E se meu candidato não vencer a eleição para presidente?


Jovens contam como estão preparando o psicológico em caso de decepção eleitoral e como lidam com as divergências políticas entre amigos e familiares.

O clima de expectativa criado em torno das eleições tem mexido com a cabeça de todo o Brasil. As candidaturas de Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) têm gerado grande bipolaridade no país.

Entre discursos de ódiosentimentos de insegurança e argumentos em defesa da democracia, o confronto de voto e de ideias, o psicológico de muitos jovens eleitores parece estar abalado e as relações com seus amigos, familiares e colegas de trabalho também.

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Apesar dos ânimos aflorados, sentimentos diversos instaurados, é preciso ter cautela. A psicóloga Aline Garcia Aveiro explica que eleição é algo pontual e específico de um processo contínuo. “As eleições representam apenas um momento da vida política do nosso convívio social, das relações entre o privado e o coletivo. Período em que as divergências e diferentes visões de mundo ficam mais evidentes e há acirramento mais explícito.”

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A primeira coisa a se considerar é que os resultados são simbolicamente divergências com quais convivemos diariamente, ou seja, não é novidade, como explica a psicóloga. ”Não é que as pessoas se tornaram ‘do outro lado’ de um dia pro outro, são pessoas do nosso convívio, que estão ao nosso redor.”

Paciência será algo fundamental nesse momento, que requer diálogo e respeito. Aline ainda explica que conversar com o diferente sempre valerá à pena e que o grande exercício, de fato, é dialogar sempre. “Estar em convívio em espaços coletivos com quem pensa parecido pode ser bacana para nos fortalecer, mas não fortalecer no sentido do querer o mundo pense igual; mas um fortalecer para que as diferenças possam conviver uma com as outras e que prevaleça o respeito”. E recomenda que precisamos nos fortalecer para respeitar o outro e entender que o mundo é feito das singularidades e esta é a sua beleza.

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E caso seu candidato não ganhe, é importante lembrar que a vida política não se encerrará dia 28 de outubro. Como bem explica a psicóloga, “política se faz no cotidiano”. Pois serão nossas escolhas, nossas relações, na forma como lidamos com o outro, como ocupamos os espaços públicos e também como cobramos dos nossos representantes eleitos.

Portanto, nada de ressaca, eleição não é papo de vencedores e derrotados, e sim pessoas que querem um país melhor através da luta diária e democrática. E diante desse clima de polaridade instaurado, conversamos com alguns jovens para saber como estão se preparando psicologicamente.

César Prazeres, 24 anos

César Prazeres, 24. Foto: Arquivo pessoal

César Prazeres, 24

“A saída para mim vai ser me apoiar naqueles que eu amo e admiro, naqueles que tem respeito e tolerância à diversidade. Além de muita psicanálise.”

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“Como sempre me relacionei bem com os que pensam diferente de mim, não acredito que terei tanto problema pós eleições. Por mais que o clima de tensão dificulte os relacionamentos, não será algo que resultará no afastamento de pessoas próximas, amigos ou familiares”, conta. o jovem economista de Porto Alegre.

César ainda explica que procura entender as motivações de quem pensa diferente dele: “Eu enxergo nas intenções de voto muito mais razões emocionais que critérios objetivos e afinidades ideológicas”. E pontua: “O que me preocupa são aquelas pessoas que ouvem o que o Bolsonaro fala, raciocinam sobre isso e concordam com aquilo que ele diz. Essas pessoas sim me trazem preocupação, medo e desesperança. E, caso eu perceba que algum conhecido meu seja assim, então, sem dúvida, vou procurar distância de quem quer que seja.”

Matheus Nunes, 24 anos

Matheus Nunes, 24 anos. Foto: Arquivo pessoal

Matheus Nunes, 24

“Tenho meu candidato definido desde o primeiro turno e espero que ele ganhe. Mas, caso não seja eleito, estarei torcendo para que o outro candidato faça um excelente trabalho e me surpreenda.”

“Não irei torcer contra ele só para provar para as pessoas que o elegeram que eu estava correto e elas erradas. Independente de quem seja eleito, o importante é que façam bem ao país num todo, não a classes específicas”, relata o professor de educação física de São Paulo.

Sobre os relacionamentos com amigos, familiares e outros, Matheus não está preocupado: “Não deixei com que esse assunto estragasse nenhum tipo de relação com amigos, familiares ou quaisquer outras pessoas. Somos um país democrático e cada um tem direito de ter sua opinião e posição política. Independente da opinião política, devemos respeitar as posições de cada um.”

Viviane Silva, 27 anos

Viviane Silva, 27 anos. Foto: Arquivo pessoal

Viviane Silva, 27

“Confesso que não estou me preparando psicologicamente, mas sim vivendo um dia de cada vez. Quando penso na possível perda, eu sinto por ter que pagar pela falta de informação dos outros. O que me conforta é saber que que eles pagarão de igual modo uma consequência vinda das próprias mãos. Um dia sinto meu emocional se esvaindo; no outro, sinto a esperança resplandecer como a luz de uma vela na escuridão.”

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Para mestranda e professora na Bahia, estas eleições serviram para mostrar quem são as pessoas e que há perfis de todo tipo. “Tem as manipuláveis, que são passivas e omissas e desinformadas, e aquelas de mau caráter mesmo. Com algumas, manterei distância: elas me revelaram um lado oculto contrário a tudo que mostram ser. Com outras, manterei relação por questões profissionais. Mas, para qualquer que seja o caso, jamais terei a mesma amizade”, comenta.

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