LEI 7 FAÇA COM QUE OS OUTROS TRABALHAREM POR VOCÊ MAS SEMPRE FIQUE COM O CRÉDITO


Use a sabedoria, o conhecimento e o esforço físico dos outros em causa própria. Não só
essa ajuda lhe economizará um tempo e uma energia valiosos, como lhe dará uma aura divina de
eficiência e rapidez. No final, seus ajudantes serão esquecidos e você lembrado. Não faça você
mesmo o que os outros podem fazer por você.
Muitos alimentam a ilusão de que a ciência, por lidar com fatos, está acima de rivalidades
mesquinhas que atrapalham o resto do mundo. Nikola Tesla era um desses. Ele acreditava que a
ciência nada tinha a ver com a política, e dizia não se preocupar com a fama ou a riqueza. Mais
velho, entretanto, isto arruinou o seu trabalho científico. Sem estar associado a nenhuma
descoberta em particular, ele não poderia atrair investidores para suas muitas idéias. Enquanto
ele ficava imaginando grandes invenções para o futuro, outros roubavam as patentes que ele já
havia desenvolvido e ficavam com a glória.
Temos duas lições: primeiro, o crédito por uma invenção ou criação é tão importante, se
não mais importante, do que a própria invenção. Você deve garantir para si próprio o crédito e
impedir que outros o roubem, ou fiquem pendurados nas suas costas. Para isso você deve se
manter vigilante e implacável, guardar silêncio sobre a sua invenção até ter certeza de não haver
nenhum abutre voando por perto. Segundo, aprenda a tirar vantagem do trabalho dos outros em
causa própria. O tempo é precioso e a vida é curta. Se tentar fazer tudo sozinho, você vai se
desgastar, desperdiçar energias e se queimar. É muito melhor conservar as suas forças, deitar as
garras no trabalho que os outros já fizeram e descobrir um jeito de se apoderar dele.
A dinâmica do mundo do poder é a da selva: há os que vivem caçando e matando, e há
também um vasto número de criaturas (hienas, abutres) que vivem do que os outros caçam.
Estes últimos, tipos menos imaginativos, com freqüência são incapazes de fazer o trabalho
essencial para a criação de poder. Eles compreendem desde cedo, entretanto, que, se esperarem
bastante, sempre encontrarão outro animal para trabalhar por eles.
Não seja ingênuo: agora mesmo, enquanto você se esforça em algum projeto, existem
abutres ao redor tentando imaginar um jeito de sobreviver e até prosperar com a sua
criatividade. É inútil ficar se queixando, ou sofrer amargurado, como fez Tesla. Melhor se
proteger e aprender a jogar. Uma vez tendo estabelecido uma base de poder, torne-se você
mesmo um abutre, e poupe um bocado do seu tempo e energia.
A essência da Lei: aprenda a fazer com que os outros trabalhem por você enquanto você
fica com o crédito, e parecerá que você tem energia e poder divinos. Se você acha importante
fazer o trabalho todo sozinho, não irá muito longe, e vai sofrer muito. Encontre gente com as
habilidades e a criatividade que você não tem. Contrate-os, e coloque o seu nome em primeiro
lugar na frente dos nomes deles, ou descubra um jeito de roubar o trabalho deles e dizer que foi
você quem fez. A criatividade deles, portanto, se torna sua, e o mundo o verá como um gênio.

Existe uma outra aplicação desta lei que não exige que você explore o trabalho dos seus
contemporâneos: use o passado, um vasto arsenal de conhecimento e sabedoria. Isaac Newton
chamou isso de “subir nos ombros de gigantes”. Ele queria dizer que, ao fazer suas descobertas,
ele tinha se baseado em conquistas alheias. A grande parte da sua aura de gênio, ele sabia, podia
ser atribuída à sua sagaz habilidade para aproveitar ao máximo as visões dos cientistas da
antigüidade, medievais ou renascentistas. Shakespeare pediu emprestado enredos,
caracterizações e até diálogos de Plutarco, entre outros autores, pois sabia que ninguém
suplantava Plutarco na sutil psicologia e nas citações espirituosas. Quantos outros autores
depois, por sua vez, tomaram emprestado — plagiaram — de Shakespeare?
Nós sabemos como é raro os políticos atualmente escreverem os seus próprios discursos.
Suas próprias palavras não lhes conquistaria um só voto; sua eloqüência e sagacidade, se ela
existe, se deve a um redator de discursos. Outras pessoas fazem o trabalho, eles ficam com o
crédito. O avesso é que esse tipo de poder está disponível para todos. Aprenda a usar o
conhecimento do passado e você parecerá um gênio, mesmo que na realidade não passe de um
esperto plagiador.
Escritores que se aprofundaram na natureza humana, antigos mestres da estratégia,
historiadores da estupidez e loucura humana, reis e rainhas que aprenderam da maneira mais
difícil a lidar com o peso do poder — o conhecimento deles está acumulando poeira, esperando
que você suba nos seus ombros. A sagacidade deles pode ser a sua sagacidade, a capacidade
deles pode ser a sua capacidade, e eles não virão dizer que você não tem nada de original. Você
pode batalhar, cometer erros sem fim, gastar tempo e energia tentando fazer coisas a partir da
sua própria experiência. Ou pode usar os exércitos do passado. Como disse Bismarck certa vez,
“Os tolos dizem que aprendem pela experiência. Eu prefiro aproveitar a experiência dos outros”.
O INVERSO
Há momentos em que ficar com o crédito pelo trabalho dos outros não é o mais sensato:
se o seu poder não está solidamente estabelecido, vai parecer que você está empurrando os
outros para longe dos refletores. Para ser um brilhante explorador de talentos, a sua posição tem
de ser inabalável, ou você será acusado de fraude.
Tenha certeza de saber quando é interessante para você dividir o crédito com os outros. É
muito importante não ser ganancioso quando se tem um mestre em posição superior. A histórica
visita do presidente Richard Nixon à República Popular da China foi originalmente idéia dele,
mas jamais teria se realizado não fosse a hábil diplomacia de Henry Kissinger. Nem teria tido
tanto sucesso sem a habilidade de Kissinger. Não obstante, na hora de ficar com o crédito,
Kissinger sabiamente deixou que Nixon ficasse com a parte do leão. Sabendo que a verdade
acabaria se revelando, ele teve o cuidado de não colocar em risco a sua posição no curto prazo
apropriando-se das luzes. Kissinger jogou com esperteza: ficou com o crédito pelo trabalho dos
que estavam abaixo dele, enquanto graciosamente deu o crédito do seu próprio esforço aos que
estavam acima. É assim que se joga.
Há muito o que saber, a vida é curta, e a vida não é vida sem conhecimento. É, por
conseguinte, um excelente truque adquirir o conhecimento de todo mundo. Assim, enquanto os
outros suam, você ganha a reputação de um oráculo. Baltasar Gracián, 1601-1658
Todos roubam no comércio e na indústria. Eu mesmo roubei muito. Mas eu sei como roubar.
Thomas Edison, 1847-1931

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