“PARADOXO DA ESCOLHA” OU “POR QUE SOU INSATISFEITO COM TUDO QUE FAÇO?


O “Paradoxo da Escolha” é uma teoria de Barry Shwartz onde ele tenta explicar que um dos fatores que gera a insatisfação no mundo contemporâneo é o excesso de escolhas. Baseado no dogma de “quanto mais escolhas mais liberdade”, somos condenados o tempo todo a abrir mão algo em função das escolhas. O artigo arrisca fazer relação entre este paradoxo e a “Privação Relativa” e a sociedade informacional. Opte dar uma olhada nestas palavras mal escolhidas!

Mais opções resultam em melhor qualidade de vida? Poder optar, escolher ou selecionar algo não é melhor do que não ter opção alguma? Para determinadas esferas da vida os limites da ação podem prejudicar nossas capacidades de atingir determinado potencial. Já em outras, o excesso de opções pode nos levar à “não-ação” (estagnação absoluta). Esse processo Barry Schwartz chama de “Paradoxo da Escolha”.

choices.jpg

O “Paradoxo da Escolha” considera que a atual insatisfação, até certo ponto, generalizada da sociedade contemporânea se deve ao excesso de possibilidades de escolha: por termos várias possibilidades, na vida cotidiana (seja do ponto de vista social ou comercial) levam as pessoas gerarem uma insatisfação crônica, porque optar por uma possibilidade, significa descartar outras as quais temos acesso. O amontoado de variedades e possibilidades é sustentado por um dogma da civilização moderna: possibilidade de escolha é interpretada como liberdade.

E o dogma oficial diz o seguinte: se quisermos maximizar o bem-estar dos nossos cidadãos, o caminho é maximizar as liberdades individuais. A razão para isso é que a liberdade é inerentemente boa, valiosa, compensadora, essencial para sermos humanos. E porque se as pessoas tiverem liberdade, então cada um de nós pode agir por conta própria e fazer aquilo que maximiza nosso bem-estar, e ninguém tem que decidir por nós. O jeito de maximizar a liberdade é maximizar as opções de escolha.

“A vida é uma questão de escolha”

Assim fala Schwartz. Porém gostaria de estender um pouco a concepção deste Paradoxo. Gostaria de arriscar dizer que a ideia tem relação com dois outros conceitos: a privação relativa e a benção da ignorância. Durante o processo histórico de formação da civilização não houve situação comprável em termos de acesso à informação. Como já explorado por Manuel Castells, vivemos em um momento histórico centralizado no acesso à informação. Este acesso nos permite contato com diversos indivíduos e suas formas de vida diferenciadas, além de possibilidades de escolha que rompem com todas as barreiras construídas em sociedades tradicionais. O que acontece, portanto, é um custo de oportunidade para cada escolha que fazemos.

Neste sentido, a “benção da ignorância” nos permitia há séculos atrás nos manter satisfeitos com as escolhas de vida,porque, como destaca Schwartz, não eram exatamente escolhas. As opções e possibilidades sempre foram determinadas pelos papéis condicionados socialmente e, obviamente, à complexidade da cultura. Um camponês do sexo masculino, na idade média não tinha um horizonte muito amplo a não ser casar, ter filhos e continuar arando o campo. E eventualmente morrer…

middle_age_02.jpg O que você quer dizer com isso? Eu tenho escolhas. Hoje eu escolhi colocar o pé esquerdo no chão antes do direito. Normalmente eu faço o contrário…

A medida que a sociedade se complexifica e a qualidade de vida aumenta, rompe-se barreiras anteriormente assentadas de classe, sexo, raça e outras que enrijecem o espectro de possibilidades. Dessa maneira, se antes não se fazia devaneios porque não havia o que repensar sobre as escolhas tomadas, hoje vivemos cercados de possibilidades e o “e se?”, pode gerar insatisfação, ou o medo de gerá-la produzir estagnação. Ou seja, mais se torna menos.

Do lado da “Privação Relativa”, podemos assumir que o que determina o limite da insatisfação dos indivíduos com suas escolhas, é o seu meio: as noções de privações e possibilidades distintas da sua, passíveis de serem observadas no ambiente. Portanto, numa sociedade regida pelo acesso à informação, há maiores chances desta “Privação Relativa” ter limites alargados e a insatisfação “bater à porta”.

E Você? Já escolheu o que fazer hoje?

No final da contas onde podemos chegar com as conclusões de Schwartz? Há possibilidade de agir, ou nos “reprogramar” neste sentido? A impressão de termos escolhas quase infinitas tem algo de equivocado? Na verdade, qualquer escolha geraria a mesma sensação.

Talvez, o que pode-se dizer é que, ao fazermos opção por uma possibilidade, na verdade deve-se assumir a responsabilidade da escolha. No entanto, seria isto o suficiente? A resposta a essa questão eu prefiro não arriscar. Há muitas opções. Fora que, eu poderia estar agora assistindo a um filme, ou jogando PS3, o que poderia estar me dando uma satisfação maior e …

422

IGOR ASSAF

Igor Assaf tem tentado, através de muito esforço e desespero, entender a vida em sociedade e escolheu a cultura e a educação como seu objeto de estudo..
Saiba como escrever na obvious.

© obvious: http://lounge.obviousmag.org/sociocratico/2013/05/paradoxo-da-escolha.html#ixzz5XtJVntBB
Follow us: @obvious on Twitter | obviousmagazine on Facebook

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s