O Autocentrismo de Jiddu Krishnamurti


Jiddu Krishnamurti foi um filósofo e orador indiano que escrevia sobre autoconhecimento, disciplina e espiritualidade.

Ele nasceu em 1895 numa cidadela da Índia, e sua infância não foi livre de problemas. Krishnamurti sofria de fraqueza corporal e graves transtornos psicológicos. Aos nove anos de idade testemunhou a morte da irmã, e no ano seguinte perdeu a mãe. Seu pai era bastante intolerante e autoritário e, na escola, ele não tinha amigos, nem seus professores se preocupavam em saber o por quê.

Krishnamurti se sentia constantemente sozinho, e passou a adotar uma relação especial e íntima com a natureza ao seu redor.

Com 13 anos de idade o indiano já viajava o mundo para participar de debates filosóficos, argumentando e debatendo sobre vários temas críticos e relevantes (em especial sobre a importância da disciplina no autoconhecimento).

Krishnamurti morreu em 17 de fevereiro de 1986, aos 91 anos de idade, por causa de um câncer pancreático. Várias personalidades famosas como Dalai Lama, Joseph Campbell e Deepak Chopra afirmam que ele é um dos pensadores mais revolucionários de todos os tempos.

O filósofo indiano discutia sobre dois assuntos mais do que os outros: desapego e autodisciplina.

Desapego

Krishnamurti afirmava que o desapego não existe, apenas o apego. Segundo ele, quando reagimos ao apego, nos tornando “desapegados”, nós automaticamente já estamos nos apegando a alguma outra coisa. Sendo assim, o apego seria algo inevitável, e uma pessoa que tenta cultivar o desapego estaria apenas enganando a si mesma.

Às vezes, por inúmeros motivos, nós desejamos fugir da dor do apego evitando o amor, a saudade ou a posse material, por exemplo, mas a única maneira que encontramos para fugir dessa dor do apego é encontrar alguma outra coisa a que nos apegar.

“Você é apegado à sua esposa, marido e filhos, à sua tradição e valores, à seus conceitos e ideias, e assim por diante; e sua reação a esse apego é o desapego.”

Para Krishnamurti, o desapego na verdade é indiferença (ser indiferente à saúde, à solidão, aos julgamentos, ao sucesso e fracasso, à autoridade, etc). No entanto, a indiferença não se sustenta. O apego prevalece em nossas mentes porque isso nos torna ocupados, vívidos, e não inválidos.

Autodisciplina

Krishnamurti era autodidata, e ele dizia ser essa justamente sua maior virtude.

“Não há professor, não há aluno, não há líder, não há guru, não há mestre, não há salvador. Você mesmo é o professor, o aluno, o mestre, o guru, o líder, você é tudo.”

De acordo com Krishnamurti, nós podemos ir longe se começarmos de perto. Ou seja, podemos realizar verdadeiras transformações sociais se primeiro conhecermos a nós mesmos, e segundo se mantermos uma disciplina segundo nosso verdadeiro eu, descoberto a partir de um conhecimento personalizado.

O indiano sempre dizia que a busca por conhecer-se dependia principalmente de uma qualidade rara dos seres humanos: o não julgamento alheio.

“A forma mais elevada da inteligência humana é a capacidade de observar sem julgar […] Quando julgamos ou condenamos, não podemos ver com clareza, pois só olhamos nossas próprias projeções. Cada um de nós tem uma imagem do que pensamos ser ou deveríamos ser, e essa imagem, esse retrato, nos impede inteiramente de vermos a nós mesmos como realmente somos.”

Para atingirmos um nível ótimo de autoconhecimento, Krishnamurti recomendava a prática de três tipos de conduta:

1. A libertação do passado;

2. A redução da dependência do apego;

3. O contato íntimo e constante com a natureza.

Em relação ao desprendimento do passado, dizia:

“O tempo é o inimigo psicológico do homem.”

Sobre amenizar a dependência do apego, afirmava:

“Todo apego deve ter uma causa; pelo contrário, a causa será a tristeza.”

Em se tratando do contato direto com a natureza, argumentava:

“Se você perde o contato com a natureza, você perde o contato com a humanidade. Se não há nenhuma relação com a natureza, então você se torna uma espécie de assassino.”

Krishnamurti nunca se preocupou em buscar verdades universais, pois ele sabia que essas verdades não são acessíveis a ninguém até que sejam acordadas, uma a uma, em particular.

“Não há caminho para a verdade: ela que deve vir até nós.”

Eduardo Ruano

Eduardo Ruano

Escritor e redator freelancer. Gosto de informação, conhecimento, cultura, arte, música, insights e boas histórias. Odeio cerimônias, falsidades e ostentação. Acredito no valor da humildade e me sinto bem vivendo com simplicidade. Observador ativo do comportamento humano e um apaixonado por ficção. Referências de conteúdo são sempre inspirações. Quando a mente viaja, eu escrevo.
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