Deus sempre responde quando o escutamos


Estou muito feliz de estar aqui e quero contar uma historinha para vocês. Meu pai trabalhou muito aqui no Brasil. Ele vinha para cá, passava um ou dois meses, depois voltava para casa, na França. Ele nos dizia que era um país bonito, grande e sempre nos levava um pequeno presente do Brasil. Quando eu tinha mais ou menos sete anos, ele me levou uma camiseta laranja, do Rio de Janeiro, com o desenho do Pão-de-Açúcar. Fiquei tão orgulhosa de receber esse presente que fui para a escola e mostrava a todo mundo minha camiseta do Rio de Janeiro. De vez em quando, minha mãe tinha de escondê-la, porque eu queria usá-la sempre. A camiseta acabou ficando pequena demais, mas eu queria continuar a usá-la e puxava para tentar que ela coubesse em mim.

Desde esse presente, eu disse a mim mesma: “Um dia, irei ao Brasil. Quando eu for bem rica, bem grande, casada e com muitos filhos”. Um dia, porém, Deus me chamou ao celibato, numa comunidade onde se faz o voto de pobreza. E eu disse “Adeus” ao sonho das viagens ao Brasil. E o que posso dizer hoje é que Deus é fiel. Porque, trinta anos depois, de uma maneira que eu jamais esperaria, Ele me traz aqui. Deus é, realmente, maravilhoso!

O vinho

Quando há desafios e combates, deve-se contar com a oração e o louvor. É precisamente nesse momento que se deve entrar no próprio coração e dizer: “Senhor, é por ti que estou aqui”. Lembrem-se de Jericó. Havia um combate lá, e o Senhor queria entrar nessa cidade. Então, Ele envia seus soldados e diz-lhes: “Vocês vão dar sete voltas ao redor da cidade, em louvor, proclamando meu nome. No sétimo dia, vou fazer tombarem as muralhas de Jericó e entrarei nessa cidade”.

Então, quando você estiver em combate espiritual na sua vida, é certamente esse o momento no qual jamais poderá abandonar a oração e, além disso, não poderá abandonar o louvor. Quando você estiver em combate, repita várias vezes para Deus o seu desejo de vê-lo.

Ontem, aqui, havia uma decoração muito bonita. Havia três jarras. Quando as vi, pensei imediatamente naquela passagem do Evangelho das bodas de Caná. É uma festa de casamento. Há uma coisa muito importante na festa: o vinho, que dá alegria ao coração, esquenta, tem sabor, ajuda a dançar. Mas houve uma catástrofe nessa festa em Caná: de repente, percebe-se que não há mais vinho. E é nesse momento, precisamente, que Jesus vai agir.

Essa imagem do casamento é a imagem da nossa vida. Nós somos chamados a uma aliança eterna. Cada um de nós é chamado a esse amor de esposa e de esposo. E, na vida de cada um de nós, existem momentos em que não há mais vinho. Nosso casamento perdeu o gosto, tenho dificuldade de amar o outro, tudo ao meu redor se parece desgastado, na minha vida espiritual perdi o gosto, não sinto mais Jesus, e existe o momento quando tudo parece que caiu, foi por água abaixo. É exatamente nesse momento em que precisamos pedir que Jesus venha nos ajudar.

Nossa Senhora não fala muito no Evangelho, talvez por isso seja sempre importante escutar o que ela diz: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Tudo o que Jesus disser a você, faça. Exatamente porque os servos obedecem a essa palavra, obedecem a Jesus, podem ter vinho, e um vinho melhor. Hoje, na sua vida, Deus quer que haja mais vinho, mais gosto. Hoje, o Senhor quer dar-nos o gosto de viver, de amar, de encontrar os nossos irmãos.

Mas, para fazer o que Jesus nos manda, é preciso antes tê-lo escutado. Na África do Sul, em algumas regiões do país há trens, mas não há estações de trem; então, quando as pessoas querem saber se o trem vai passar, colocam o ouvido nos trilhos e sentem a vibração, assim, fazem uma fogueirinha perto do trilho, e essa fogueirinha é o sinal para o maquinista de que ele deve parar. Esses que têm o hábito de escutar no trilho sabem muito bem, melhor do que todo mundo, quando o trem vai passar. Com Jesus é a mesma coisa, é preciso aprender a escutar e reconhecer que Ele vai passar. Por isso é preciso aprender a ter os ouvidos atentos.

Jesus, hoje, continua a passar como passou nas bodas. Passa aqui no meio de nós e quer entrar em cada coração, quer que você pegue o trem dele, e o seu papel é fazer essa fogueirinha, como um sinal para dizer a Ele: “Estou aqui e quero entrar no teu trem, desejo te acolher logo, desejo que venhas a mim”.

Então, não tenha medo de gritar para Jesus, como aquele cego que estava na beira do caminho e gritou: “Tem piedade de mim”, ou como Zaqueu, que sobe na árvore e fica tentando ver Jesus de longe; ou como aquele jovem rico que entra apressadamente e ajoelha-se diante de Jesus, ou como aquela mulher que está no meio da multidão e vai agarrar-se à borda do manto de Jesus.

Isso é maravilhoso! Jesus jamais toca uma multidão no Evangelho, toca pessoas, em particular. Isso abre o coração dessas pessoas. O Evangelho conta que nesse dia havia muitas pessoas, e a multidão comprimia Jesus. E lá estava aquela mulher, pequena, tímida, que simplesmente se aproxima e toca o seu manto. Jesus se volta e pergunta: “Mas quem me tocou?” Pedro diz: “Presta atenção, Jesus, tu estás cercado de gente. Todo mundo está te tocando”. Jesus diz: “Não, uma pessoa me tocou”. E começa a se relacionar com essa mulher.

Jesus quer entrar no nosso coração, mas, para que Ele faça isso, é necessário que lhe abramos a porta. Cura d’Ars dizia que estamos como fechados num quarto, e Jesus está fora, com um desejo enorme de entrar, mas o terrível é que você tem a chave da porta, somente você pode abrir a porta do seu coração. O desafio é, verdadeiramente, abrir o coração.

Você pode se aproximar de Deus apenas com um pequeno desejo, como um dedal, ou com um copo bem grande ou com uma grande jarra, mas, se você se aproxima de Deus, Ele vai encher essa jarra, esse copo ou esse dedal.

Fé e confiança

Tenho um amigo africano, ele é protestante, pastor batista, jovem, casado, pai de dois filhos. um dia, saindo do seu trabalho, escutou no coração: “Quero que você seja missionário na França”. Ele pensou na sua vida, na sua família, no seu trabalho, e disse: “Olha, Jesus, não é assim tão simples. Depois, o que vou fazer na França, não conheço ninguém lá, e o pior: não falo francês”.

Porém, sente que esse apelo de Deus continua e imprime-se nele de uma maneira ainda mais forte. Então fala com sua esposa, e ela concorda em ir. Compram bilhetes somente de ida para a França.

Lourenço chega à França com sua esposa e dois filhos. São acolhidos pela Igreja, mas não dizem uma palavra em francês e não têm como viver. Em dado momento, a Igreja que os acolhia disse: “É preciso que vocês consigam uma casa e coloquem as crianças na escola”. Foi o que fizeram. Mas, dali a um mês era preciso pagar o aluguel e a escola; no segundo mês, a mesma coisa; no terceiro mês, a mesma coisa. O débito só aumentava.

Ele disse, então: “Senhor, foi mesmo você que me disse para vir à França? Veja todos esse débitos; não compreendo”. E começou a duvidar se ouvira, realmente, o chamado de Deus.

Alguns dias depois, escuta bem forte no seu coração: “Lourenço, eu te chamei”. E naquele momento encontra a certeza absoluta de que o Senhor o havia chamado. Volta para casa felicíssimo, mas uma “catástrofe” havia acontecido: sua esposa diz que está grávida do terceiro filho. Os gastos, as dívidas vão aumentar. Seria terrível. Eles, então, começam a rezar: “Senhor, é necessário que tu nos envies ajuda. Ouvimos tua voz no nosso coração, mas agora queremos evidências”. Duas semanas depois, um certo Jonh, da Inglaterra, telefonou para ele, sem conhecê-lo, e disse: “Lourenço, estou com um carro em Genebra e alguém me disse que você precisava de um. O carro é seu”.

Lourenço ficou tão feliz que desligou o telefone sem lembrar-se de perguntar, pelo menos, quem era a pessoa. E foi para Genebra. Chega lá numa agência muito bonita e alguém lhe dá chaves de um carro novo. Ele diz: “Não, o senhor deve estar enganado. A chave deve ser de um carro velho”. Mas o empregado diz: “Não, o senhor não é o Lourenço? É um carro novo, sete lugares, vidro fumê”. E leva-o até o carro, e nesse momento, Lourenço diz: “Ai, meu Deus, não tenho um tostão para botar gasolina no carro”. Mas o carro vinha com o tanque cheio.

Lourenço volta para casa como um rei, na sua carruagem. Depois de uma semana, porém, não tinha mais gasolina, e ele não tinha dinheiro. E ele disse: “Senhor, não entendo novamente. Você me dá o carro, mas não tenho dinheiro para colocar gasolina. O que você quer me dizer? Talvez Deus queira que eu venda o carro. Mas é um pouco desagradável vender um carro que acabei de ganhar. Vou esperar duas semanas. Depois, ou vendo o carro, ou o Senhor providencia o dinheiro para que eu possa colocar gasolina”.

No décimo quarto dia, outra vez o senhor Jonh telefona: “Lourenço, estou realmente arrasado, será que você poderia devolver esse carro? Para não me constranger, vou pagar o valor desse carro que lhe dei”. Muitas vezes, é assim que o Senhor age conosco. É preciso esperar a resposta do Senhor. Isso exige que o escutemos verdadeiramente e que confiemos nele até o fim.

Tenho um amigo que diz: “Deus sempre responde com um minuto de atraso”. E esse minuto é muito importante, porque é o momento da fé. Lembram-se da travessia do Mar Vermelho? Só depois que o pé do povo pousa na água, o mar se abre. Na nossa vida, muito freqüentemente, acontece a mesma coisa.

Deus é maravilhoso! Ele pode fazer grandes coisas conosco, e necessita somente que tenhamos absoluta confiança nele. Virão os combates e obstáculos, mas Ele abrirá sempre as portas.

A pequena via

Gostaria de falar a vocês sobre Santa Teresinha, aquela que o Papa deu aos jovens como a chama que vai queimar nesse terceiro milênio, como alguém a quem podemos e devemos seguir, porque é muito simples e humilde. É fácil segui-la.

Aos quatro anos, Teresinha perde sua mãe e escolhe Paulina, sua irmã, como sua segunda mamãe. Quando Teresinha tem nove anos, perde sua segunda mamãe: Paulina vai para o Carmelo. Teresa não tem boa saúde, é muito emotiva, chora por tudo. Mas ela tem um desejo. Com seis anos, diz a sua irmã: “Eu quero ser santa. Mas como vou fazer? Sou tão pequena, tão incapaz?” E guarda no coração esse desejo durante vários anos, sem saber como realizá-lo.

Aos quinze anos, entra no noviciado e, certo dia, rezando, compreende como pode tornar-se santa. Escreve para a Madre do Carmelo: “Você sabe, Madre, sempre desejei ser uma santa, mas infelizmente sempre constato, quando me comparo aos santos, que há entre eles e eu a mesma diferença que existe entre uma montanha cujo cume se perde no céu e um pequeno grão de areia. Porém, em vez de me desencorajar, digo a mim mesma: não seria possível que o Senhor me desse um desejo irrealizável. Assim, apesar da minha pequenez, posso aspirar à santidade. Crescer é impossível, então devo me suportar do jeito que sou, com todas as minhas imperfeições. Vou procurar a maneira de ir para o céu através de uma pequena via, bem curta, completamente nova… Estamos num século cheio de invenções, e hoje em dia não se sobe mais muitos andares de escada; os ricos têm elevadores. Quero também um elevador para me levar até Jesus, porque sou muito pequenina para subir a escada rude e difícil da perfeição”.

Nesse momento, Teresinha descobre algo magnífico: ser santa não significa fazer as coisas pela força do braço e tentar tornar-se grande, mas ao contrário, tornar-se pequenina, como uma criancinha nos braços da sua mamãe. E colocar-se nos braços de Jesus que é capaz de nos levantar ao Pai.

Então, não queiram avançar à força do próprio braço, mas sem cessar perguntem: “Senhor, o que tu queres?” e, ao ouvir a voz de Deus, simplesmente se coloquem nas mãos dele para que Ele mesmo eleve vocês a essa santidade.

Teresa percebe que no dia-a-dia não é tão fácil ser santa. E cada um de nós, na nossa vida, nos damos conta do mesmo. Um dia, no coro, a irmã que estava ao seu lado rangia os dentes e a que estava do outro lado, cantava desafinada. Imagine que você faz quatro orações da Liturgia das Horas por dia, e a pessoa que está ao seu lado canta desentoada, é uma coisa muito desagradável. Mas Teresinha percebe muito rapidamente que Jesus a chama a amar exatamente aquelas que estão ao lado dela e a desagradam. A ser santa no seu cotidiano. Não fazendo coisas extraordinárias, mas fazendo coisas comuns de maneiras extraordinárias, com amor.

A paz

Nesses dias, temos ouvido muito falar de guerra, e vocês têm a graça de estar num país em que isto não existe, mas que também não está longe. Hoje, 54 países estão em guerra. Talvez olhemos essa situação de longe, mas eu, um dia, estive no coração de uma e compreendi, naquele momento, que ela começava dentro do coração de cada um de nós.

Morei dez anos na África e, nos cinco últimos anos, estive no Congo, um país sempre revolucionado por todas as questões étnicas e sempre há guerra de alguém contra alguém.

Um dia, a guerra tornou-se mais intensa. Estávamos na rua e começamos a ver as milícias correrem em todas as direções, com suas metralhadoras. Os tanques começaram a sair e, em duas horas, a cidade estava completamente silenciosa. Todos haviam voltado para casa. E todos deixavam uma arma ao alcance da mão.

O tiroteio aumentou e, à noite, viam-se as bombas passarem para um lado e para o outro. Essa pequena casa da comunidade onde eu estava ficava bem no meio das duas regiões em guerra. Lá não existe água dentro da casa; é preciso ir a uma torneira pública ou poço; não há geladeira, simplesmente uns leitos e algumas cadeiras e mesas, o teto é muito frágil, os tiros de metralhadora poderiam ultrapassá-lo.

De manhã, eu tinha muita sede, tinha vontade de ir buscar água, mas havia tantos tiroteios que levaria uma hora para caminhar dez metros. Uma bomba atingiu a casa ao lado, que foi pelos ares. Durante uma hora, fiquei sem poder sair e gritava ao Senhor no meu coração: “Senhor, não é possível essa violência!”, e pedia um texto que pudesse me confortar, porque estava sozinha. Peguei minha Bíblia e li: “Se alguém matar seu irmão, não entrará no Reino do Céu”. Em torno de mim, havia muitas pessoas mortas, e a minha oração foi muito forte ao Senhor por todos aqueles que ao redor de mim faziam a guerra. Depois voltei à Palavra, e havia algo escrito que eu nunca tinha prestado atenção: “Se alguém se encoleriza contra seu irmão, não entrará no Reino do Céu; se alguém disser ao seu irmão: imbecil, não entrará no Reino do Céu”.

Em torno de mim, havia todo aquele ambiente de guerra, e eu achava que isso dizia respeito aos outros, no entanto, eu estava em cólera, eu poderia tratar o outro como imbecil. Então, na Bíblia, a palavra é a mesma tanto para aqueles que matam o irmão como para aqueles que se encolerizam ou tratam seu irmão como imbecil. Nenhum entrará no Reino do Céu. E isso diz respeito a cada um de nós. Essa guerra interior do amor pelo outro.

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