O Corpo Mecânico Quântico do Homem – A cura quântica – Deepak Chopra


Noventa anos depois de começarem a surgir, os insights da física
quântica continuam sendo um mistério para a maioria das pessoas.
Mesmo assim, quando se compreende o significado da descoberta dos
neuropeptídios, a compreensão do quantum exige apenas mais um
passo. Essa descoberta foi muito importante por ter mostrado que o
corpo é suficientemente fluido para se misturar à mente. Graças às
moléculas mensageiras, eventos que aparentemente não têm nenhuma
ligação — como um pensamento e uma reação do corpo — agora
mostram-se mais consistentes. O neuropeptídio não é um pensamento,
mas move-se como ele e serve como ponto de transformação. O
quantum faz exatamente a mesma coisa, só que o corpo estudado nessa
questão é o universo, ou a natureza como um todo.
Precisamos estudar o quantum de uma molécula. Um neuropeptídio
aflora na existência ao toque de um pensamento, mas de onde
vem esse afloramento? Um pensamento de medo e a substância em que
ele se transforma estão de algum modo ligados a um processo oculto na
transformação da não-matéria em matéria.
A mesma coisa acontece em toda a natureza, só que não
costumamos chamar esse processo de pensar. Quando você chega até o
nível dos átomos, a paisagem não é mais feita de objetos sólidos
movendo-se à volta de outros, como parceiros de dança que seguem

passos previsíveis. As partículas subatômicas são separadas por
enormes espaços, numa proporção, para cada átomo, de 99,999 por
cento de vazio. Isso é verdade quando se trata de átomos de hidrogênio
do ar, de átomos da madeira de que são feitas as mesas, assim como de
todos os átomos “sólidos” em nossas células. Portanto, tudo o que
consideramos sólido é tão vazio quanto o espaço intergaláctico.
Como essas tão vastas extensões de vazio, salpicadas de longe em
longe por partículas de matéria, podem se transformar em seres
humanos? Para responder a essa questão é necessária uma perspectiva
quântica. Com a compreensão do quantum, entramos numa vasta
realidade que abrange desde os quarks às galáxias. Ao mesmo tempo, o
comportamento da realidade quântica acaba ficando muito íntimo — de
fato, ela é a linha mais tênue que separa o corpo humano do corpo
cósmico.
Em seu projeto monumental para convencer todos os físicos a
seguirem certas leis consistentes e racionais, Isaac Newton explicava as
obras da natureza em termos de corpos sólidos, movimento em linhas
retas e constantes fixas que regulavam todos os eventos físicos. Este é o
modelo da natureza como um complicado jogo de bilhar, sendo Newton
o principal jogador. Como a matéria e a energia permaneceram dentro
dessas regras estabelecidas, não havia necessidade de teorizar sobre
um mundo oculto; tudo acontecia às claras. Podemos expressar essa
idéia com um simples diagrama:
Aqui, A é uma causa e B, um efeito. Estão ligados por uma linha
reta, demonstrando que causa e efeito estão ligados logicamente no
mundo que nos é familiar, o mundo dos sentidos. Se A e B são duas

bolas de bilhar, fazer com que uma bata na outra é um evento
previsível.
No entanto, se A for um pensamento e B, um neuropeptídio, esse
diagrama já não serve. Não existe uma linha reta de ligação entre um
pensamento imaterial e um objeto material, mesmo que seja minúsculo
como uma molécula-peptídio. Em vez desse, é necessário um diagrama
que tenha uma curva:
O formato em U mostra que o processo que deve acontecer não se
realiza acima da linha, no mundo racional de Newton. Existe uma
transformação oculta em andamento, a de um pensamento em
molécula. Essa transformação não leva nenhum tempo nem acontece
em algum lugar — realiza-se apenas por impulso do sistema nervoso.
Quando você pensa na palavra rosa, muitas células nervosas precisam
ser acionadas (ninguém sabe quantas, mas digamos 1 milhão, o que
talvez seja absurdamente pouco), mas essas células não se comunicam
umas com as outras passando a mensagem de A a B, a C, e assim por
diante, até todo o milhão tê-la recebido. O pensamento apenas
acontece, localizando-se subitamente no espaço e no tempo, e com ele
todas as células do cérebro mudam sincronicamente. A perfeita
coordenação desse pensamento-evento com 1 milhão de células
cerebrais que fazem os neurotransmissores certamente aconteceu
abaixo da linha.
Toda a área abaixo da linha não é uma região para ser visitada no
espaço nem no tempo; ela apenas está presente aonde quer que você vá,

quando seus pensamentos se transformam em moléculas. Ela poderia
ser imaginada como uma sala de controle que relaciona qualquer
impulso mental com o corpo. Em qualquer tempo, os 15 bilhões de
neurônios do sistema nervoso podem ser coordenados com perfeita
precisão pelo comando abaixo dessa linha.
A mesma mudança de causas e efeitos, de linhas retas em curvas,
em formato de U, ocorreu ao nascer a física quântica. Mesmo quando
tudo na natureza parecia acontecer acima da mesa de jogo, de acordo
com a teoria clássica newtoniana — obviamente os físicos deixam os
eventos mentais fora do quadro —, umas poucas coisas não podiam ser
explicadas sem uma curva. A mais evidente era a luz. A luz pode se
comportar como A, uma onda, ou B, uma partícula. As duas são
totalmente diferentes na física newtoniana, já que as ondas são
imateriais e as partículas, concretas. Mas a luz, de algum modo, atua
como uma ou outra, dependendo das circunstâncias. Nesse caso, deve
ter feito uma curva abaixo da linha:
É fácil ver a luz como uma onda ou vibração. Um prisma divide a
luz branca nas várias cores do arco-íris, e isso ocorre porque ela se
compõe de diferentes comprimentos de ondas luminosas; tal fato se
torna aparente quando as ondas são separadas em um espectro. A luz
de uma lâmpada incandescente tem seu próprio espectro de
comprimentos de ondas, que é gerado quando a eletricidade atravessa o
filamento de tungstênio. Mas, quando se diminui sua luminosidade
gradativamente até que reste um mínimo de luz, ela não se irradiará

como uma onda e sim como uma partícula. (Ainda não existe nenhum
interruptor com dimmer que seja tão sensível e exato, mas os físicos
difundiram a luz de tal forma que ela expôs sua “granulosidade”.) A
natureza também equipou nossos olhos para reagirem fisicamente à luz
nesse nível quântico — se apenas um fóton penetra na retina, um
lampejo é transmitido pelo nervo óptico. Mas nossos cérebros não
processam apenas esse lampejo.
A palavra “quantum” — do latim, que significa “quanto” —
descreve a menor unidade a ser chamada de partícula. Um fóton é um
quantum de luz, porque não se pode dividi-lo em partículas menores. O
fóton se manifesta quando um jorro de elétrons atinge um átomo de
tungstênio; os elétrons em movimento na eletricidade colidem com os
elétrons que giram na órbita exterior do átomo de tungstênio, e dessa
colisão precipita-se um fóton, um quantum de luz. Esse quantum é
uma partícula muito estranha, porque não tem massa, mas para nossos
propósitos o que importa nele é sua capacidade de se transformar em
uma onda de luz, tendo de fazer a curva abaixo da mesa. A
transformação ocorre em um domínio desconhecido, que escapa às leis
de Newton.
Já que não estamos procurando estudar física, não vou entrar em
maiores detalhes. Basta saber que depois de Einstein, quando Max
Planck e outros físicos pioneiros foram capazes de, na virada do século,
demonstrar a natureza quântica da luz, disso resultaram muitas
conclusões bastante curiosas. Fatos considerados evidentes no mundo
dos sentidos precisaram ser conciliados com estranhas distorções de
tempo e espaço — e o foram. Como no caso do neuropeptídio, o
quantum é capaz de deixar a natureza tão flexível que se torna possível
a inexplicável transformação de não-matéria em matéria, de tempo em
espaço, de massa em energia.
Este modelo para um evento quântico básico mostra a curva que
sempre sai fora do alcance dos eventos comuns:

Como o pensamento e o neuropeptídio, a luz não pode ser uma
onda e um fóton ao mesmo tempo; é uma coisa ou outra. E é claro que
a lâmpada de tungstênio não passa a uma outra realidade quando é
desligada. Mas, de algum modo, a natureza estabelece suas leis para
que a luz possa ser A ou B, enquanto ambas são mantidas dentro da
mesma realidade, construindo um ponto de transformação. (Ainda hoje
muitas pessoas acreditam que Einstein destruiu a teoria de Newton
quando, de fato, ele salvou e expandiu a crença do próprio Newton na
ordem perfeita.)
Uma visão surpreendentemente elegante da mente e do corpo
pode surgir desse evento básico; para isso, basta um diagrama:
A mente e o corpo ficam acima da linha. A é um evento mental,
um pensamento; todas as outras letras correspondem a processos
físicos que se seguem a A. Se você fica com medo (A), as outras letras
são os sinais enviados às glândulas supra-renais, a produção de
adrenalina, o batimento cardíaco rápido, a pressão do sangue elevada, e
assim por diante, correspondendo a B, C, D etc. Todas as mudanças

físicas no organismo podem estar ligadas a uma cadeia natural de
causa e efeito, exceto o espaço depois de A. Esse é o ponto em que
primeiro ocorre a transformação do pensamento em matéria — e precisa
ocorrer, ou os outros eventos não acontecerão.
É preciso haver uma curva em algum ponto da linha — e nesse
ponto ela se rompe, porque a mente não toca a matéria acima da mesa.
Se quisermos erguer o dedo mínimo (A), um médico pode acompanhar o
neurotransmissor (B) que ativa o impulso que percorre o axônio do
nervo (C), fazendo uma célula muscular responder (D), o que resulta no
dedo se erguendo (E). Mas nada do que o médico possa descrever
explicará o que acontece de A a B — isso exige uma curva. A imagem
assemelha-se a uma fila de pessoas passando baldes umas às outras,
onde todas o apanham da anterior, menos a primeira, que o pega não
sabendo de onde. De lugar nenhum.
“Lugar nenhum” é um termo quase exato neste caso, porque não
se pode descobrir o ponto em que os fótons se transformam em ondas
de luz. O que acontece exatamente nessa zona “?” não é conhecido pelos
físicos, tampouco pela medicina. As curas milagrosas parecem
exemplos de mergulho na zona “?”, porque, em tais casos, a cooperação
da mente com a matéria provoca um inesperado salto quântico; mas,
como outros episódios mente-corpo, realiza-se de modo misterioso.
Muitos anos atrás, um bombeiro de Boston, com bem mais de 40
anos, chegou certa noite ao pronto-socorro de um hospital suburbano,
queixando-se de súbitas e violentas dores no peito. O médico interno o
examinou e não encontrou nada de anormal no funcionamento de seu
coração. O paciente partiu pouco convencido e logo voltou com os
mesmos sintomas. Foi enviado para que eu, como médico da equipe
principal, o examinasse, mas também não encontrei nada de errado em
seu coração.
Apesar do exame completo, o bombeiro voltava repetidamente ao
hospital, quase sempre tarde da noite. A cada vez que chegava, sempre
agitado, ele insistia com absoluta certeza de que estava sofrendo do
coração. Mas nenhum exame, inclusive os mais sofisticados

ecocardiogramas e angiogramas, registrou o menor problema.
Finalmente, diante da crescente ansiedade do homem, fiz-lhe uma
recomendação para aposentadoria, não por incapacidade física, mas
puramente por motivos psicológicos. A diretoria do setor médico do
Departamento de Bombeiros recusou o pedido por não ter provas
materiais do caso. Dois meses depois, o homem apareceu pela última
vez no pronto-socorro. Dessa vez viera estendido na maca, porque
sofrera um enfarte violento. O ataque cardíaco destruiu 90 por cento do
músculo do coração; dez minutos depois, o paciente estava morto. Mas,
antes, ele teve energia suficiente para virar a cabeça em minha direção
e murmurar:
— Agora o senhor acredita que eu sofria do coração?
O que esse caso atesta de modo tão dramático é que a curva da
zona “?” é de tal forma poderosa que pode mudar qualquer realidade
física no organismo. Acho que devo chamar o ocorrido de efeito
quântico, porque não seguiu as regras de causa e efeito observadas pela
medicina e estabelecidas como reações normais do corpo. Muitas
pessoas cultivam receio de ter um ataque cardíaco, mas não morrem
dele; no caso oposto, muitos ataques do coração ocorrem sem o menor
aviso da mente. Mesmo se afirmássemos, de acordo com a medicina
mente-corpo, que um pensamento causou o ataque do coração, como
ele encontrou o meio de levar avante sua intenção fatal?
Ao programar o conceito de “ataque do coração” em um
computador, saberemos exatamente o que estamos fazendo. Para obter
os dados processados, os circuitos poderão ser ativados para levá-los à
tela e os manipulamos segundo o método operacional de seu sistema.
Mas o pensamento “ataque do coração” não agiu desse modo com meu
paciente. Ele não sabia de onde viera o pensamento; quando este
surgiu, ele não conseguiu escapar; em vez de ficar em seu lugar, o
pensamento invadiu o corpo todo com resultados desastrosos. Essa é
apenas a metade do mistério de um evento quântico — a metade
negativa; a viagem à zona “?” também pode ter resultados positivos
admiráveis.

Outra paciente minha, uma senhora tímida de mais de 50 anos,
veio me procurar há dez anos queixando-se de fortes dores abdominais
e de icterícia. Imaginando que ela sofresse de cálculos biliares,
encaminhei-a imediatamente à cirurgia; porém, quando estava na
mesa, revelou-se um grande tumor maligno que lhe invadira o fígado,
com ramificações por toda a cavidade abdominal. Julgando o caso
inoperável, os cirurgiões fecharam a incisão sem tocar em nada. Como a
filha pediu para não contarmos nada à mãe, disse-lhe que os cálculos
biliares haviam sido removidos e que a operação fora bem-sucedida.
Imaginei que a família contaria a verdade depois de algum tempo,
porque provavelmente a mulher tinha poucos meses de vida — pelo
menos poderia vivê-los com tranqüilidade.
Oito meses depois, espantei-me ao vê-la de volta a meu
consultório. Vinha fazer exames de rotina, que não revelaram icterícia
nem dores, ou qualquer sinal de câncer. Só um ano depois ela me fez
um comentário estranho.
— Doutor — disse ela —, há dois anos eu tinha certeza de que
estava com câncer, e eram apenas cálculos biliares; então, jurei a mim
mesma que nunca mais ficaria nem um dia doente na vida.
O câncer dessa senhora nunca reapareceu. Ela não usou
nenhuma técnica e aparentemente se curou a partir de uma profunda
resolução, o que lhe bastou. Também devo chamar esse caso de evento
quântico, devido à transformação fundamental em nível mais profundo
que o dos órgãos, tecidos, células e até do DNA, ocorrida diretamente na
fonte de existência do corpo, no tempo e no espaço. Meus dois pacientes
— uma, com pensamentos positivos, e outro, com negativos —
conseguiram mergulhar no domínio “?” e dali ditaram a própria
realidade.
Casos tão misteriosos como esses serão, realmente, exemplos de
eventos quânticos? Um médico poderia criar objeções, considerando
que estamos apenas fazendo metáforas, que o mundo oculto das

partículas elementares e das forças fundamentais exploradas pelos
físicos quânticos é muito diferente do mundo oculto da mente. Ainda
assim, pode-se argumentar que a região inconcebível de onde tiramos o
pensamento de uma rosa é a mesma de onde emerge um fóton — ou o
cosmos. A inteligência, como vamos descobrir, tem muitas propriedades
quânticas. Para deixar isso claro, começaremos com o esquema familiar
exposto nos livros de estudo, que apresenta o corpo humano
verticalmente, com uma hierarquia de sistemas, órgãos, tecidos e
células:
Sistema
Órgão
Tecidos
Células
DNA
Nesse quadro, cada nível do corpo está logicamente relacionado
ao seguinte — enquanto nos mantemos acima da linha, os processos
que se assemelham à vida acontecem numa sequência definida. Isso
pode ser demonstrado pelo feto no útero: um bebê começa como
partícula de DNA situada no centro do óvulo (célula) fertilizado; com o
tempo, a célula se multiplica até formar uma bola de células
suficientemente grande para começar a se dividir em tecidos e
finalmente em órgãos, como o coração, o estômago, a espinha dorsal e
assim por diante; então surge todo o sistema nervoso, o aparelho
digestivo e o respiratório; por fim, no exato momento do nascimento, os
trilhões de células do recém-nascido estão coordenados para manter a
vida de todo o organismo, sem o auxílio da mãe.
Mas se o DNA é o degrau inicial dessa escadinha organizada, o
que o faz se expandir, em primeiro lugar? Por que ele inicialmente se

divide, no segundo dia da concepção, e começa a formar o sistema
nervoso no décimo oitavo? Como todos os eventos quânticos, algo
inexplicável acontece abaixo da superfície, para formar a inteligência
onisciente do DNA. O que nos importa não é o DNA ser complexo
demais para ser compreendido nem tratar-se de uma molécula
supergenial; o que torna o DNA tão misterioso é que ele vive no ponto
exato da transformação, como um quantum. Ele passa toda sua vida
gerando mais vida, o que definimos como a “inteligência ligada às
substâncias químicas”. O DNA está Constantemente transferindo
mensagens do mundo quântico para o nosso, ligando novas partículas
de inteligência e novas partículas de matéria.
Localizado no meio de cada célula, completamente fora de cena, o
DNA consegue coreografar tudo o que acontece no palco. Pode soltar
pedacinhos de si mesmo, que viajam pela corrente sanguínea como
neuropeptídios, hormônios e enzimas, enquanto faz aflorar outros, até a
parede da célula, como receptores, instalando antenas para ouvir as
respostas a um turbilhão de perguntas. Como o DNA consegue ser
simultaneamente a pergunta, a resposta e o observador silencioso de
todo o processo?
A resposta não está no plano da matéria. Há muito tempo os
biólogos moleculares subdividiram o DNA em componentes menores,
mas toda a operação continua acima da linha do inundo newtoniano:
DNA

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