sobre o desapego


e o conceito de “ofurô de cocô” 💩

sempre escuto relatos de amigos e familiares sobre situações de sofrimento que se repetem ao longo da vida. no caso dos relacionamentos, essas situações repetitivas podem surgir na forma daquele ex que te traiu reaparecendo das cinzas, daquele suposto amigo que se dizia muito próximo mas não hesitou em sumir da sua vida quando você precisou dele, ou ainda, na forma do seu namorado que vive dizendo que vai melhorar, mas continua brigando por coisas fúteis e cometendo os mesmos erros. o que todas essas situações têm em comum? todas elas geram um sofrimento que só ocorre devido ao nossos apegos: ao passado, ao sofrimento, à dor, etc. sabe aquela história de: “ruim com ele, pior sem ele?”. então, eu tenho um outro nome para isso, apresentado a mim pelo meu pai. e chama-se: ofurô de cocô.

shit!

sabe aquele emprego que você suou para conseguir, no meio da crise, que te sustentou por algum tempo mas que te mata aos poucos? ou então aquele namorado que, de vez em quando, te passa uma sensação de segurança no meio do caos, que aparece na sua casa para ver um netflix, depois some e não se importa muito com você? então, estes são exemplos de ofurôs de cocô. são situações de 50% de conforto e 50% de sofrimento, das quais você não consegue se desvencilhar por motivos de: ego, orgulho e medo. elas trazem certos benefícios, dentre eles, a comodidade. a comodidade é um sentimento perigoso. ela traz aquela sensação de “não querer trocar o certo pelo duvidoso”, de manter o status atual e evitar a mudança a todo custo, porque uma mudança exige adaptação, e quem quer se adaptar? perder tanto tempo com algo para depois abandonar? ninguém quer isso, certo?

depois de ponderar a respeito de todas as possibilidades, você escolhe continuar na mesma opção, mesmo comprovando várias vezes que essa situação não muda. porém, você não se conforma, vive se remoendo, sofrendo e passando nervoso por ter tomado essa decisão novamente. até acontecer uma pequena coisa positiva, e você começar a pensar — de novo — que tudo vai melhorar: tudo pode dar certo daqui um tempo. você prefere ficar na merda porque é quentinha e conhecida, do que sair do ofurô e tomar um banho de verdade, com muito sabão e água.

a comparação de um namorado ou emprego com bosta pode parecer um pouco radical, mas fica clara a metáfora a medida que avaliamos os prós e contras de manter-nos em tal condição. vale mesmo a pena apegar-se ao ofurô, ou vale mais a pena que tomar um banho? obviamente, o banho é a melhor opção! então por que é tão difícil largar o ofurô? porque o desconhecido é ainda mais assustador que o próprio ofurô. porque o ofurô é previsível. os seus defeitos e qualidades são conhecidos, portanto não requerem maior esforço. mas, como obter resultados diferentes se os mesmos métodos são empregados em todas as tentativas? por que insistir em um apego que faz mal?

quando estou na dúvida sobre o que fazer, penso nessa linda metáfora. e as vezes tomo coragem para levantar e tomar um bom banho, com muito sabonete. no fundo, eu sei que preciso fazer, apenas não dou ouvidos. sair do ofurô requer coragem. por isso, tente sair do seu ofurô você também. a vida sem merda é muito melhor.

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