As seis faces da solidão serena: [3] solidão dispensando atividades desnecessárias


6820702137_8826e695e6_zTalvez seja difícil eleger o mais desafiador dos seis aspectos da Solidão Serena, mas evitar ou dispensar as atividades desnecessárias pode ser o principal candidato. Nosso mundo atingiu um nível de fuga através de atividades desnecessárias que é enorme: distrações, prazeres e entretenimento de todo tipo criam um sem-número de atividades desnecessárias, mas apropriadíssimas para o objetivo de fugir da solidão (ou de qualquer sensação ruim, negativa, desconfortável). Nesta série onde falamos da solidão como abordada pela monja Pema Chödron, com os seis tipos de solidão serena, ela lista esta como a terceira maneira de definir esta experiência de solidão — que talvez possamos traduzir como uma experiência saudável da solidão. Particularmente prefiro o termo “dispensar” a “evitar“, pois este segundo tem uma série de conotações negativas, principalmente no campo psicológico, e também, sutilmente, denota um esforço para que algo não apareça, enquanto a atitude principal é de soltura e abertura, “dispensando” algo, mesmo que esse algo apareça.

Segue a breve citação de solidão serena como experiência de dispensar atitudes desnecessárias:

“O terceiro tipo de solidão é evitar atividades desnecessárias. Quando estamos sozinhos de um jeito “quente”, procuramos por algo que nos salve, uma forma de sair. Ficamos com a sensação enjoada que chamamos de solidão e nossas mentes ficam loucas tentando encontrar companhias para nos salvar do desespero. Isso é chamado atividade desnecessária. É uma maneira de nos manter ocupados para que não sintamos nenhuma dor. Pode tomar a forma de sonhar acordado obsessivamente com um romance verdadeiro, ou fazer fofoca sobre o noticiário, ou mesmo saindo por aí sozinhos. A questão é que em todas essas atividades procuramos companhia em nossa maneira habitual, usando o mesmo velho jeito repetitivo de nos distanciar de nós mesmos da demoníaca solidão. Será que poderíamos apenas sentar e sentir compaixão e respeito por nós mesmos? Será que poderíamos parar de tentar fugir de estarmos sozinhos com nós mesmos? E que tal praticar não saltar e não se apegar quando começamos a entrar em pânico? Relaxar na solidão é uma ocupação valiosa. Como o poeta japonês Ryokan diz, “se você quer encontrar o significado, pare de perseguir tantas coisas”.
— Pema Chödron

Caso não tenha lido o primeiro texto desta série sobre a solidão, que possui os links para a série completa das seis maneiras de experimentar a solidão serena, eis aqui: Virando a solidão de cabeça pra baixo: uma abordagem budista, por Pema Chödron.

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Foto de Susan (licença de uso BY-NC-SA Creative Commons; link)

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