender o que pode e não pode ser mudado sem causar mal ao outro. O que puder ser mudado, deve ser realizado com coragem e dedicação. O que não pode ser mudado, devemos invocar a serenidade para aceitar como é e estarmos dispostos a agir assim que a permissão, da outra pessoa ou da situação, seja concedida. O maior desafio é ter discernimento para diferenciar as duas situações.

Para isso, podemos trabalhar um conceito prático contido no livro Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes, do filósofo e consultor Stephen R. Covey: diminuir nossa zona de preocupação e aumentar nossas atividades em nossa zona de influência. Preocupação vem de se pré-ocupar, ou seja, ocupar-se antecipadamente, fora do ritmo, em vão. Influência vem do latim INFLUERE que significa dentro (in) do fluxo (fluere). Quando estamos no ritmo natural da vida, não precisamos nos esforçar ou forçar ninguém a nos acompanhar, simplesmente, vamos acompanhando cada momento e interagindo de maneira sábia.

Perdão Stephen R. Covey

Quando focamos em influenciar as pessoas, passamos de um ato de manipular ou ameaçar – mesmo que de forma sutil, indireta ou em tons de sarcasmo – para uma qualidade de convidar. Convidar é um derivado do latim INVITARE que significa querer (vitare) juntos (in derivado de con), ou seja, buscar interagir com pessoas que queiram trilhar caminhos semelhantes aos seus e aceitar aqueles que pedirem para te acompanhar verdadeiramente.

A melhor forma de praticar a aceitação é através do perdão. Em minhas palestras na Pandora Evolução Consciente costumo indicar a Tríade do Perdão: um exercício de manter a imagem da situação que traz angústia, mágoas ou raiva em mente, sem ficar criando diálogos internos, e (1) pedir perdão às pessoas envolvidas – podem ser uma pessoa diretamente afetada, assim como uma provocação ou descuido seu que tenha gerado uma ofensa que foi o gatilho do desconforto ou até mesmo outras pessoas que tenham se prejudicado ou se magoado com a situação -, (2) perdoar o outro – tanto a pessoa que tenha te causado mal quanto à situação em si – e (3) perdoar-se (aceitar sua limitação daquele momento, perdoar por ter guardado rancor por tanto tempo, por não ter enxergado outras alternativas). Esta limpeza interna, se feita verdadeiramente e com intensidade, será seguida de um profundo alívio e paz interior.

Quanto mais exercermos essa prática em nosso dia a dia, com situações profundas ou corriqueiras, primeiramente de modo formal como apresentado acima, até que se torne fluído e natural, estaremos nos conectando com a consciência da aceitação e atraindo cada vez mais pessoas e situações de abundância em nossa vida.

Convido você a manter-se constantemente evoluindo e se conhecendo, seja a partir dos artigos e vídeos do Quero Evoluir, ou através de nosso guia prático de autodesafios ou também pelo agendamento de uma sessão online e gratuita de mentoria sobre autoconhecimento e autodomínio.

Gratidão e boas práticas!

 

Este artigo faz parte de uma série que explora os níveis de consciência humanos. Continue a leitura acessando o próximo artigo: Apenas 4% da população alcança o nível de consciência da razão

 

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