Coca Cola – Inovação é o coração da companhia, defende o cientista Robert Scott, vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento para a América Latina


Como funcionário da The Coca-Cola Company nos últimos 12 anos, o cientista americano Robert Scott já fez de tudo: pesquisou novos ingredientes, desenvolveu embalagens e trabalhou como assistente executivo para um vice-presidente, só para citar algumas de suas funções. Mas há pouco mais de um ano, ele deixou a sede da empresa, em Atlanta, e embarcou para a Cidade do México com a mulher e três filhos adolescentes para assumir o cargo de vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento (conhecido também como P&D) para a América Latina. Ele comanda um time que trabalha naquilo que Scott considera a verdadeira alma da companhia —- a inovação. São eles que criam e testam novos produtos, sempre de olho nas demandas dos consumidores. Scott, que começou a carreira como professor universitário e é doutor em Ciência, esteve no Rio em setembro para participar da inauguração do mais recente Centro de Inovação construído pela empresa. Os cientistas no Rio vão trabalhar em parceria com os colegas do México no desenvolvimento de todo tipo de novos produtos, sabores e equipamentos para o consumidor latino-americano. Nesta entrevista, um animado Scott falou sobre os aspectos mais divertidos do trabalho com inovação, explicou as singularidades do consumidor latino-americano e os desafios de atender a um mercado tão grande e diverso.

Como surgiu a ideia de ter um Centro de Inovação no Rio de Janeiro?

Quando transferimos o comando da área de P&D para a Cidade do México, passei o primeiro ano inteiro pensando em como poderíamos expandir os negócios. Fiz uma viagem ao Brasil e levei cerca de 14 horas para chegar. Ir até a Argentina também demorava muito. E isso para mim foi revelador: para conseguir inovar para a América Latina, de verdade, eu precisava estar mais perto de todas as partes do meu negócio. Pensei, então, que seria importante ter dois pontos centrais: um no México e outro no hemisfério Sul. O Brasil é uma parte tão grande do nosso negócio que não fazia sentido que não fosse aqui.

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Haverá diferenças entre o trabalho de pesquisa feito aqui e o que é feito no México?

Na essência, um dos princípios que nos move é: inovamos de uma maneira que chamamos de Pan LatAm. Isto é, acreditamos que todos os países são únicos mas, ao mesmo tempo, são mais parecidos do que diferentes. E, quando trabalhamos com inovação, tentamos fazê-lo de forma que beneficie a todos os países da América Latina. Ter laboratórios no México e no Rio nos permite trocar ideias de novidades para os consumidores de forma mais eficiente.

Você mora no México há quase dois anos. Como tem sido a experiência?

Para mim, a cultura da América Latina, e não só a do México, é de acolhimento. É difícil não se sentir em casa na América Latina. Aprendi a gostar de comida apimentada e o clima é perfeito o ano inteiro. Só falta mesmo acabar com aqueles terremotos! (Risos).

Como você disse antes, a América Latina é uma região grande, com muitas semelhanças e também diferenças. É um desafio entender esse consumidor tão diverso?

É um desafio sim, mas a boa notícia é que temos especialistas treinados para entendê-lo. A primeira regra de tudo o que fazemos é: tem que ser totalmente focado no consumidor. Então, é difícil? Sim, há diferenças, nos âmbitos cultural e pessoal. Mas, essencialmente, na América Latina, entender a importância da família na hora de desenvolver produtos e propostas já é meio caminho andado. No continente inteiro, esse elemento da importância da família é crucial.

Não é assim nos Estados Unidos?

Ah, há uma grande diferença. Quando eu fiz 18 anos e fui para a faculdade, meu pai e minha mãe me deram 20 dólares e tchau: “Você está por sua conta agora”. Mas na América Latina é bem comum que pessoas de diversas idades ainda estejam ligadas aos pais. Não é assim em outros lugares do mundo. Então, se você entende a importância da família, você vai longe ao desenvolver seus projetos. Porque isso ajuda a tomar decisões sobre o que você quer criar, de que forma, e como deve falar sobre isso.

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Muito do que vocês fazem tem influência direta dos desejos do consumidor. Como essa relação se dá no cotidiano?

Nós interagimos com os consumidores de diversas maneiras. A primeira é: todos nós somos consumidores.Quando estamos no laboratório, nossas expectativas em relação ao sabor ou ao que gostaríamos de ver nas prateleiras é exatamente como a sua. Às vezes trazemos  consumidores para ajudar na avaliação de produtos que estão em desenvolvimento. Também podemos mostrar o produto já finalizado e perguntar se eles gostam. E tem algo que chamamos de “sequential recycling”, que é ainda mais divertido. É um método no qual colocamos os consumidores numa sala e oferecemos alguns produtos. Eles provam e nos dão uma resposta imediata. Então, os cientistas vão ao laboratório, fazem as mudanças solicitadas, e oferecem novamente os produtos já alterados. É uma maneira de inovar mais rápido e obter dados dos consumidores em tempo real.

Pode dar um exemplo de algo que sua equipe desenvolveu recentemente?

Acabamos de lançar um produto chamado Yas, desenvolvido numa parceria entre os pesquisadores do México e a equipe-satélite no Brasil. A ideia surgiu em Atlanta, há dois anos. Nossos novos consumidores estavam querendo mais produtos sem conservantes, sem corantes artificiais, sem adição de açúcar, mas ainda assim muito gostosos. Então pensamos: será que conseguiríamos criar um novo tipo de refrigerante? O resultado está no mercado agora e é um excelente indicativo do nosso desejo de ser uma empresa de bebidas completa e da nossa tentativa de encontrar soluções para atender aos desejos e necessidades dos clientes.

A The Coca-Cola Company é uma empresa global, com produtos que chegam a todas as classes sociais e a todos os gêneros. Diversidade é uma questão para você?

Sem dúvida. Diversidade é essencial para a inovação. Acho que a empresa como um todo tem um foco importante na diversidade — e eu provavelmente sou um bom exemplo disso, um afro americano que comanda a área de P&D na América Latina. Mas diversidade racial é só uma parte da história. Há ainda diversidade de idade, gênero, etc. O mais importante para mim, no entanto, é a diversidade de pensamento. Da perspectiva de quem trabalha com pesquisa e desenvolvimento, a maior razão para ter na equipe pessoas com aparências distintas, educação e experiências de vida distintas, não é somente pela diferença em si. Mas sim porque, graças a essas diferenças, as pessoas pensam de formas distintas; têm padrões cerebrais diferentes. E quando estamos tentando desenvolver novos produtos, o ideal é ter no laboratório formas diferentes de pensar.

Você trabalha na Coca-Cola há 12 anos. Pode contar um pouco dessa trajetória?

No meu primeiro trabalho na The Coca-Cola Company, minha função era pesquisar novos ingredientes e novas tecnologias. Aquilo era o coração da empresa, um trabalho fantástico. Costumo dizer às minhas equipes de P&D e inovação que eles são como alquimistas: juntam pequenos pedacinhos de diversas coisas e misturam, até criarem algo precioso. Depois, eu coordenei uma equipe de pesquisadores da área de nutrição, na época em que estávamos entrando no mercado de bebidas funcionais. Em seguida, virei uma espécie de faz-tudo (na verdade, um assistente executivo) do vice-presidente Global de P&D e Inovação. Ali tentei aprender tudo que existia sobre P&D, organização e operações. Quando saí desse cargo, passei a ser o responsável geral por pesquisa de ingredientes em nível corporativo. Depois, fui fazer algo totalmente diferente — e acho que parte de ser bom em inovação é estar disposto a tentar algo novo: comandei a área de embalagens. E essa era a minha função quando fui chamado para assumir a vice-presidência de P&D para a América Latina, onde estou hoje.

Texto produzido por Colabora Marcas

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