Ganhos marginais: uma estratégia para aumentar (muito) seus resultados


Uma única medalha de ouro em 76 anos de competições. O recorde olímpico mantido pelo ciclismo britânico até 2002 certamente não era de encher os olhos de ninguém. Mas a partir daquele ano, tudo mudou.

Nas Olimpíadas de Pequim em 2008, os britânicos venceram 7 das 10 medalhas de ouro em provas de ciclismo de pista. Nos Jogos Olímpicos seguintes, Londres 2012, o mesmo feito foi alcançado: 70% das medalhas de ouro.

O que mudou dos 76 anos de seca para uma era de ouro como essa?

Tudo passa por Dave Brailsford, que assumiu o comando técnico da Federação Britânica de Ciclismo em 2002. Talvez você nunca tenha ouvido falar dele (eu nunca tinha), mas os feitos de Dave são impressionantes e ensinam muito sobre como podemos melhorar em diversas áreas da nossa vida.

Dave Brailsford. Crédito da Foto: Flickr de @ruby_roubaix (Licença Creative Commons)

A grande sacada de Dave Brailsford

Mesmo após sair da Federação e assumir a Team Sky (equipe profissional de ciclismo do Reino Unido), sua trajetória de sucesso continuou. Sob o comando dele, a equipe venceu 3 dos últimos 4 Tours de France, a mais antiga e prestigiada competição de ciclismo no mundo – isso, com apenas 2 anos após sua chegada na equipe.

Dave é um ex-ciclista profissional com posterior formação em Educação Física e Psicologia, além de ter concluído um MBA. A ideia de Dave, que deu muito certo e passou a ser amplamente aplicada em diversas áreas, ficou conhecida como ganhos marginais. A grande sacada dele foi acreditar que se sua equipe pudesse pensar em todos os fatores possíveis que influenciam uma prova de ciclismo, e então fazer uma melhoria de apenas 1% em cada fator, o desempenho final seria muito superior.

Ele estava certo.

Dave explica de onde surgiu a sua ideia: “No MBA, fiquei fascinado com Kaizen e outras técnicas de melhoria de processos. Bateu em mim que nós deveríamos pensar pequeno, não grande, e adotar uma filosofia de melhoria continua usando ganhos marginais. Esqueça a perfeição: foque no progresso e agregue as melhorias.”

Ele e sua equipe foram até os mínimos detalhes. Para garantir que os atletas dormissem exatamente com a mesma postura todas as noites, passaram a levar para as competições seus próprios colchões e travesseiros. Para evitar qualquer doença por contaminação na equipe, contrataram um cirurgião para ensinar como lavar e esterilizar bem as mãos – e decidiram não apertar as mãos de ninguém durante as Olimpíadas.

O que a princípio podem parecer atitudes extremas foram levadas à cabo em diversas frentes. Cada prova foi analisada sob a ótica do que seria necessário para vencê-la. Como cada atleta deveria treinar? Como deveriam ser suas alimentações?

Para ter a certeza de que nenhum atleta ou membro da equipe de ciclismo britânico levasse a bagagem errada por acidente, seus nomes eram impressos em todas as suas malas. É um detalhe? É – mas quem já perdeu uma mala sabe como isso pode fazer a diferença. Crédito da Foto: Flickr de Sadhbh O’Shea (licença Creative Commons)

A abordagem dos ganhos marginais

No início, nem tudo saiu como planejado. Dave e sua equipe focaram muito em aspectos secundários e esqueceram do que era mais essencial. “Você precisa identificar os fatores críticos para o sucesso e depois focar as suas melhorias em torno deles”.

A soma de tantas melhorias marginais pode levar a um ganho significativo no desempenho geral – essa parece ser a lógica por trás. Entretanto, Dave tem uma teoria alternativa de por que a sua abordagem deu tão certo: “Talvez o maior benefício seja a criação de um entusiasmo contagiante. Todo mundo começa a procurar por formas de melhorar. Há algo recompensador em identificar ganhos marginais – algo similar a uma caça ao tesouro. As pessoas querem identificar oportunidades e compartilhá-las com o grupo. Nossa equipe se transformou em um ambiente muito positivo.”

Dave Brailsford tem se interessado pela aplicação dos ganhos marginais na melhoria da eficiência de serviços públicos. Entretanto, o criador da abordagem acredita que ela pode ser utilizada com sucesso em várias outras áreas. “Acho que há amplas oportunidades para a aplicação dos ganhos marginais no mundo corporativo”, ele afirma.

Há diversos casos mostrando os incríveis resultados que podem ser alcançados com os ganhos marginais. Vamos explorar alguns deles para deixar mais claro como a abordagem funciona.

Na saúde pública

Um sistema semelhante ao de ganhos marginais foi adotado no Viriginia Mason, um hospital de Seattle. Lá, médicos e funcionários foram encorajados a relatar todo tipo de incidente ou erro humano ocorrido com a intenção de que o hospital pudesse trabalhar para evitar a reincidência.

Frente a casos de prescrição de remédios errados, o Virginia Mason alterou as etiquetas das medicações para facilitar a identificação pelos médicos em momentos de pressão. A ergonomia dos aparelhos cirúrgicos foi melhorada. As fitinhas de pulso dos pacientes passaram a receber identificação textual, além da diferenciação por cores, para evitar erros cometidos por funcionários daltônicos.

De 1 por cento em 1 por cento, o hospital teve uma redução de 74% nos seguros pagos por problemas médicos e hoje é considerado um dos mais seguros do mundo.

Em provas

O conhecimento do conteúdo abordado em um exame sem dúvida é o fator mais determinante na nota final do aluno. Porém, há diversas pequenas melhorias que podem ser feitas para garantir que nada atrapalhe a transmissão de conhecimento da mente do aluno para o papel.

Levar uma garrafa de água garante a hidratação e uma fruta ajuda a manter os níveis de açúcar no sangue, enquanto tampões para os ouvidos ajudam a isolar qualquer ruído sonoro que prejudique a concentração.

Chegar cedo também é uma melhoria pequena e importante. Em alguns casos você pode escolher o melhor lugar da sala para se sentar, aproveitando um local com melhor iluminação, mais ventilação, etc. Isso fora o fato de ter tempo para se acalmar e se preparar mentalmente para a prova.

Nos negócios


O Google faz mais de 12 mil experimentos anuais explorando dados para tentar descobrir pequenas oportunidades de melhoria. Com um experimento, funcionários descobriram que trocar a barra de ferramentas do Google de um tom mais escuro para um mais claro de azul aumentava a taxa de cliques. De forma muito similar, muitos sites fazem testes do tipo A/B constantemente, explorando como pequenas mudanças em cores, tom de discurso, imagens e outros podem afetar o comportamento dos usuários. Para empresas, uma pequena mudança pode modificar dramaticamente a receita.

Mas nem só o Google e o Virginia Mason acreditam nos ganhos marginais. James Clear, que escreve sobre produtividade, também:

É muito fácil superestimar a importância de um único momento e subestimar o valor de se tomar boas decisões constantemente.

Frequentemente nos convencemos de que a mudança só tem valor se for algo grande e possuir um resultado claramente visível. […] Muitas vezes nos botamos sob a pressão de fazer melhorias estratosféricas que todos possam notar. Enquanto isso, melhorar só 1% não é notável (às vezes nem dá para perceber). Mas pode ter tanto valor quanto, especialmente no longo prazo.

Até onde eu sei, este padrão funciona da mesma forma ao contrário. Se você fica preso em maus hábitos e resultados ruins, normalmente não é porque algo aconteceu do dia para a noite. É a soma de pequenas escolhas – 1 por cento piores aqui e ali – que eventualmente gera um problema.

No começo não há basicamente nenhuma diferença entre tomar uma decisão 1% melhor ou 1% pior. (Em outras palavras, não haverá um impacto muito grande hoje). Mas conforme o tempo passa, essas pequenas melhorias ou decadências vão se somando e de repente você vê um oceano de distância entre quem toma decisões ligeiramente melhores diariamente e quem não toma. É por isso que pequenas decisões não fazem a diferença na hora, mas se acumulam no longo prazo.

As palavras de James são claras. Os ganhos marginais funcionam porque o sucesso em qualquer empreitada geralmente não vem de um grande evento, mas sim de pequenos hábitos que criamos e decisões que tomamos constantemente.

Mas como usar essa abordagem para melhorar nossos resultados?

Pequenas melhorias, grandes resultados

Você pode não estar precisando fazer pequenas melhorias na sua bicicleta, mas pode usar os ganhos marginais para melhorar diversas áreas da sua vida pessoal e profissional.

Precisa passar em um concurso? Comece estudando um pouquinho a mais por dia. Limpe sua mesa de tudo que possa distrair. Organize melhor as suas leituras.

Durma melhor, coma mais saudável, exercite-se. Tudo isso pode afetar sua concentração, criatividade, foco, produtividade e, no fim das contas, o resultado dos seus estudos.

Com um pouquinho de criatividade, essa mesma lógica pode ser aplicada em basicamente qualquer área da vida.

Negócios

Há males que vem para o bem. Quando a Fresh Tilled Soil obteve sucesso momentâneo, uma falsa sensação de segurança levou a companhia a sair dos trilhos. Os dois trimestres seguintes foram horríveis e por pouco as contas não fecharam no fim do ano. A empresa de design de interfaces americana precisou mudar – e rápido. Foi aí que a equipe resolveu adotar a abordagem dos ganhos marginais.

Devagarinho, começaram a fazer mudanças por toda a empresa.

Ao invés de um treinamento padrão para todos os funcionários, adotaram treinamentos personalizados levando em conta os objetivos de cada um. Se livraram de leads não qualificadas e focaram apenas nas melhores. Melhoraram o escritório consertando velhos problemas e comprando as melhores cadeiras e estações de trabalho que podiam bancar. Trocaram as porcarias na cozinha por comidas saudáveis.

Crédito da Imagem: Gabriel Beaudry (Unsplash)

O resultado? O dobro de vendas com apenas um funcionário a mais. 100% de receita a mais com basicamente os mesmos recursos.

Richard Banfield, CEO da Fresh Tilled Soil, compartilha a experiência obtida: “Ouvimos inúmeros especialistas em negócios dizendo que uma única solução grandiosa é necessária. No final descobrimos que tudo conta. Até as coisas que você não consegue medir. […] A lição é simples. Nunca pare de progredir. Desenvolva a disciplina e o hábito de criar um movimento para a frente, mesmo quando você não estiver precisando.”

Finanças

Paula Pant lançou um desafio aos seus leitores. Ela mantém um site sobre liberdade financeira, o Afford Anything, e queria aplicar a abordagem dos ganhos marginais nas finanças.

A missão era simples: economizar 1% a mais todos os meses.

Se o seu salário é de 2 mil reais, guardar 20 reais a mais por mês. Se ganha 5 mil, 50 reais a mais por mês. No final de um ano você terá passado a economizar 12% a mais do seu salário, o que não é nada mal.

A economia pode vir em várias formas: corte de gastos supérfluos, pagamento do IPTU com antecedência para aproveitar o desconto ou quitação de dívidas com altos juros no fim do mês.

Você pode aumentar 1% a cada 2 ou 3 meses, ou ainda passar a economizar 5% a mais de uma só vez. Paula diz que o desafio pode ser adaptado e completa: “No começo eu pensei que isto seria um desafio de um ano, mas o conceito tem dado muito certo. Qualquer um pode entrar, a qualquer momento, e se manter no desafio até quando estiver funcionando.”

Crédito da Foto: Fabian Blank (Unsplash)

Formação de hábitos

Correr por apenas 1 minuto. Ler uma página de um livro. Alongar só um braço.

Parece ridículo, certo?

Mas pode não ser.

Leo Babauta, do Zen Habits, defende que o início de qualquer hábito deve ser pequeno. “Nós tentamos escalar o Evereste antes de aprender a andar”.

Torne o hábito tão simples e fácil que você não possa se negar a fazê-lo. Começar de fato é muito mais importante do que fazer bem feito. Depois que um hábito tem bases sólidas, a abordagem dos ganhos marginais pode te ajudar a chegar mais longe.

Pense assim: num dia 1 minuto, no outro 2, no outro 3. Você pode sair do sedentarismo para corridas de 15 minutos em meras duas semanas.

Quer tomar mais água? Comece com um copo por dia. Quer escrever um livro? Comece escrevendo uma frase. Abdominais? Deite, faça uma hoje e aumente para duas amanhã.

Foque em começar. Não se preocupe com o quão rápido ou bem você está fazendo. Só dê o pontapé inicial.

Comece de baixo e vá construindo o seu progresso a partir dali.

Educação

Alex Quigley, especialista no ensino de inglês, elogia o uso dos ganhos marginais na educação: “Pode ser uma ferramenta de melhoria contínua: estudantes melhorando seus aprendizados, professores melhorando suas formas de ensinar e, mais amplamente, gestores escolares procurando fazer melhorias pequenas, mas significativas.”

Para criar um curso de investimento imobiliário, Paula Pant está aprendendo como os humanos aprendem. A ideia é criar aulas não meramente informativas, mas que de fato guiem os alunos a obterem resultados práticos. Paula aprendeu muito sobre como otimizar o seu método de ensino, mas como aplicar isso na prática?

Através dos ganhos marginais.

Uma frase que alterada fique mais clara. Uma nova história que gere interesse dos alunos. Uma nova pergunta intrigante que faça pensar.

“Se eu fizer uma melhoria por dia, em 4 meses terei feito mais de 100 melhorias. Esta é a diferença entre ‘bom’ e ‘ótimo’,” ela explica. “Estou impressionada com o quanto as pequenas mudanças podem se acumular ao longo do tempo.”

Sono

Passamos quase um terço das nossas vidas dormindo. É muita coisa.

Tanto tempo gasto nesta “tarefa” significa que qualquer melhoria, por menor que seja, tem um grande impacto a longo prazo.

Dormir bem não só descansa e prepara o corpo para mais uma jornada, mas é essencial para manter altos os níveis de energia, motivação e atividade mental.

Por isso, pode valer a pena fazer experiências com o tempo de sono. A ideia de que todo mundo precisa dormir 8 horas por dia é errada, nem todo mundo precisa. Seguindo essa marca arbitrária à risca, você pode estar arriscando não dormir o suficiente ou pior, dormir em demasia e desperdiçar horas valiosas da sua vida.

O Doutor Christopher Winter, neurologista e especialista em sono,  uma dica prática: “Normalmente consideramos de 15 a 20 minutos o tempo normal que demora para uma pessoa dormir. Se você já está apagado antes mesmo da cabeça tocar no travesseiro, pode não estar dormindo o suficiente. Se demora uma hora ou mais para você adormecer, pode estar tentando dormir demais.”

Outras dicas valiosas podem melhorar e muito o seu sono:

  • Durma num ambiente escuro. Sinais luminosos recebidos pelos nervos ópticos ativam uma série de hormônios que levam a acordar. Considere tapar seus aparelhos eletrônicos que mantém acesa alguma luz à noite, fechar bem as cortinas/persianas e investir num bom tapa-olhos para dormir.
  • Bloqueie qualquer barulho. Feche bem janelas e portas para evitar sons da rua ou dos vizinhos e certifique-se de que as notificações do seu celular estejam no silencioso. Se você não puder controlar a entrada de ruídos sonoros, considere também a compra de tampões para os ouvidos.
  • Sem eletrônicos na cama. Muita gente tem o costume de usar o celular antes de dormir, ou assistir TV já deitado. As luzes e sons emitidas pelos aparelhos estimulam a mente e retardam os processos internos que regulam o sono. Ler e-mails e fazer outras atividades também pode gerar um estresse desconfortável que impede o seu corpo de relaxar.
  • Durma confortável. Comprar um travesseiro que seja ergonômico e ofereça um bom suporte para a sua posição de dormir pode ser a diferença entre acordar relaxado e acordar com dores. Tem recursos para investir num colchão? Melhor ainda! O colchão certo pode ajudar na melhoria da postura, na circulação do sangue e até a evitar desconfortos como dores de cabeça.

Vale lembrar que o sono é assunto médico. Se você estiver com muitos problemas ou dificuldades na hora de dormir, consulte um especialista.

Crédito da Foto: Kalegin Michail (Unsplash)

Alimentação

O que a gente come impacta nosso corpo e mente de forma talvez até mais direta que o sono.

Além de prevenir doenças, comer bem tem resultados imediatos no nosso corpo. O lado bom é que você consegue sair de um resfriado só com um chá de gengibre caprichado. O lado ruim é que em um só dia podemos tomar diversas más decisões na hora de comer.

Um café pode te deixar mais atento, mas tome 2 ou 3 e sua capacidade de focar é perdida. Uma banana deixa o nível de açúcar no seu sangue do jeito que o cérebro gosta, mas meia barra de chocolate gera uma queda drástica e abrupta na sua energia.

A questão não é nem seguir uma dieta personalizada com indicação médica, mas tomar melhores decisões nas diversas refeições do dia. Um pouco de chocolate e café a menos, mais água ou um vegetal a mais no almoço… a questão é sempre ir acumulando os 1 por centos, certo?

Algumas dicas para deixar você com o corpo energizado e a mente afiada:

  • O cérebro demanda entradas constantes de glicose, adquirida principalmente de frutas, vegetais e grãos. Na falta da glicose, seu raciocínio pode ser prejudicado e se tornar um pouco confuso. O excesso pode afetar a memória e gerar um pico de açúcar no sangue sucedido por uma queda drástica, levando a baixos níveis de energia e produtividade. A solução pode vir na forma de mais refeições, mas menores em quantidade, o que ajuda a manter os níveis de glicose constantes. Por exemplo: se você costuma pular do almoço direto para a janta, considere comer uma banana durante a tarde.
  • O corpo também não processa todos os alimentos da mesma forma. Chocolates e doces são uma dose pesada de glicose no sangue, enquanto pães integrais e cenouras são digeridos mais lentamente, fazendo com que a glicose seja liberada aos poucos, mantendo o seu cérebro nutrido de forma mais constante.
  • Sabe aquele amigo que sai correndo só de ver uma salada? Muita gente tem preconceito com certos alimentos e come sempre as mesmas coisas, mas ingerir em variedade é essencial para fornecer ao corpo os nutrientes que precisa. Os ignorados vegetais de folhas escuras são carregados em vitaminas e minerais que melhoram o processo cognitivo, enquanto castanhas são ricas em fibras, que ajudam o sistema digestivo e fazem você se sentir satisfeito.
  • Alimentos ricos em açúcares e carboidratos, como doces e pães brancos, ou ricos em gorduras, como carnes e laticínios, não são eficientes energeticamente. Em outras palavras, podem sobrecarregar o sistema digestivo e deixar você cansado, com sono e sem energia. Experimente fazer refeições mais leves e troque alimentos gordurosos por vegetais. Afinal, nada mata mais a produtividade do que aquele sentimento de estar pesado depois do almoço.

Uma pesquisa mostrou que funcionários com alimentação saudável durante o dia inteiro têm chances até 25% maiores de desempenhar melhor no trabalho, enquanto quem come 5 ou mais frutas, além de vegetais ao menos 4 vezes na semana, é 20% mais propenso a ser mais produtivo.

O cérebro é responsável por apenas 2% do nosso peso total, mas requer até 20% da energia que consumimos. Se você realmente quiser melhorar seu desempenho e produtividade, precisa se importar com o combustível que o alimenta.

Transporte

Se você tem uma rotina diária fora de casa, indo para a faculdade ou para o escritório, provavelmente passa algumas boas horas por semana se transportando até o destino final.

Ainda que muita gente use joguinhos casuais ou o feed do Facebook para fazer o tedioso tempo no metrô passar mais rápido, sem dúvidas esses momentos poderiam ser aproveitados de uma forma melhor.

Com uma grande disponibilidade de audiolivros e podcasts, você pode trocar o entretenimento vazio das redes sociais por conteúdo informativo que agregue algo à sua vida pessoal ou profissional. Mesmo que seu deslocamento demore só uns 15 minutos, em um dia isso dá meia hora e em um mês são 11 horas de conteúdo que você poderia estar absorvendo. Quanta coisa não dá para aprender em 11 horas?

Ler também pode ser uma boa pedida. Com 5 páginas por trajeto, você pode devorar um livro médio por mês e completar uma dúzia em um ano – muito superior aos 4,96 de média do brasileiro.

Outra questão quanto ao transporte é que o brasileiro adora se atrasar. Porém, se atrasando você tem que fazer as coisas correndo e pode perder o início de algo importante, como uma reunião. Se você costuma chegar tarde no seu destino, os ganhos marginais podem te ajudar. Tente sair de casa 1 minuto mais cedo a cada dia. Em questão de 3 semanas você pode criar o hábito de sair de casa com uma pequena antecedência de 15 minutos, evitando a correria e o desgaste psicológico de correr contra o tempo.

Limpeza

Pouca gente nesse mundo passa uma semana sem precisar fazer alguma tarefa doméstica. Seja varrendo o chão, cozinhando, lavando a louça ou arrumando o próprio quarto, o tempo gasto nesses afazeres tem muito em comum com o transporte para o trabalho. Ligar a TV ou botar uma música costumam ser as opções da maioria, mas não descarte ouvir um audiolivro ou até assistir aulas no YouTube enquanto arruma o seu lar. Se cada pia cheia de louças sujas for uma oportunidade de aprender algo que você goste, talvez você até se motive a lavar mais rápido!

Ajuda eletrônica

Quando o tempo é limitado e nossa cabeça já está cheia de coisas, saber como facilitar tarefas da própria vida pode poupar sua cabeça de muito estresse – e nada melhor do que apps, programas e sites para dar uma mãozinha. Há uma infinidade de recursos para ajudar você em todas as áreas, mas estas são algumas das opções mais legais que conhecemos:

  • Todoist: começando pela minha opção favorita (juro que não é corporativismo 😁). Todoist ajuda você a organizar todas as tarefas da sua vida em um só lugar. Você adiciona as tarefas no app e não precisa se preocupar em lembrar de cada uma, Todoist lembra para você. O app está disponível em mais de 10 plataformas e é tão fácil de usar que não precisa nem de tutorial – mas se você quiser temos um completão aqui! 😉
  • Momentum: a cada nova aba aberta no Chrome, o Momentum lembra qual é o seu objetivo para aquele dia. Simples e direto ao ponto, mas eficiente no que se propõe, é uma forma de você não deixar se levar por distrações, focando no que mais interessa.
  • Marinara Timer: já ouviu falar da técnica Pomodoro? Com ela, você foca nas suas tarefas por períodos de 25 minutos intercalados com descansos de 5. A cada 4 ou 5 ciclos desse (chamados de ‘Pomodori’), tire um intervalo maior de 20~30 minutos. A técnica tem milhões de fãs pelo mundo todo – funciona mesmo! O que o Marinara Timer faz é automatizar esses intervalos. Basta acessar o site, clicar em Play e começar seus primeiros 25 minutos de foco intenso.
  • Brain.fm: Sons são como cores ou alimentos: alguns acalmam, outros te deixam nervoso; alguns dão sono, outros te deixam ligado. O pessoal do Brain.fm comprovou cientificamente que ouvir a coisa certa pode aumentar nossa capacidade de concentração e melhorar nosso sono, por exemplo. Para nossa sorte, eles não pararam após a pesquisa e criaram uma plataforma baseada em inteligência artificial que gera sons precisamente projetados para você focar, relaxar, meditar e por aí vai. Eu particularmente sou um usuário frequente do site e sem dúvidas a seção de foco em especial me ajuda e muito a escrever com mais fluidez.

Se quiser ir além destas opções, leia nosso post completo com 22 apps que ajudam a completar seus projetos. Usando alguns deles para facilitar a vida, você soma ganhos marginais e pode melhorar muito a sua produtividade – e quem sabe liberar um pouco de tempo da sua rotina!

Crédito da Foto: Rami Al Zayat (Unsplash)

Um pequeno alerta

A abordagem é baseada na soma de pequenas melhorias e esforços. São diversos “poucos” que, agrupados, viram “muito”.

É importante entender que isso não significa se apegar a detalhes. Quando falamos de melhorar 1% em alguma coisa, falamos em mudanças que podem de fato trazer um impacto no que há de mais importante na sua vida ou no seu desempenho em alguma área. Evitar o pagamento de um juros no banco é uma ótima opção para economizar alguns reais, mas fazer o seu próprio sabão caseiro apenas para economizar alguns centavos não é lá muito eficiente. Lembre-se de focar no que importa, certo?

Você já conhecia a abordagem dos ganhos marginais? Se não, o que achou? Se sim, como pretende usá-la para melhorar a sua vida? Deixe sua opinião nos comentários!

Deseja organizar suas tarefas com o melhor app de lista de tarefas do mercado? Todoist pode ajudá-lo através de mais de 10 plataformas! Comece agora – É de graça! ou Saiba mais.


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