Eloi D’Avila de Oliveira: “A chave para crescer é ser um empreendedor”


O empresário foi vítima de várias fatalidades que fazem muitos fracassar, mas criou a Flytour, líder em emissão de bilhetes aéreos na América Latina

Leonardo Rodrigues / Valor
Executivo, que foi menino de rua em Porto Alegre, conta como se tornou um dos maiores empresários do turismo brasileiroLeonardo Rodrigues / Valor

O empresário Eloi D’Avila de Oliveira foi vítima de todas as fatalidades e circunstâncias que fazem uma pessoa fracassar na vida ou ter a marginalidade como destino. Natural de Esteio, nascido em uma casa pobre, foi o 14º filho de um casal que teve 15. A mãe morreu no parto do caçula, quando Eloi tinha três anos. Desorientado, o pai começou a distribuir as crianças entre conhecidos e familiares. Eloi ficou com a irmã mais velha em um lar onde convivia com o alcoolismo e a violência do cunhado. Fugiu de casa e foi menino de rua em Porto Alegre.

Com oito anos, foi sozinho para São Paulo. Depois, aos 12, foi tentar a sorte no Rio, onde conheceu a dona da Stella Barros Turismo, local em que trabalhou. Dormia em um pequeno sofá de dois lugares. Persistiu, empreendeu e criou a Flytour, empresa líder em emissão de bilhetes aéreos na América Latina, com faturamento anual superior a R$ 4 bilhões e 260 agências espalhadas pelo Brasil.

Cada unidade da empresa tem de ter um sofazinho para lembrar o passado humilde do fundador. Nesta entrevista, o empresário de 65 anos fala sobre sua trajetória e a situação do Brasil e do Estado.

De onde uma criança de oito anos tira coragem para fugir sozinha para São Paulo?
Tudo depende da pressão que esta pessoa possa estar sofrendo. Eu já saía de casa todo dia para vender pastel na rua. Isso me dava mais uma facilidade para conhecer mais o mundo externo do que ter medo. Vendia perto da cabeceira da pista do aeroporto Salgado Filho, do lado da Vila São Pedro (em Porto Alegre). Via que o ambiente da rua era muito melhor para mim do que o de casa. Sou vendedor até hoje, e o vendedor tem mais atitude. Mais atitude de correr risco, de ter salário menor, de viver de comissão. O Estado brasileiro é extremamente ruim nesse sentido. Ele abraça, as pessoas querem ser abraçadas, e depois reclamam do Estado. Naquela época, eu queria buscar independência, sair daquela pressão.

Mas que tipo de pressão o senhor tinha em casa? E por que São Paulo?
No Juizado (de menores), conheci um rapaz que dizia que em São Paulo era melhor para trabalhar. Não fui para São Paulo na primeira vez que fugi. Foi na segunda. Na primeira, fui para o centro de Porto Alegre. E a pressão que eu tinha era que o meu cunhado infelizmente bebia e batia. Minha irmã foi muito generosa, e ele também, quando trouxeram parte dos meus irmãos para dento da casa deles. Minha mãe morreu, meu pai deu todos os filhos. Vivi atrás do meu pai até os três anos e meio, dormindo na tia, na avó, no parente. Até que meu pai me deixou lá em Esteio, na casa da minha irmã. E aí começou a complicar a vida dela porque o ambiente na casa com o marido bebendo diariamente criou um problema. Um dia, concluí que poderia acabar com aquilo e fui para o centro de Porto Alegre. Fiz de tudo um pouco. Engraxei, cuidei de carro, vendi jornal. Nessa época, tinha medo de ser preso pelo Juizado de menores. Acabei pego na frente do Mercado Público, à noite, dormindo. Me mandaram para o educandário, em frente ao campo do Internacional. Fiquei um tempo por lá. Certo dia, estava jogando bolinha de gude no pátio quando o meu pai chegou. Ele me chamou e eu me entreguei. Acabei sendo levado de novo para a casa da minha irmã. Mas lá, no educandário, limpava a enfermaria e conheci um cara um pouco maior que tinha passado por São Paulo. Ele disse que eu tinha que ir para lá se quisesse vencer na vida.

E como fugiu pela segunda vez?
Não queria ir para o centro de Porto Alegre porque seria apanhado de novo. Comecei a pegar carona de caminhão. Fui para Feliz, peguei outro caminhão para Caxias do Sul. Depois, para São Marcos, Vacaria e Lages até parar em Rio Negro e Mafra, na divisa entre Paraná e Santa Catarina. Peguei mais uma carona e fui para Curitiba. Engraxei, lavei carro, trabalhei na peixaria de um chinês, vendi jornal. Peguei carona para Registro (SP) e cheguei a São Paulo. Fiquei um tempo até ser recolhido de novo pelo Juizado. Fui mandado para Porto Alegre de ônibus. Fiquei uns dias e entrei em uma loja, acho que na Avenida Farrapos, e disse que era de São Paulo, tinha vindo procurar uma tia e encontrei. Fizeram uma vaquinha para me colocar em ônibus de volta a São Paulo. Na época, não precisava de documento. Fui para a Praça da Sé. Lavei carro, vendi jornal, porta-vaso, carnê…

O senhor dormia na rua?
Quando tinha dinheiro, em albergue. Fiquei um bom tempo na rua, até que um dia estava muito desesperado, sentei no ponto de ônibus, na calçada, e aí passou um senhor de uns 70 anos, seu Manuel. Era aposentado da Aeronáutica e tinha três filhas. Morava no bairro do Tucuruvi. Perguntou o que estava fazendo ali. Contei a minha história e ele me levou para a casa dele. Cuidava dos seus netos, lavava o chão, a louça. Uma das netas do seu Manuel trabalhou comigo até há pouco. Quando cheguei aos 11 anos, achava que precisava trabalhar. Fui trabalhar na rodoviária em uma loja, entregando malas.

E como foi parar no Rio de Janeiro?
Conheci duas pessoas, um gaúcho de 16 anos, que já vivia de mulheres, e outro catarinense, de 14 anos, que estava aprendendo a viver de mulheres – eles eram sustentados por mulheres, eu não, só tinha 12 anos. Falavam que se fôssemos para lá ganharíamos dinheiro. Fomos para o Flamengo, em uma pousadinha de portugueses. Nunca tinha visto a praia. O resultado foi que peguei uma insolação de não abrir os olhos. Fiquei 14 dias em um pronto-socorro, então nada disso (envolvimento com mulheres) chegou a acontecer.

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Como o senhor conheceu a dona Stella Barros?
Trabalhava lavando e guardando carros perto do Copacabana Palace. A Stella Barros já era a maior agência de turismo do Brasil na época. Eu ficava lá guardando as kombis que levavam e traziam os turistas. Conheci um guia da dona Stella, chamado Paulo Geraldo Silveira Tavares, que depois foi meu padrinho de casamento, que me disse: “Eloi, acho que consigo um emprego para você na vovó Stella. Toparia emprego fixo?”. Era meu sonho. Fiquei um mês e meio de office boy, mas eu dormia de favor aqui e ali e em albergues. Até que um dia ele conversou com a dona Stella e ela me deixou dormir na agência, no sofá onde atendia os clientes.


Lembrança – Sofá de dois lugares está presente em todas as agências da Flytour para lembrar onde o fundador dormia no seu primeiro emprego (Foto: Omar freitas)

E como o senhor foi crescendo na agência?
Passei para a parte administrativa, depois para auxiliar de atendimento, office boy de atendimento, emitia voucher, até que comecei a atender clientes. Mas nesse ínterim, comecei a pensar em voltar para o Rio Grande do Sul. Comecei a ir de ônibus, passava em São Paulo, ia na José Paulino (rua paulistana de comércio movimentado). Isso em datas como Natal, Semana Santa, Carnaval. Comprava malhas e as revendia em Esteio, Canoas e Porto Alegre.

A partir daí, se desligou da agência?
Não, só viajava nas datas-chave, feriadão, férias. Assim mantive o vínculo com a minha família. O meu cunhado continuava com o mesmo problema, um irmão meu também não trabalhava e minha irmã havia saído do emprego. Eles foram para São Paulo em uma situação desesperadora. Ela tinha cinco filhos e um irmão em casa que bebia como o meu cunhado. Disse a dona Stella que minha família precisava de mim e que eu iria para São Paulo. Tinha 17 anos. Comecei a procurar emprego e entrei na Bradesco Turismo. Comecei entender o que era o turismo como indústria. Até que conheci uma moça, minha mulher até hoje (Antoinette Khouri de Oliveira). Somos casados há 43 anos. Ela trabalhava comigo, mas ganhava mais porque falava seis idiomas. E eu, nenhum. Foram três meses de namoro, três de noivado e nos casamos. Eu trabalhava no Bradesco seis horas por dia, mais seis horas na Linhas Aéreas Paraguaias (LAP), como promotor de vendas, e mais seis horas na rodoviária como fiscal de plataforma. Mesmo assim, uma semana depois que casei, voltaram 14 cheques.

Mas o senhor chegou a voltar para o Rio Grande do Sul, não?
Como bom gaúcho, fui viver em Porto Alegre. Fomos transferidos, ela para a Bradesco Turismo e eu para o banco. Duraram três meses o emprego e a alegria. Tínhamos comprado um fusquinha 1964 e aluguei uma casa de um austríaco na Vila São Pedro. Tinha uma coleção de canários. Um mês depois, os vizinhos mataram os meus canários. Depois, roubaram o carro. E perdi o emprego na mesma semana. Falo muito nas minhas apresentações que, neste país, se você perde o emprego, perde a dignidade. Foi muito difícil. Meu sogro foi buscar a minha mulher e falou: “você não é um homem preparado para assumir a minha filha, é um irresponsável”. Aquilo me acordou. As pessoas precisam ser sacudidas. Parem de torcer para Grêmio e Inter primeiro. Torçam para si próprios. É o caso do avião. Primeiro ponha a máscara em você. Depois, na criança. Ela não quis voltar, mas, no dia seguinte, descobrimos que estava grávida e achei melhor levá-la para São Paulo. Voltamos para a casa do meu sogro.


Confraternização – Em festa da Bradesco Turismo, em 1973. Na época, Eloi e Antoinette, sua atual esposa, estavam noivos (Foto: arquivo pessoal)

Como foi depois do retorno para São Paulo?
Voltei para a LAP e aprendi mais a profissão. De promotor de vendas passei a chefe e gerente de vendas. Depois fui mandado embora três vezes da empresa. Tive que vender casa, carro, perdi tudo.

Que lições essas situações lhe deram?
Esse foi o meu grande aprendizado, e é importante mencionar. A LAP era uma companhia estatal sem dinheiro. Tinha dois voos por semana para São Paulo. Então, eu conseguia trabalhar em outros lugares ao mesmo tempo. Vendi tudo que você pode imaginar para me sustentar e sair da casa do meu sogro. Em 1974, dei um basta: não voltava mais para a LAP. Então, eles ofereceram uma representação de vendas da empresa. Cheguei a vender voo charter. Eles precisavam de dinheiro, eu vendia voo charter antecipado para as agências e as agências para os clientes. Às vezes, o avião não aparecia porque não tinham dinheiro para combustível. Eu endossava os bilhetes para a Varig. Cumpria a minha palavra. Cumprir a palavra é tudo na vida corporativa e profissional. Senão, acabou. Se não puder cumprir, dê um passo atrás e fale a verdade. Não fuja.

E então partiu para abrir o próprio negócio?
Abri a Edo Representações, hoje a Flytour, em uma sala emprestada. Foi engraçado porque saí para procurar emprego e encontrei um senhor chileno de origem alemã, Ernesto Farenkrog, que tinha uma companhia de hotéis que eu vendia através da LAP. Ele falou: “Eu te dou a representação, mas não pode trabalhar em casa. Tem que ter um escritório”. Então, fui trabalhar na sala dentro do Hotel São Rafael, no Largo do Arouche. Eles tinham uma agência de viagens. Depois, negociei com a Lloyd Aéreo Boliviano, a Aeroperu, a Ibéria, a Pan Am, a Varig, a Transbrasil. Construí uma empresa de representações de companhias aéreas vendendo para agentes de viagem. Chamamos isso de distribuição ou consolidação de bilhetes aéreos para as agências de viagem. Criei meus filhos fazendo isso até os anos 1990. Em 1979, já era o líder de mercado nessa área.

A rua é muito diferente da década de 1960. Apesar de sua obstinação para dar certo, acha que conseguiria repetir a sua história  de sucesso levando em conta o ambiente mais duro que existe atualmente?
Os valores que tenho hoje são diferentes dos que tinha naquele momento, assim como os valores que um menor abandonado tem hoje são bem diferentes dos que eu tinha quando era criança de rua. Hoje, as famílias são bem mais difíceis. Minha irmã fazia pastéis para vendermos na rua. Hoje, se você der uma caixinha de marmelada, como a minha irmã me dava, com uma fita, a pessoa que entregou e a criança serão presas. Se eu teria condições? Não. Em hipótese alguma. Nem um prato de comida os restaurantes podem mais dar. Naquela época, eu comia na feira, no restaurante, em qualquer lugar. Também não me levariam para casa como seu Manuel me levou. Hoje, a violência aumentou. O que faço é tentar ajudar as famílias a não chegarem no ponto a que a minha chegou.

O senhor criou um instituto. O que ele faz?
Tenho o Instituto Edo, onde ajudo famílias que têm como nível de renda receber até dois salários (mínimos). Eu trago os filhos para que, quando chegarem aos 16 anos, estejam preparados para trabalhar, aprendam a linguagem corporativa. Para que não falem só “mano” e “véio”. Foi o que o seu Manuel e a dona Stella fizeram comigo. Não acredito em governos, seja federal, estadual ou municipal, para resolver os problemas das crianças e dos adolescentes.

Hoje, qual é o tamanho da Flytour e quais são os planos para os próximos anos?
Profissionalizei a empresa. Tenho quatro filhos, de 42, 41, 38 e 36 anos. Todos são casados. Tenho seis netos. Toda a família foi para um curso no Instituo Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). Lá, aprendemos e criamos um conselho familiar e  a partir dele um conselho de administração com cinco membros: um da família, um dos empregados e três independentes. A ideia é que essa profissionalização dê perenidade à empresa. Eu tinha representação, depois em 1990 abri uma empresa de business travel, em 1992 uma empresa franqueadora – tenho 110 franquias de business travel no Brasil – depois uma operadora de turismo, uma empresa de tecnologia para o turismo, uma de eventos para o turismo. Agora, estou trabalhando em um projeto para abrir em cinco anos 400 unidades no varejo, em shoppings. São agências de viagem que vendem pacotes para o público. As unidades serão de franqueados.


Nos Estados Unidos – Em viagem a Orlando e Miami, nos Estados Unidos, em 1979, onde Eloi foi receber um prêmio de melhor vendedor. (Foto: arquivo pessoal)

O senhor costuma falar que não adianta ficar reclamando de governos. Por quê?
Somos muito paternalistas. O governo é paternalista e queremos esse pai. Acho que temos que nos separar deste pai e ter a atitude de pensar em nós primeiro para depois salvar os outros, no Grêmio e Inter. As pessoas têm de se educar, a educação traz preparação. Só acredito que as pessoas possam ficar comprometidas após um treinamento. É preciso se desligar do puxadinho do papai e da mamãe. Tem que buscar a sua própria casa, o seu próprio terreno, e quem sabe sua própria empresa. Temos que ser empreendedores. A chave para crescer é ser um empreendedor.

E qual deve ser a postura das pessoas e dos empresários em meio a esta crise?
É preciso ir atrás dos seus sonhos. Se você está no meio de uma crise e não faz o que gosta, não tem oportunidade, vá atrás do seu sonho. Insista nele. Este momento, de crise, é a oportunidade de nos educarmos em cima dos nosso sonhos. Ganhar dinheiro com aquilo que se gosta se faz com mais carinho e dedicação. Mas para isso é preciso se preparar, conhecer o que vai vender. Passei por todos os planos econômicos do país. Espero passar por este também. Recomendo a todos: use uma planilha de Excel. Não é possível ganhar 10 e gastar 11. Corte um pouco, viva dentro do padrão e vá atrás do seu sonho. Não tenha medo. As pessoas têm medo do novo, de se aventurar, de empreender.

Como essa crise econômica está afetando o setor de viagens?
Está batendo de forma muito forte. Mas os agentes de viagem têm de saber que o único setor que ficou com um legado pós-Copa foi a indústria do turismo, devido aos aeroportos melhorados para atender à competição. Na minha visão, o Brasil passa por quatro crises. A primeira é de credibilidade, de confiança nas pessoas que deveriam estar fazendo as coisas corretas, o governo e os partidos políticos. A segunda é a crise econômica. A terceira é uma crise política e quarta é a de infraestrutura. Você passa pela Avenida Farrapos, aí em Porto Alegre, e é a mesma de 50 anos atrás. O governo não criou a infraestrutura necessária para escoar a produção.

Quanto tempo dura esta crise?
Cinco anos. Fizemos um casamento com um partido e com uma pessoa. E não podemos mandá-la embora. A mudança viria se a mandássemos embora. Como não podemos, porque agora também não é o certo, o que estamos tentando é mudar a cabeça dos governantes. Se conseguirmos isso nos próximos 12 meses, a crise leva dois anos e meio. Se não, só após a eleição. E após a eleição quem chegar ainda leva um ano para acertar as coisas. Mas precisamos parar de reclamar também. Chegou a hora de o brasileiro fazer a lição de casa, já que o governo não faz a dele. Brasileiro, deixe de pensar que o governo vai lhe tirar do barro! Saia você mesmo!

Qual é o potencial do turismo no Brasil?
É o maior do mundo. Há pouco investimento na indústria do turismo. Não há uma rede de hotéis grande como existe em outro lugares no mundo. Não há investimento no litoral brasileiro suficiente para subir de 4 milhões para 10 milhões de visitantes anuais. Faltam governantes com planejamento estratégico para 10, 20 anos. Qualquer ilha do Caribe recebe mais turistas do que a gente. Somos 200 milhões de habitantes e não mais do que 25 milhões fizeram alguma viagem. Esse número divulgado de 100 milhões de brasileiros que viajaram não é real (dado da Agência Nacional de Aviação Civil referente a 2012). São 100 milhões de viagens. Eu mesmo conto como 20, 30 viagens. Algumas pessoas viajam muito e não 100 milhões pessoas já viajaram eventualmente. Temos que fazer com que o povo não venda mais as suas férias, e vá viajar. Cada visita a um museu eu considero equivalente a seis meses de universidade.

O senhor não estudou, mas reconhece a importância da educação. Como  se preparou para ser um grande empresário?
Primeiro, você tem de ter o tino. Depois, a atitude de ir atrás, de aprender. Fazer cursos é fundamental. Li livros sobre balanced scorecard (metodologia de gestão e medição de desempenho), planejamento estratégico.

Como o senhor se alfabetizou?
Não me alfabetizei na escola. Foi no dia a dia. Vovó Stella me chamava e dizia: ‘ô guri…não é carção! É calção!’ Foi na marra. Ainda confundo “s” com “ç”.

Ainda mantém com o Rio Grande do Sul?
Tenho uma unidade, desde 1978, em Porto Alegre, e outra de business travel. Tenho franqueadas em Caxias do Sul, Novo Hamburgo, Passo Fundo, São Leopoldo, Santa Maria, Rio Grande, Erechim, Santa Cruz do Sul. Atendo várias empresas. Nas palestras, a primeira coisa que falo é que sou gaúcho. Tenho um irmão que mora em Esteio. Às vezes, vou aí fazer um churrasquinho com ele. Um congresso anual que não perco é o Festival do Turismo de Gramado.

O senhor chega a acompanhar a crise financeira do Estado?
Sou obrigado a acompanhar. Tenho muitos clientes no Rio Grande do Sul. Não é a primeira vez que um governo não cumpre com os seus compromissos. Aliás, não conheço um governo que cumpriu os seus compromissos. Nunca tivemos um governo que divulgasse e cumprisse uma plataforma, seja de qualquer partido. Há governos que tomam medidas impopulares que podem ajudar a resolver. E governos que tomam medidas populares que não ajudam a resolver. Como vou votar em alguém que não tem planejamento a longo prazo? O gaúcho é considerado o maior empreendedor do Brasil. Mas falhamos em algum momento e agora estamos pagando por isso. Devemos ter um pouco de consciência, e nos perguntarmos, se a cobrança que fazemos para o governo fazemos também para nós mesmos. Ou é  por que a gente não quer mudar e ele (o governo) está mudando?

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