O pensamento Zen para fazer o que desejamos


·  novembro 22, 2018

No Ocidente, impera a ideia de que fazer o que desejamos pode nos levar à degeneração ou à ruína. Não é à toa que vivemos cercados por ordens e julgamentos que nos induzem a acreditar que reprimir nossos pensamentos, sentimentos e desejos é uma prova de superioridade moral. No entanto, a verdade é que existem outras formas de pensar, e uma delas é o pensamento Zen.

Nossa cultura é fundamentalmente proibitiva. Partimos da ideia de que a educação consiste em aprender a evitar pensamentos, comportamentos e sentimentos indesejados. Mesmo sem compreender por quê, desde cedo somos ensinados que fazer o que desejamos é sinal de insensatez ou imaturidade.

O pensamento Zen aponta para uma direção muito diferente. Há milênios, compreendeu-se que as proibições, por si só, podem gerar um efeito contrário. Em outras palavras, essa repressão acaba incentivando o desejo de fazer o que é proibido, ou aquilo que é considerado negativo em nome de um “bem agir” baseado no autoritarismo.

“A repressão do exterior tem sido sustentada pela repressão interior. O indivíduo sem liberdade internaliza seus dominadores e seus mandamentos em seu próprio aparato mental. A luta contra a liberdade se reproduz na psique do homem”.
-Herbert Marcuse-

O proibicionismo e o pensamento Zen

Os estudos antropológicos de Margaret Mead nos mostram diferentes tipos de sociedades, com valores e normas muito distintas. A famosa pesquisadora chama nossa atenção sobre diferentes fatos. Entre eles, o de que nas sociedades mais machistas ou mais matriarcais existe uma maior porcentagem de homossexualidade. Do ponto de vista ocidental, isso seria uma contradição. Do ponto de vista Zen, é uma consequência lógica do proibicionismo.

Falando de proibicionismo, outro exemplo é o consumo de bebida alcoólica nos Estados Unidos. Durante muito tempo, ele foi considerado ilegal. Assim, gerou não só um consumo constante de álcool, mas também a existência de máfias. Diferentemente do que pensavam, quando a bebida alcoólica foi legalizada, o número de consumidores não aumentou. De fato, com o tempo, o número de consumidores de “drogas proibidas” se tornou maior do que de álcool.

Todos esses dados indicam que a repressão não é um caminho para lidar com esses desejos que poderíamos chamar de “inconvenientes”.O pensamento Zen, pelo contrário, nos encoraja a assumir esses pensamentos, sentimentos e desejos proibidos para compreendê-los. Essa tradição acredita que esta é a melhor maneira de eliminá-los. E alguns experimentos sustentam essa ideia.

Equilíbrio mental

Um experimento com o desejo

O professor Carey Morewedge, da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, realizou um estudo muito ilustrativo sobre esse assunto. Ele reuniu 200 pessoas que se declaravam amantes de chocolate. Esses voluntários foram divididos em dois grupos. As pessoas do primeiro grupo deveriam imaginar a si mesmas comendo 30 chocolates, um por um. As do segundo também deveriam se imaginar comendo chocolate, mas em vez de 30, seriam apenas 3.

Os cientistas colocaram diante de ambos os grupos uma tigela cheia de deliciosos chocolates. Supunha-se que o primeiro grupo sentiria um desejo maior de comê-los, pois o pensamento tinha sido mais reiterado. Afinal, as pessoas desse grupo pensaram nisso 30 vezes. Em contrapartida, o outro grupo se imaginou comendo chocolate apenas 3 vezes.

O Ocidente nos diz que ao alimentar o pensamento em relação a alguma coisa, alimentamos o desejo dessa coisa. Pois bem, o experimento constatou o contrário. Aqueles que se imaginaram comendo 30 chocolates não pegaram nenhum da tigela. Ao passo que aqueles que pensaram em apenas 3 chocolates sentiram a necessidade de experimentar alguns da tigela.

A repressão do pensamento

O diretor do experimento indicou que a principal conclusão era de que quando nos propomos a parar de pensar em algo, acontece o contrário: pensamos mais ainda no assunto. Se não queremos pensar em fantasmas, começamos a ver fantasmas por todos os lados. Assim, a repressão do pensamento foca nossa atenção nisso.

Dessa forma, isso significa que se pensarmos exaustivamente em fazer o que desejamos, provavelmente esse desejo vai perder sua força. Desenvolvida a ideia, a verdade é que podemos trabalhá-la a nosso favor em momentos específicos. Querer agredir alguém e fazer isso são coisas muito distintas. Assim, segundo a lógica que desenvolvemos, pensar em como agrediríamos essa pessoa diminuiria o desejo de agredi-la.

O funcionamento do cérebro

cérebro erra – ou acerta – quando pensamos. Ele não distingue o real do imaginário. É um “erro” que pode nos ajudar em várias circunstâncias. Quando o que desejamos fazer é prejudicial a nós mesmos ou aos outros, nada melhor do que desejar com o pensamento. Provavelmente, apenas com essa simples ação mental o desejo vai perder sua força.

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