OS CONCEITOS BÁSICOS DO ADVAITA VEDANTA


“Não há nada para você se tornar. A Verdade brilha aqui e agora. A Consciência É. Nada nem ninguém se torna Isso. O sol brilha. Pode-se simplesmente desfrutar dele, ou estar ocupado de outra forma qualquer. É isto. O sol brilha irresistivelmente. A Consciência. O Fogo. A Canção. É Isto.” – TR Cordón


OS CONCEITOS BÁSICOS DO ADVAITA VEDANTA

O Advaita Vedanta concentra-se nos seguintes conceitos básicos:

Brahman, Atman, Vidya (conhecimento), Avidya (ignorância), Maya, Karma, Moksha .

1) Brahman é a Última ou a Suprema Realidade. Brahman é eterno. Brahman está além das palavras. Brahman está além dos nomes e das formas. Brahman não pode ser percebido nem pode ser descrito por palavras. Está além dos sentidos e do intelecto. É indefinível. No entanto, se tiver de ser descrito; Brahman pode ser considerado como Consciência Pura  

Na filosofia Vedanta, Brahman é referido como Satchitananda. Brahman é Satchitananda, isto é, Sat – Chit – Ananda (Pura Existência – Pura Consciência – Pura Felicidade). Brahman é a eterna, a imutável, a inexprimível e impensável existência pura, mas não é a causa ou o criador do universo.

2) O Atman é o mais íntimo Ser, Eu ou Espírito presente no homem, mas é diferente do “ego empírico”. O Atman é a fundamental, a última, a eterna e imutável consciência pura. Assim, parece-nos que Brahman é a suprema realidade que está por trás de todos os objetos do mundo e que o Atman é o puro espírito presente em todos os seres. Verdadeiramente falando, Brahman e o Atman não são duas realidades diferentes. Eles são um, são uma única realidade.

Somente para fins práticos é que eles são referidos separadamente, o que na realidade não são, nem estão. O Atman e Brahman são as realidades eternas e omnipresentes subjacentes a toda a existência. O Atman e Brahman são apenas dois “rótulos” diferentes para uma e mesma realidade, e que está presente por trás de todos os objetos, sendo o substrato de toda a matéria e de todos os seres do universo.

3) Maya é o poder (Shakti) de Brahman. Maya é trigunatmika, isto é, tem três gunas ou atributos. Mas Brahman é Nirguna (Sem atributos. Nirguna Brahman é a Consciência divina, eterna, omnipresente, imutável, ilimitada, sem forma, e sem atributos). Somente Nirguna Brahman é a Realidade Suprema. Quando Nirguna Brahman condescende com Maya e reconhece os gunas de Maya, é conhecido como Saguna Brahman (com atributos ou com qualidades, distinto, com forma. Saguna refere-se à manifestação de Deus, ou Brahma, ou seja, é Brahman aparecendo em forma humana ou animal [personificado]. Saguna Brahman é o aspeto pessoal de Brahman aparecendo como uma encarnação para adoração dos crentes. Saguna Brahman é também conhecido pelos aspetos masculino e feminino: Ishvara , Parameshvara , Maheshvara, Shiva, Durga, Kali, Mãe Divina, entre outros). Saguna Brahman é Deus, o criador, sustentador e o destruidor do mundo. Saguna Brahman é Ishvara ou o “Deus pessoal”. O homem adora deuses em suas diferentes formas e nomes.

4) Brahman manifesta-se no mundo com a ajuda de Maya. O mundo e os objetos do mundo passam a existir devido ao poder de Maya. Maya e a sua criação são consideradas ilusórias. Isso não significa que o mundo não seja real. A irrealidade e a ilusão são dois fenómenos diferentes. Uma ilusão não pode ser uma irrealidade porque uma ilusão é baseada na realidade. Mas a realidade é aquilo que existe por si mesma. Maya, por outro lado, é dependente de Brahman. Maya criou o mundo das aparências. Então o mundo é uma ilusão. Mas isso não significa que o mundo seja inexistente. O Advaita Vedanta, com a ajuda da famosa ilustração, “da serpente e da corda, confundidas na escuridão”, sustenta que o mundo não é em última análise real, nem totalmente irreal e inexistente. Existe sempre o substrato do mundo que é Brahman.

5) Avidya (ignorância) tem a sua sede no intelecto humano. Avidya não significa apenas ausência de conhecimento, mas também conhecimento erróneo. Um homem preso em Avidya não sabe o que é real e pensa que as aparências são reais. Um indivíduo identifica-se com o ego ou o eu empírico. Ele restringe a sua existência ao corpo físico. Sob a influência de Maya e de Avidya, ele se dissocia a Si mesmo da Realidade Suprema. Quando o homem adquire o conhecimento, a dualidade aparente entre o seu Eu (não o ego ou o eu empírico) e Brahman desaparece. Ele percebe que o Eu é realmente uno com Brahman. Esta realização do Eu põe fim à ignorância (avidya).

6) Moksha é a libertação do cativeiro da ignorância. O homem sofre nas garras dos desejos incessantes e da ignorância. Na realização do Eu, ficamos livres dos grilhões dos desejos, das aspirações, das paixões, do Karma e de Avidya. Isto é Moksha (Kaivalya) ou libertação. Moksha deve ser alcançada aqui e agora durante este período de vida.

7) O conhecimento e a verdade são de dois tipos: inferiores e superiores. O conhecimento e a verdade convencionais ou inferiores são referidos como Vyavavahrika Satya. São um produto dos sentidos e do intelecto. O conhecimento e a verdade superiores são referidos como Paramarthika Satya. Este conhecimento e esta verdade são absolutos. Estão além das palavras, dos pensamentos, da perceções ou de qualquer conceção. Não estão de modo algum relacionados aos sentidos ou ao intelecto. São não-percetivos e não conceituais. São um produto da sublime intuição e da “visão divina”. O conhecimento superior e a verdade trazem uma transformação radical num indivíduo, por isso são considerado soteriológicos (referentes à salvação humana.)

8) O Advaita Vedanta reconhece as seis pramanas (fontes e critérios de conhecimento válido) com base na escola Mimamsa de Kumarila Bhatta.

Eles são os seguintes:
  1. (1) Perceção (Pratyaksha)
  2. (2) Inferência (Anumana)
  3. (3) Testemunho (Shabda)
  4. (4) Comparação (Upamana)
  5. (5) Postulação (Arthapatti)
  6. (6) Não-cognição (Anupalabdhi)
    Om Mani Padme Hum
    Tradução livre de:
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