AUTISMO E INCLUSÃO – o que pode dar certo no Brasil


AUTISMO E INCLUSÃO – o que pode dar certo no Brasil

Holanda, 28 de agosto, 2017

Por Fatima de Kwant 

 

foto: site da turma da Mônica – uol

 

Inclusão é uma palavra que não soa bem para muitas pessoas porque remete ao seu antônimo: exclusão. Quem precisa ser incluído é, a priori, excluído. Inclusão traz essa conotação desagradável, mas a intenção é das melhores. A inclusão nas escolas de crianças com algum tipo de deficiência ou com autismo é um tema recorrente em todas as partes do mundo. Incluir crianças e adolescentes autistas no ambiente escolar regular é sempre bom. No entanto, nem sempre é ideal. Isso porque cada um deles necessita de acompanhamento individualizado que nem todas as escolas regulares estão capacitadas a oferecer.

Apoio à Educação das Pessoas Diferentes

A escolha entre Educação Especial (para crianças e adolescentes com um handicap mental, comportamental, de aprendizado e de coordenação motora) depende da capacidade geral da criança, mas também do esforço dos pais e da escola – direção, professores, outros alunos e do profissional de Psicopedagogia.

Na Holanda, são considerados tipos de Educação Especial a escola especial básica, a escola inclusiva e a escola Integrativa.

  • Escola Especial Básica: é a escola onde o aluno com alguma diferença mental, comportamental, cognitiva, motora, com problemas de audição ou visão, podem usufruir da Educação individualizada de acordo com suas limitações. Dentro desse tipo de ensino, encontram-se 4 subgrupos: Escolas para cegos, Escolas para surdos/mudos, Escolas para crianças com deficiência mental e/ou física, Escolas para crianças com problemas de comportamento
  • Escola Inclusiva: significa, basicamente, que o aluno muda da Escola Especial para a Regular; é uma passagem de crianças e adolescentes com autismo que merecem educação diferenciada, para a escola regular.
  • Escola Integrada: um sistema onde professores da Educação Especial dão suporte aos professores e/ou `as crianças da Educação Regular. Na prática, esta abordagem parece funcionar melhor do que a Educação Inclusiva, principalmente durante o ensino elementar. No ensino de 2º e 3º graus, no entanto, os problemas de aprendizagem ou comportamento são mais difíceis de serem contornados devido a sua complexidade.

 

 

No Brasil, existe uma certa fobia com relação às escolas especiais. Ao invés de serem encaradas como um local apropriado para ensinar as crianças diferentes, são vistas como locais de segregação. Talvez por isso a Inclusão não dê tão certo quanto aparentava dar, em teoria.

Em termos de autismo, sabemos que o desenvolvimento de uma criança é diferente da maioria das crianças sem autismo. Com isso, é importante definir em que fase de desenvolvimento a criança está, antes de colocá-la em qualquer tipo de Ensino:

 

  • A criança tem muita sensibilidade sensorial?
  • A criança imita/copia comportamentos?
  • A criança tem crises frequentes?
  • A criança ainda usa fralda?

 

Se a resposta para essas perguntas é ‘sim’, há chances da criança vir a necessitar da Educação Especial Básica como local ideal para começar a aprender, sem muitos desafios e perturbações causadas pelo ambiente caótico de uma Escola Regular.

No entanto, é importante lembrar que, uma vez superados os desafios (o que será conseguido através das terapias oferecidas na escola especial), a criança pode estar apta a passar para a segunda fase ideal, que seria a Escola Especial Integrativa. Nesta escola, o autista vai estar numa Escola Regular, mas com apoio parecido ao que tinha na Escola Especial. Vai ser uma oportunidade de seguir aprendendo, ao lado de crianças neurotípicas, porém desta vez sem os comprometimentos mais sérios do início de sua jornada escolar.

 

Educação progressiva

O tipo de Educação não deve ser encarado como definitivo. Assim como toda criança com autismo progride (supera as maiores dificuldades), a forma de aprender, também.

O contato social é importante, mas não deve ser a razão de matricular uma criança com muitas dificuldades num ambiente que não vá agilizar seu desenvolvimento comportamental e cognitivo – a finalidade principal.

 

 

 

* Fatima de Kwant é jornalista, mãe de uma autista adulto e especialista em autismo na Holanda.

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