Karma Yoga – por Swami Vivekananda


Karma Yoga

Swami Vivekananda

Tradução e notas de Swami Krsnapriyananda Saraswati

(Todos os direitos reservados na forma da Lei)

Igs brasil

2001

Swami Vivekananda

Nota introdutória

Este texto sobre Karma Yoga está baseado nas palestras que Swami Vivekananda deu em suas salas alugadas, na 228 W 39th Street, em dezembro de 1895, e janeiro de 1896. As aulas eram gratuitas. Geralmente, Swami dava duas aulas diárias, uma pela manhã e outra a noite. Este texto então foi organizado por um dos primeiros discípulos de Vivekananda, chamado Joseph Josiah Goodwin, constituindo-se nos excertos das anotações que aqui apresentamos.

Prolegômenos

Este presente texto de Swami Vivekananda inaugura uma série de estudos breves sobre o Vedanta, tendo em vista afastar de modo definitivo o fantasiar que vemos na internet, tanto em torno do tema como do autor em si. Já faz um bom tempo que as palestras que aqui transcrevemos foram proferidas; quase todas datadas do início do século XX. Isso quer dizer que já se passaram mais de 100 anos que foram dadas de forma gratuita para o povo da língua inglesa. Esta é a primeira tradução feita em Português de forma acadêmica, dentro do padrão universitário, e por alguém da área da Filosofia Clássica, e pertencente a quarta ordem no Brasil. Trata-se de um texto filosófico, proferido por um filósofo, e não por um alienado religioso ou místico procurando demonstrar este ou aquele ‘poder’.

Swami Krsnapriyananda

Na verdade, um seguidor sério do Vedanta não declara nenhum poder, a não ser o da humildade em saber que está na busca pela Verdade, e servindo seu Guru. Aqui não há nada de místico ou sobrenatural, mas é a razão iluminando nossas ignorâncias de forma direta. Também, no Vedanta não há ‘especialistas’, porque se trata de uma ciência da razão, e esta é fruto do estudo, dedicação e merecimento. Karma não se forma apenas no falso dizer, mas também no agir-se falsamente. Karma é uma lei bem simples, cuja complexidade está apenas em desenvolver a humildade de primeiramente não se achar de modo algum superior a ninguém. Como nos diz Swami Vivekananda, “Você serve o outro porque você é mais inferior do que ele, não porque ele está embaixo e você está no alto” (ver texto completo sobre Vedanta de Swami Vivekananda). Portanto, a humildade de servir é nosso primeiro aprendizado no Vedanta, assim, nele não há ‘especialistas’, mas articuladores filósofos, humildes pela sabedoria, que distribuem o conhecimento de forma gratuita (graciosa).

Os textos sobre Karma-yoga – ‘yoga da ação ou trabalho’ – serão colocados numa sequencia em pequenos lotes de parágrafos, para que o leitor possa ler, meditar e digeri-los. Esperamos que estudantes sérios do Vedanta possam erguer-se iluminar a Filosofia da unidade do Vedanta não-dual.

hari om tat sat.

Krsnapriyananda Swamigita ashrama,

Porto Alegre,

outono de 2011

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Samsara, a ‘roda do karma’

 

1.1. O Karma, nos seus efeitos do caráter

A palavra Karma é derivada da raiz sânscrita ‘krit’; “fazer”; todas as ações são Karma. Tecnicamente, esta palavra também significa os efeitos das ações. Em conexão com a metafísica, ela algumas vezes significa os efeitos, dos quais nossas ações passadas foram as causas. Mas no Karmayoga temos simplesmente a palavra Karma com o significado de ação. A meta da humanidade é conhecimento. Este é único ideal colocado diante de nós pela filosofia Oriental. O prazer não é a meta do homem, mas o conhecimento. O prazer e a felicidade chegam ao fim. É um engano supor que o prazer é a meta. A causa de todas as misérias que temos no mundo e que tolamente os homens pensam que o prazer é o ideal para se esforçarem. Após um tempo, o homem percebe que não é a felicidade, mas o conhecimento, através do qual ele está indo, e que tanto o prazer como a dor são seus grandes mestres, que ele aprende na mesma medida com o bem e o mal. O modo como o prazer e a dor passa diante de sua alma, eles os têm em diferentes imagens, e o resultado destas impressões combinadas é chamado “caráter” do homem. Se você pegar o caráter de qualquer homem, ele é mais do que um agregado de tendências; a soma total das inclinações da sua mente; você irá descobrir que a miséria e a felicidade são fatores iguais na formação do caráter. O bem e o mal têm porções iguais na moldagem do caráter, e em alguns aspectos a miséria é maior mestre do que a felicidade. Ao estudar os grandes caráteres que o mundo produziu, eu ouso dizer, na grande maioria dos casos, se encontrará que foi a miséria que ensinou mais do que a felicidade; que foi a pobreza que ensinou mais do que a riqueza, que foram as bofetadas que trouxeram nosso fogo interior mais do que o louvor.

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fonte: vivekananda.net

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