Geraldo Rufino, o homem que reinventou seu destino


Ele ganhava a vida como catador de latinhas em um lixão, mas graças à sua positividade e talento se tornou milionário. Hoje, percorre o Brasil ministrando palestras e inspirando pessoas. Estamos falando de Geraldo Rufino, 59 anos, o empresário visionário que faliu seis vezes e saiu de todas elas mais sábio – e mais rico. É fundador e presidente da JR Diesel, em Osasco-SP, primeira e maior empresa de reciclagem de caminhões do Brasil e da América Latina, com faturamento anual superior a R$ 50 milhões. O segredo? “Mudar a forma de pensar”, afirma.

A fórmula de sucesso que conseguiu desenvolver é bastante simples: trabalhar muito, com o espírito e a mente. “Ser feliz é a minha meta e sempre alcancei esse objetivo, desde que era catador de latas até me tornar o maior reciclador de caminhões brasileiro”, garante.

O COMEÇO

Filho de Aristides Rufino de Moura e Geralda Narcisa de Jesus, já falecidos, Geraldo nasceu no dia 21 de novembro de 1958 em Campos Altos, Minas Gerais. Casado com Marlene, 51 anos, é pai de Geraldo Arthur, 33; Guilherme Augusto, 31; e Gabriela Andressa, 24.

Caçula de oito irmãos, ele tinha apenas 4 anos quando o pai, agricultor, decidiu tentar a sorte em São Paulo após ter a lavoura dizimada pela geada. Além da pobreza, ainda na infância teve que lidar com a perda da mãe, que era empregada doméstica e morreu de mal súbito. Aos 8 anos já trabalhava em uma pequena revendedora de carvão para ajudar no sustento da casa. “Ralava 10 horas por dia ensacando o material que chegava a granel, mas adorava aquilo”, conta.

Para melhorar a renda, começou a catar latinhas com o irmão José em um lixão perto da Favela do Sapé (R8, zona oeste de São Paulo), onde moravam. Logo percebeu que poderia ganhar mais dinheiro se juntasse uma grande quantidade de sucatas, em vez de vender na “correria” como os outros colegas.

Foi assim que, aos 9 anos, montou seu primeiro negócio. “Fizemos carrinhos de mão para transportar os materiais recicláveis para casa e, à noite, separávamos tudo para depois vender a um depósito maior. Nos fins de semana, usávamos esses mesmos carrinhos para fazer a feira com as madames ou alugávamos para os garotos que não tinham um”, descreve.

PRIMEIRO REVÉS

Dos 9 aos 11 anos, Rufino e o irmão juntaram dinheiro dentro de latinhas de leite em pó, que eram enterradas em um terreno baldio perto de casa. “Ali era o nosso banco secreto. Para localizar as latas, a gente contava as moitas de capim. Era como um mapa do tesouro”, recorda.

Ele, que até então não havia estudado, foi convencido a frequentar a escola. Certa manhã, ao retornar para casa, teve uma infeliz surpresa: o terreno havia sido vendido e uma obra estava sendo realizada no local. “Passaram a máquina, limparam tudo e adeus latinhas. Perdemos tudo”, conta.

Mas ainda havia uma luz no fim do túnel: o dinheiro que ganhou na semana e não teve tempo de enterrar. Com ele, Rufino partiu em busca de uma nova oportunidade. Comprou bolas, trave, chuteira, meias e camisetas e montou um time de futebol em um terreno licenciado ao seu pai pela prefeitura. Com isso, passou a ter duas novas fontes de renda além da venda de sucata e do aluguel dos carrinhos: a locação do campo de futebol e dos uniformes.

Tudo corria bem até que o pai, na época proprietário de um bar, recebeu a notícia de que o estabelecimento seria fechado pela Vigilância Sanitária. Aristides teria que desembolsar uma grande quantia para regularizar e manter o negócio. “Para salvar o sustento do papai, decidimos ceder todo o dinheiro que havíamos guardado durante dois anos. Ficamos quebrados de novo e sem verba para financiar o time”, diz. 

DE OFFICE BOY A DIRETOR

Como estava prestes a completar 13 anos, Rufino resolveu procurar emprego com carteira assinada. Foi trabalhar de office boy em uma empresa chamada Orixá. Recebia salário-mínimo, mas estava acostumado a trabalhar 12 horas por dia – e não 8 como os demais. Então, fazia o serviço da empresa e ainda pegava pedidos particulares dos funcionários, sendo bem recompensado com as “caixinhas”.

Cresceu junto com a empresa Orixá, que depois se associou a outra de nome Trevo. Ambas se fundiram com outras, até que nasceu o famoso parque de diversões Playcenter.

Por exigência dos donos, Rufino voltou a estudar. Aos 15 anos, já havia juntado dinheiro para comprar seu primeiro carro: um Fusca.

Em 16 anos de muito trabalho, passou da função de office boy a diretor de operações externas do grupo. Aos 21 anos ganhava o equivalente a 76 salários mínimos. “Cheguei a cursar até o segundo para o terceiro ano da faculdade de Computação, mas trabalhava de segunda a domingo e tive de optar.  Como era apaixonado por ganhar dinheiro, parei de estudar”, explica.

JR Diesel, um acidente que deu certo

Enquanto trabalhava no Playcenter, Geraldo Rufino pensava em criar um pequeno negócio para ter a sensação de segurança.  “Resolvi comprar uma Kombi e dar para meus irmãos fazerem carretos.  Com o tempo, dei um caminhão para cada um.  Por ironia do destino, eles se envolveram, simultaneamente, em acidentes e ficaram sem condições de uso”, diz.

O que poderia ser o fim do negócio virou uma nova oportunidade graças ao olhar positivista de Rufino. Como não tinha seguro, pareceu-lhe viável desmontar os dois veículos para recuperar parte do investimento. O resultado foi a recuperação integral do valor que parecia perdido.

Nascia em 1985, literalmente de um acidente, a JR Diesel, empresa pioneira no desmanche legal de caminhões. Os negócios iam de vento em popa quando Rufino cometeu o que considera um erro estratégico.

“Resolvi montar uma rede de concessionárias. O negócio ficou absurdamente grande, mas os parceiros se assustaram com a mudança política que estava acontecendo – era o começo da era PT – e foram embora do país. Quebrei pela quinta vez”, prossegue.

O rombo foi empurrado para as contas da JR Diesel, que entrou em concordata. “Fiquei devendo mais de R$ 20 milhões. Meus filhos (Arthur e Guilherme) tiveram que vir trabalhar comigo numa situação complicada, que é quando você está sem grana. Isso foi um presente, um privilégio, porque hoje eles se tornaram pessoas prontas. Os dois continuam comigo na linha de frente dos negócios, mas cada um já tem o seu próprio CNPJ”, diz, orgulhoso.

Anos mais tarde, um novo revés financeiro se abateu sobre a vida do empresário, porém em menor proporção. Superadas as adversidades, hoje a JR Diesel é a maior empresa de reciclagem de peças de caminhões da América Latina, emprega 180 pessoas e fatura mais de R$ 50 milhões/ano.

A história de Geraldo Rufino se transformou em livro (O Catador de Sonhos, Editora Gente) e hoje o seu exemplo de otimismo, determinação e superação inspira pessoas dentro e fora do Brasil.

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