Brasil, ONU e União Europeia pedem à Venezuela investigação sobre morte de opositor


Por G1

 


Fernando Albán, vereador que morreu nesta segunda (8) em poder do serviço secreto de Nicolás Maduro — Foto: Reprodução/Twitter/Fernando AlbánFernando Albán, vereador que morreu nesta segunda (8) em poder do serviço secreto de Nicolás Maduro — Foto: Reprodução/Twitter/Fernando Albán

Fernando Albán, vereador que morreu nesta segunda (8) em poder do serviço secreto de Nicolás Maduro — Foto: Reprodução/Twitter/Fernando Albán

O governo do Brasil, o Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU e a União Europeia pediram nesta terça-feira (9) uma investigação sobre as circunstâncias da morte do vereador opositor venezuelano Fernando Albán Salazar, que, segundo as autoridades da Venezuela, se atirou do prédio do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) em Caracas.

ONU pede investigação independente sobre a morte de um político de oposição da Venezuela
Jornal Hoje
ONU pede investigação independente sobre a morte de um político de oposição da Venezuela

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Em nota, o Itamaraty afirmou que “as circunstâncias da morte de Fernando Albán em instalações prisionais sob direto e integral controle das autoridades venezuelanas suscitam legítimas e fundadas dúvidas quanto a eventuais responsabilidades e exigem a mais rigorosa, independente e transparente investigação“.

Manuela Bolivar, advogada e membro do partido de oposição Primeiro Justicia, tira fotos do prédio da Sebin em Caracas — Foto: Fernando Llano/AP PhotoManuela Bolivar, advogada e membro do partido de oposição Primeiro Justicia, tira fotos do prédio da Sebin em Caracas — Foto: Fernando Llano/AP Photo

Manuela Bolivar, advogada e membro do partido de oposição Primeiro Justicia, tira fotos do prédio da Sebin em Caracas — Foto: Fernando Llano/AP Photo

O governo brasileiro também expressou condolências aos familiares e amigos de Albán e disse que é dever do governo de Maduro “garantir a integridade de todos aqueles que tenham sob sua custódia (veja abaixo a íntegra do texto).

O porta-voz do Alto Comissariado da ONU, Ravina Shamdasani, também cobrou uma investigação transparente em coletiva de imprensa em Genebra: “Fernando Albán se encontrava detido pelo Estado. O Estado tinha a obrigação de garantir sua segurança, sua integridade pessoal (…). Nós pedimos uma investigação transparente para esclarecer as circunstâncias de sua morte”, já que existem “informações contraditórias sobre o ocorrido”, declarou.

A União Europeia também ressaltou a necessidade de uma “investigação independente” para apurar as circunstâncias do vereador.

“Esperamos uma investigação exaustiva e independente para esclarecer as circunstâncias da trágica morte do vereador Albán”, afirmou o comunicado do escritório da chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, que também pediu que Caracas liberte “todos os presos políticos”.

Corpo do opositor Fernando Alban chega nesta terça-feira (9) para ser velado na Assembleia Nacional, em Caracas — Foto: Marco Bello/ReutersCorpo do opositor Fernando Alban chega nesta terça-feira (9) para ser velado na Assembleia Nacional, em Caracas — Foto: Marco Bello/Reuters

Corpo do opositor Fernando Alban chega nesta terça-feira (9) para ser velado na Assembleia Nacional, em Caracas — Foto: Marco Bello/Reuters

Na segunda, o Ministério Público venezuelano afirmou que Salazar se atirou do décimo andar do prédio da Sebin em Caracas, quando seria transferido para um tribunal.

A versão oficial é que Albán estava numa sala de espera quando pediu para ir ao banheiro, e de lá se jogou pela janela. Já o seu partido afirma que Albán “morreu assassinado nas mãos do regime de Nicolás Maduro”.

Reações

Nicolás Maduro classificou os fatos de 4 de agosto de “magnicídio frustrado” e responsabilizou como autor intelectual o deputado Julio Borges, fundador do Primero Justicia e exilado na Colômbia.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante discurso na 73ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York — Foto: Reuters/Eduardo MuñozO presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante discurso na 73ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York — Foto: Reuters/Eduardo Muñoz

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante discurso na 73ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York — Foto: Reuters/Eduardo Muñoz

“A crueldade da ditadura acabou com a vida de Fernando Albán”, reagiu Borges no Twitter, lembrando que o vereador havia viajado a Nova York na semana passada para visitar seus filhos e o acompanhou às Nações Unidas.

“Sua morte não vai ficar impune”, acrescentou o deputado, que Maduro acusa de fazer parte de uma trama para derrubá-lo com a ajuda de Estados Unidos e Colômbia.

O presidente do Comitê das Relações Exteriores do Senado americano, Bob Corker, em visita em Caracas, disse que a morte de Albán é “pertubadora”.

“O governo tem a responsabilidade de garantir que todos entendam como isso aconteceu”, escreveu no Twitter

O secretário-geral da OEA, Luis Almagro, condenou a morte do opositor. “Responsabilidade direta de um regime torturador e homicida”, escreveu no Twitter.

O ex-candidato presidencial Henrique Capriles, membro do partido de Albán, afirmou que o ocorrido “é total responsabilidade do regime”. “Ele NUNCA poderia ter atuado contra sua vida”, ressaltou no Twitter.

Veja a íntegra da nota emitida pelo Itamaraty:

O governo brasileiro tomou conhecimento, com grande preocupação, do falecimento do vereador venezuelano Fernando Albán, que se encontrava detido na sede do Serviço Bolivariano de Inteligência (SEBIN).

As circunstâncias da morte de Fernando Albán em instalações prisionais sob direto e integral controle das autoridades venezuelanas suscitam legítimas e fundadas dúvidas quanto a eventuais responsabilidades e exigem a mais rigorosa, independente e transparente investigação.

O governo brasileiro recorda a obrigação do Estado venezuelano e do governo do Presidente Nicolás Maduro de garantir a integridade de todos aqueles que tenham sob sua custódia.

O governo brasileiro expressa aos familiares e amigos do vereador Fernando Albán suas mais sinceras condolências.

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