LEI 15 ANIQUILE TOTALMENTE O INIMIGO


Todos os grandes líderes sabem que o inimigo perigoso deve ser esmagado totalmente.
Se restar uma só brasa, por menor que seja, acabará se transformando em fogueira. Perde-se
mais fazendo concessões do que pela total aniquilação: o inimigo se recuperará, e se vingará.
Esmague-o, física e espiritualmente.
A idéia é simples: Seus inimigos não gostam de você. O que eles mais querem é acabar
com você. Se ao combatê-los você parar no meio do caminho, ou mesmo depois de percorrer
três quartos do caminho, por misericórdia ou esperança de reconciliação, você só os tornará

mais determinados, mais amargurados, e um dia eles se vingarão. Eles podem agir cordialmente
por uns tempos, mas isso só porque você os derrotou. Eles não têm outra escolha a não ser
aguardar.
A solução: Não ter misericórdia. Esmagá-los totalmente, como eles o esmagariam. A
única paz e segurança que você pode esperar dos seus inimigos é quando eles desaparecem.
O princípio por trás de “esmagar o inimigo” é tão antigo quanto a Bíblia: o primeiro a
colocá-lo em prática foi Moisés, que a aprendeu com o próprio Deus, que abriu o mar Vermelho
para os judeus e depois deixou que as águas fluíssem novamente afogando os egípcios que
vinham logo atrás, de forma a “não sobrar nem um só deles”. Moisés, quando desceu do Monte
Sinai com os Dez Mandamentos e viu seu povo adorando o Bezerro de Ouro, mandou matar
todos os pecadores. E pouco antes de morrer, ele contou ao seu povo, finalmente prestes a entrar
na Terra Prometida, que ao derrotarem as tribos de Canaã deveriam tê-las “destruído
totalmente… sem aliança e nem misericórdia”.
A vitória total como meta é um dos axiomas da guerra moderna, e foi codificada como tal
por Carl von Clausewitz, o ministro filósofo da guerra. Analisando as campanhas de Napoleão,
von Clausewitz escreveu, “Nós sustentamos que a aniquilação total das forças inimigas deva
sempre ser a idéia predominante (…) Uma vez obtida uma grande vitória não se pode falar em
descansar, em respirar (…) mas apenas de perseguir, de ir atrás do inimigo novamente,
conquistar a sua capital, atacar suas reservas e tudo mais que possa dar ao seu país ajuda e
conforto”. Isso porque depois da guerra vêm as negociações e a divisão de território. Se você
teve apenas uma vitória parcial, vai inevitavelmente perder nas negociações o que lucrou com a
guerra.
A solução é simples: não dê opção aos seus inimigos. Aniquile-os e você é quem vai
trinchar o território deles. O objetivo do poder é controlar seus inimigos totalmente, fazê-los
sujeitar-se ao que você deseja. Você não pode se dar ao luxo de fazer concessões. Sem outra
opção, eles serão forçados a fazer o que você manda. Esta lei não se aplica apenas ao campo de
batalha. Negociações são como uma víbora insidiosa que corrói a sua vitória, portanto não
negocie nada com o inimigo, não lhe dê nenhuma esperança, nenhum espaço de manobra.
Eles estão esmagados e ponto final.
Entenda isto: na sua luta pelo poder você vai despertar rivalidades e criar inimigos.
Haverá pessoas que você não conseguirá convencer, que permanecerão suas inimigas não
importa o que aconteça. Mas seja qual a dor que você lhes causar, deliberadamente ou não, não
leve o ódio delas para o lado pessoal. Reconheça apenas que não há possibilidade de paz entre
vocês dois, principalmente se você continuar no poder. Se você deixar que elas fiquem por
perto, elas vão procurar se vingar, com tanta certeza quanto depois do dia vem a noite. Esperar
que elas mostrem suas cartas é tolice.
Seja realista: com um inimigo assim por perto, você jamais terá segurança. Aprenda com
os exemplos da história, e com a sabedoria de Moisés: não faça concessões.
Não é uma questão de morte, é claro, mas de exílio. Suficientemente enfraquecidos e
depois banidos para sempre da sua corte, seus inimigos se tornam inofensivos. Não têm mais
esperanças de se recuperar, de vir se insinuando e ferir Você. E se for impossível bani-los, pelo
menos saiba que eles estão tramando contra você, e não dê atenção aos seus gestos fingidos de
amizade. A sua única arma numa situação dessa é a sua própria cautela. Se não puder bani-los
imediatamente, então planeje o melhor momento para agir.
O INVERSO
Raramente se deve ignorar esta lei, mas acontece que às vezes é melhor deixar que os
seus inimigos se destruam, se isso for possível, do que fazê-los sofrer nas suas mãos. Na guerra,
por exemplo, um bom general sabe que atacando um exército encurralado seus soldados lutarão
com muito mais entusiasmo. Por isso, às vezes é melhor lhes deixar uma saída de emergência,
uma escapatória. Recuando eles se desgastam, e a retirada os deixa mais desmoralizados do que
qualquer derrota nas mãos desse general no campo de batalha. Se você tem alguém com a corda
no pescoço, então — mas só se você tiver certeza de não haver chances de recuperação — é

melhor deixar que ele se enforque. Que ele mesmo seja o agente da sua própria destruição. O
resultado será o mesmo, e você não se sentirá tão mal.
Finalmente, ao esmagar um inimigo às vezes você o irrita tanto que ele passa anos a fio
tramando uma vingança. O Tratado de Versalhes teve esse efeito sobre os alemães. Há quem
diga que a longo prazo é melhor mostrar uma certa demência. O problema é que a sua demência
implica um outro risco — ela pode encorajar o inimigo, que ainda guarda rancor, mas agora tem
mais espaço para agir. Quase sempre é mais sensato esmagar o inimigo. Se anos depois ele
quiser se vingar, não baixe a guarda, simplesmente esmague-o de novo.
Pois é preciso notar que os homens devem ser afagados ou então aniquilados; eles se vingarão
de pequenas ofensas, mas não poderão fazer o mesmo nas grandes ofensas; quando ofendemos
um homem, portanto, devemos fazê-lo de modo a não ter de temer a sua vingança.
Nicolau Maquiavel, 1469-1527

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s