Uma perda financeira dói mais do que a felicidade de ganhar dinheiro


Imagine que a sua cidade lançou uma nova loteria. O ganhador do prêmio de R$ 300 pode escolher entre duas alternativas: A) 100% de chances de ganhar mais R$ 100, ou B) 50% de chances de ganhar mais R$ 200 e 50% de chances de perder R$ 0 (e ficar com os R$ 300). Se você fosse como a maioria das pessoas, optaria pela primeira opção: melhor ter R$ 400 com segurança no bolso do que correr um risco de ficar com apenas R$ 300.

 

No entanto, esta loteria duvidosa também tem um outro prêmio. Neste, o ganhador leva R$ 500 e pode escolher entre as seguintes alternativas: A) 100% de chances de perder R$ 100, ou B) 50% de chances de perder R$ 200 e 50% de chances de perder R$ 0 (e ficar com os R$ 500). Se fosse com você, qual destas duas opções você preferiria?

 

No livro “Misbehaving”, o economista comportamental Richard Thaler revela que quando ele aplicou este segundo teste, 64% dos participantes preferiam a opção número 2: eles aceitavam correr o risco de perder R$ 200 e ficar com apenas R$ 300, para ter a chance de manter os seus R$ 500. Já no primeiro teste, 72% preferiam a opção A e apenas 28% optavam pela B.

 

O que ele nota é que os dois testes são idênticos. Nos dois, na opção A o ganhador fica com um prêmio de R$ 400, e na opção B, têm 50% de chances de manter R$ 300 e 50% de chances de levar R$ 500. No entanto, porque na primeira versão do teste a opção A é tão claramente superior à B, e no segundo teste a situação se inverte?

 

“As pessoas são avessas ao risco no que diz respeito aos ganhos, mas procuram o risco no que tem a ver com perdas”, explica Thaler. Quando estamos de olho em uma situação favorável, aceitamos correr menos riscos e preferimos manter o que conquistamos. Por outro lado, se estamos em uma situação complexa onde não existem respostas óbvias, é do comportamento humano buscar mais risco, para tentarmos encontrar a melhor solução possível. Trocando em miúdos: não somos avessos ao risco, como se acreditava na economia clássica, mas sim avessos a perdas.

 

De acordo com Thaler, isso significa que uma perda certa dói mais do que um ganho de tamanho equivalente. A dor que sentimos ao perder R$ 100 é maior do que a felicidade ao ganharmos o mesmo valor de forma inesperada.

 

Esta revelação, originalmente identificada pelos economistas Daniel Kahneman (Prêmio Nobel de Economia de 2002) e Amos Tversky, foi chave para todo o desenvolvimento da economia comportamental. Ela mostra até que ponto nossos comportamentos não são coesos – ou, nas palavras de Thaler, são inadequados.

 

Post em colaboração com a jornalista Carolina Sandler

 

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