Homens e mulheres machistas: um problema que deve ser solucionado entre todos


·  junho 17, 2018

Os homens e as mulheres machistas dão forma e perpetuam uma sociedade retrógrada e injusta. Essas atitudes, muitas vezes flagrantes ou camufladas nos micromachismos clássicos, são baseadas em um autoritarismo tão enferrujado quanto prejudicial. Resolver esse esquema e afastá-lo das instituições e da mentalidade das pessoas é, sem dúvida, responsabilidade de todos.

Victor Hugo dizia que a primeira igualdade é a equidade. Quase dois séculos se passaram desde este pensamento e outros tantos desde que Mary Wollstonecraft, Virginia Woolf, Simone de Beauvoir ou Emilia Pardo Bazán deram seus testemunhos para “nos despertar” e nos permitir avançar neste mesmo tema. Em igualdade e liberdade. No entanto, muitas vezes parece que cruzamos apenas a linha de partida ao analisar as conquistas que alcançamos.

Os Estados Unidos, por exemplo, está liderado por um homem (eleito por voto popular) com opinião muito clara e enfática sobre o sexo feminino: “As mulheres são, em essência, objetos esteticamente agradáveis”. Vivemos em uma sociedade em que qualquer cenário é ideal para sexualizar a mulher e colocá-la numa situação de inferioridade. Além disso, estamos num mundo onde as leis continuam exalando com muita frequência a mesma essência machista, autoritária e patriarcal que persiste geração após geração. Legislatura após legislatura.

O nosso sistema tem grandes deficiências e preconceitos óbvios, nós sabemos disso. Renovar esse substrato psicológico, social e político não é algo que pode ser feito de um dia para o outro. Para conseguir isso, é preciso mudar mentalidades, e algo assim só pode ser alcançado de uma forma: com a determinação e colaboração de todos, ou pelo menos de uma boa maioria.

“O primeiro que comparou a mulher a uma flor foi um poeta; o segundo, um imbecil”.
-Voltaire-
Machismo

Homens e mulheres machistas, um problema de todos

Podemos encontrar homens e mulheres machistas todos os dias em nosso dia a dia. Eles estão em nossas famílias, em nossos empregos e entre os nossos amigos. Além disso, pode até ser que sejamos um deles. Uma daquelas pessoas que praticam e perpetuam o machismo sem perceber.

As nossas ações, comentários ou formas de responder podem conter em seu “DNA” manifestações claramente micromachistas. São sequelas da nossa educação. Elas também refletem a influência de uma cultura que nos molda de forma silenciosa, persistente e estudada. Além disso, pode ser que denunciemos de forma aberta a desigualdade e a violência contra a mulher; no entanto, a maioria das pessoas pode cair nas armadilhas do machismo no momento em que menos espera.

Portanto, devemos ter um aspecto muito claro. Os homens e as mulheres machistas não vêm ao mundo com essas atitudes. Não é algo inato nem o resultado de uma conexão cerebral que em um dado momento nos leva a ser e a agir dessa maneira. Assim, da mesma forma como aprendemos a ler, a andar de bicicleta ou a memorizar os verbos irregulares do inglês, as pessoas também “aprendem” a ser machistas. Nós apenas seguimos um modelo e o interiorizamos.

Casal brigando na frente da filha

O machismo que não se vê, mas que se absorve

Os homens e as mulheres machistas são o resultado desse esquema de supremacia masculina que foram inalando, absorvendo e integrando em seu interior ao longo da infância e adolescência. Sabe-se, por exemplo, que os estereótipos ligados ao gênero são assumidos muito cedo. A revista Science demonstrou há pouco tempo que as meninas começam a se sentir “menos brilhantes” do que os meninos ao seis anos de idade.

O fato de pensarem que são menos inteligentes se deve ao contexto em que criamos as nossas crianças. É o resultado do que elas veem em seu dia a dia e daquilo que lhes transmitimos. Os meninos, por outro lado, são educados (muitas vezes) com base na afirmação da individualidade. Somos confrontados com esse traço abrangente de machismo onde prevalece o senso de força e superioridade. É uma casca que deve ser mantida a todo custo, onde as únicas emoções legítimas e permissíveis no clube da masculinidade são a autoridade e a libido sexual.

Livrar-se do corpete do machismo

Não é fácil se livrar do corpete da masculinidade imperante e dominante. No entanto, movimentos como o #MeToo têm dado visibilidade ao que vem acontecendo nas sombras há muitos anos. Por um lado, esses fenômenos virais atendem a uma necessidade. Eles dão apoio social às mulheres, encorajam-nas a denunciar, a ter coragem de falar, a se empoderar, a saber que não estão sozinhas.

O segundo aspecto que está sendo alcançado é igualmente interessante. Estão se despertando consciências, denunciando injustiças para dar presença a uma realidade que sempre existiu. A discriminação, violência contra as mulheres, sexualização ou falta de sensibilidade dos nossos códigos legais são fatos que estão se tornando evidentes. Os homens e as mulheres machistas estão aí, não há dúvidas, mas as vozes que colocam suas atitudes e comportamentos em evidência estão crescendo.

Todos iremos ganhar se nos livrarmos do corpete do machismo, iremos respirar melhor e teremos uma maior liberdade. Assim, e mesmo que haja quem pense que há bastante igualdade no nosso dia a dia, basta olhar à nossa volta com um pouco mais de empatia para perceber que não é bem assim. As atitudes machistas estão em todos os lados. Nas palavras que um homem diz à sua parceira. Está na forma como uma mãe educa seu filho. Na publicidade. Naquela música que dançamos, mas em cuja letra nunca prestamos atenção…

As consequências do machismo

Para concluir, vamos lembrar que a mudança só será possível se todos tomarmos consciência desse péssimo substrato patriarcal. Além disso, não basta apenas ser capaz de sentir, ver ou cheirar. A consciência não serve de nada se não for acompanhada da ação, se não formos capazes de criar uma sociedade baseada na equidade, respeito, liberdade e em uma justiça real.

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