PROFISSIONAIS DE AUTISMO – O desafio de lidar com autistas fora do consultório


PROFISSIONAIS DE AUTISMO – O desafio de lidar com autistas fora do consultório

Como pode ser que tanto conhecimento sobre autismo não seja colocado em ação FORA do consultório?

 

 

Não coloco em dúvida o profissionalismo de ninguém. Mas, hoje, quero refletir sobre a hipocrisia – ou falta de atenção – de quem considera saber muito sobre autismo e, ao mesmo tempo, na vida real, ser incapaz de compreender a pessoa autista. Principalmente a pessoa autista Asperger/leve/de alto funcionamento (o autismo menos visível).

A gente fala tanto sobre autismo. A gente lê centenas de artigos, participa de eventos, da palestras, até. Aí vem uma pessoa Asperger, muito inteligente, comunicativa, bacana mesmo… e as pessoas que tanto sabem de autismo esquecem como o autismo pode ser, na prática. Ao invés de incluir, exigem do autista o que ele ainda não pode dar. Julgam o autista pelo standard neurotipico. Isso não é igualdade.

Igualdade/inclusão é:
– baixar o tom de voz se a gente sabe que o autista não suporta barulhos;
– diminuir a luz de um ambiente se a gente sabe que dói nos olhos do autista;
– Ser claro e não usar ironia ou metáforas se a gente sabe que o autista não as compreende;
– Não supor que o autista inteligente e falante entenda tudo o que a gente diz. Faça perguntas para ter certeza que a pessoa te entende. Suposição é coisa de neurotipicos;
– Não discutir com o autista, a não ser que seja capaz de adaptar o modo de falar, e o tipo de comunicação. O autista tem um jeito lógico de pensar que nem sempre combina com o jeito neurotipico. A discussão pode deixar o autista muito nervoso e piorar a efetividade da comunicação. Quem entende de autismo deve saber disso.
– Conversar com calma, sempre que possível.

Eu poderia fazer uma lista ainda maior, mas acredito que já entenderam neu ponto. Nem sempre podemos tratar os autistas como neurotipicos. Às vezes, sim, às vezes não. Olhe para a pessoa, primeiro. O que ela faz, o que diz, como se comporta. Use seu conhecimento sobre autismo e a relação vai ser um sucesso. Ao contrário, bater o pé  e ignorar a necessidade do autista é uma baita covardia. Vindo de alguém que ensine autismo, é imperdoável.

AS PESSOAS QUE TRABALHAM COM AUTISTAS ESTÃO PREPARADAS, DE VERDADE, PARA LIDAR COM AUTISTAS COMO CIDADÃOS?

O autista de alto funcionamento (ou leve), têm muitos talentos, entre estes, o de adquirir competências sociais através do seu (alto) potencial cognitivo. Com o passar dos anos, muitos autistas passam a dominar bem esse processo, quase que automaticamente. No entanto, a pessoa autista permanece autista (processo neurológico diferente do neurotípico) e, por isso mesmo, merece que pessoas neurotípicas enxerguem “além do autismo”, ou seja, interajam com o autista como ser humano: do jeito normal, sempre que possível. Adaptar meu modo de interagir, sempre que necessário. Não é paternalismo; é respeito, igualdade e inclusão.

*Fatima de Kwant é jornalista, especialista em Autismo & Desenvolvimento e Autismo & Comunicação. Radicada na Holanda desde 1985, mãe de um autista adulto e ativista internacional pelo TEA.

 

Instagram: Fatimadekwant

Facebook: Autimates Brasil

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