Após ‘guerra,’ Bitcoin Cash é dividido em duas moedas e Bitcoin acumula queda de 30%


Por Altieres Rohr, G1

 


A competição travada para decidir o futuro do Bitcoin Cash acabou gerando uma nova criptomoeda, porque os serviços de compra e venda de criptomoeda passaram a negociar o candidato ‘derrotado” da disputa – Bitcoin SV – como uma moeda diferente do Bitcoin Cash. A instabilidade, porém, afetou o mercado negativamente, com o Bitcoin perdendo quase um terço do seu valor.

Gráfico mostra preço do Bitcoin em dólares ao longo de outubro e novembro. Preço tinha estabilidade até o início da disputa pelo Bitcoin Cash no dia 15 de fevereiro — Foto: Reprodução/CoinMarketCapGráfico mostra preço do Bitcoin em dólares ao longo de outubro e novembro. Preço tinha estabilidade até o início da disputa pelo Bitcoin Cash no dia 15 de fevereiro — Foto: Reprodução/CoinMarketCap

Gráfico mostra preço do Bitcoin em dólares ao longo de outubro e novembro. Preço tinha estabilidade até o início da disputa pelo Bitcoin Cash no dia 15 de fevereiro — Foto: Reprodução/CoinMarketCap

O Bitcoin Cash (BCH) é uma derivação do Bitcoin (BTC) criada com o intuito de tornar o Bitcoin mais flexível e capaz de realizar mais transferências por segundo que o original.

Além da base técnica do Bitcoin, ele compartilha o histórico de transferências e carteiras: quando o Bitcoin Cash foi criado em 2017, todos os donos de Bitcoin tinham automaticamente a mesma quantia de Bitcoin Cash em mãos. Com isso, o BCH tinha vários possíveis utilizadores desde o seu nascimento, o que ajudou a sustentá-lo entre as milhares de criptomoedas em circulação.

O futuro do Bitcoin Cash entrou em disputa após algumas mudanças propostas serem rejeitadas por parte dos mineradores de Bitcoin Cash. Essas mudanças ficaram conhecidas como “Bitcoin ABC”. Os opositores defendiam as regras do “Bitcoin SV” (BSV).

Quando a disputa começou, no dia 15 de novembro, a tensão no mercado das criptomoedas causou uma queda geral. O Bitcoin caiu de US$ 6,3 mil para US$ 5,8 mil e logo para US$ 5,5 mil. O Bitcoin Cash caiu de US$ 520 para US$ 400 em poucos dias.

As quedas aparentemente assustaram o mercado e o preço seguiu caindo: o Bitcoin, após uma recuperação e alta diária de 4%, está em US$ 4,2 mil, acumulando queda de 30% desde o dia 15, enquanto um Bitcoin Cash (agora nas regras do ABC) vale US$ 170, uma queda de mais de 60%.

Desde que passou a ser negociado como uma nova moeda, o Bitcoin SV mantém sua cotação em aproximadamente US$ 100. Embora donos do antigo Bitcoin Cash possam também negociar SV, já que as carteiras e o histórico das moedas são os mesmos, as moedas somadas valem aproximadamente US$ 270, metade do valor de um único Bitcoin Cash antes da “separação”.

O BSV ainda está com uma cotação maior que o Bitcoin Gold. Outra derivação completa do Bitcoin, o Gold também foi criado para disputar com o BCH e hoje vale menos de US$ 20 após alcançar o preço de US$ 470.

O Gold tem um mecanismo de mineração incompatível com o Bitcoin original e é rejeitado pelos maiores mineradores do mercado, que investiram na compra de chips dedicados ao mecanismo do Bitcoin.

Como os mineradores são necessários para garantir a segurança da rede, o Bitcoin Gold sofreu um ataque que permitiu a um hacker gastar duas vezes as mesmas moedas. O BSV não mudou o mecanismo de mineração.

Custo de energia elétrica pressiona moeda

Quedas repentinas nos preços colocam ainda mais pressão sobre o Bitcoin. A “mineração” do Bitcoin é um processo computacionalmente agressivo – embora sem nenhuma relação com as transferências feitas pela rede. Esse processo é hoje realizado por hardware dedicado e que gasta bastante energia. Com isso, os mineradores – que montam esses sistemas e recebem as moedas dos “blocos” que compõem a rede do Bitcoin – precisam vender tudo o que obtêm para pagar os custos de energia e equipamento.

Quanto menos o Bitcoin vale, mais moedas precisam ser vendidas de imediato para cobrir os custos da operação – a maior parte em energia elétrica. Quando a venda não é suficiente, uma saída é desligar as máquinas: de acordo com o site BTC.com, a rede de Bitcoin está operando com 39 Exa Hashes por segundo (EH/s), contra 47 EH/s do período anterior fechado em 16 de novembro. Esse número é uma medida do poder computacional dedicado à rede e indica que o Bitcoin perdeu 17% dos mineradores.

O Bitcoin tem um “ajuste de dificuldade” programado a cada duas semanas que pode facilitar o trabalho de mineração quando menos mineradores demonstram interesse na atividade ou dificultá-lo quando há mais mineradores, pois o objetivo do Bitcoin é que um bloco seja gerado a cada 10 minutos, independentemente de quantos mineradores a rede tenha.

Em caso de quedas, diminuir a dificuldade ajuda a equilibrar o preço da moeda: com custo operacional menor, não há tanta necessidade de vender para custear a operação. Com menos moedas à venda, elas tendem a aumentar de preço se o volume de compra não sofrer alteração.

O próximo ajuste de dificuldade deve ocorrer na segunda-feira (3). Segundo o “BTC.com”, o ajuste de dificuldade estimado é de -14%. Se essa estimativa for confirmada, será o segundo maior ajuste proporcional negativo da história e o maior desde 2011. Na ocasião, o Bitcoin havia caído de US$ 33 para US$ 2.

Dúvidas sobre segurança, hackers e vírus? Envie para g1seguranca@globomail.com

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