Devemos competir apenas com nós mesmos


Competitividade é algo positivo. Mas fica ainda melhor quando competimos com nós mesmos.


Vivemos em um mundo extremamente competitivo. Com certeza, ninguém duvidaria disso. Existem competições em todos os setores ocupacionais, em todas as profissões, em todas as áreas aplicadas do conhecimento humano. Atletas e esportistas no mundo inteiro competem entre si nas mais variadas modalidades para ver quem é o melhor, o mais apto, o mais capacitado entre eles. Nas olimpíadas, o vencedor fica com a medalha de ouro. Nos departamentos de televendas das empresas, os vendedores competem entre si para ver quem será destacado como o funcionário do mês, e quem ficará com a maior comissão. E assim, o mundo prossegue indefinidamente, em uma eterna competição, que praticamente nunca termina.

Vislumbrada de forma saudável, a competitividade pode ser algo fantástico. Quando os competidores encaram-se como colegas – e não como rivais mortais –, aprendemos muito sobre estratégia, persistência, preparo e motivação. Na verdade, competições salutares são verdadeiras aulas, e normalmente saímos muito melhor do que entramos. Para isso, no entanto, é necessário que existam regras, cordura, civilidade e educação entre os competidores. Se forem amigos além das disputas, tanto melhor.

A humildade é uma qualidade muito necessária em qualquer competição. Quando perdemos, podemos aprender coisas fantásticas à respeito de nós mesmos, de nossas limitações, deficiências, o que nos levou a perder, e onde podemos melhorar. A derrota é um fantástico professor, pois nos ensina muito à respeito de quem verdadeiramente somos, e devemos usar cada fracasso como uma oportunidade para o aprimoramento.Quando vencemos, não devemos ser soberbos, arrogantes ou humilhar os vencidos, pois eventualmente perderemos. Afinal, ninguém vence sempre, em todas as ocasiões. A vida é uma sucessão de instabilidades constantes. Aquele que hoje está no topo da cadeia alimentar, amanhã estará lá embaixo, e aquele que hoje está lá embaixo, amanhã poderá estar no topo. Isso é um fato imutável da vida. Podemos aprender isso da maneira mais fácil, ou da maneira mais difícil.

Ainda que competições em si não sejam erradas, não devemos cometer o erro que a maioria das pessoas comete: competir apenas para impressionar os outros. Devemos fazê-lo com a motivação correta. Aprender mais à respeito de nós mesmos, de nossas limitações, e de como podemos superá-las. Afinal, o maior rival que você terá em sua vida é você mesmo. E esta é a única pessoa que, para você, vale a pena tentar superar. Claro, sempre respeitando suas próprias limitações.  

Apenas quando estabelecemos metas razoáveis e alcançáveis, entramos em uma genuína competição com nós mesmos. Se não as conquistamos, isso significa que precisamos nos estudar mais a fundo. Devemos verificar onde falhamos, quais foram as limitações que comprometeram o resultado desejado, e como podemos vencer estas mesmas limitações. Por outro lado, se o resultado foi conquistado, então estamos prontos para a próxima etapa, talvez um pouco mais ambiciosa.

No entanto, uma ressalva é necessária nesta questão. A competividade pode ser bastante improfícua, quando ela resulta em comparações. Comparações são tão irrelevantes quanto depreciativas, pois elas desmerecem quem aparentemente faz menos. E são incoerentes, pois todas as pessoas são diferentes, enfrentam circunstâncias diferentes em suas vidas, e tem ritmos de vida e trabalho completamente diferentes. Na indústria cinematográfica de diversos países – seja Hollywood, nos Estados Unidos, ou Bollywood, na Índia – atores constantemente competem entre si para ver quem é o mais famoso, o mais rico e – acima de tudo – quem faz mais filmes. Isso, no entanto, não é algo novo. Na indústria cinematográfica japonesa, existia até certo tempo atrás uma cultura de que atores deveriam ser extremamente produtivos. Essa mentalidade ficou tão arraigada que, entre os japoneses, encontramos alguns dos atores mais prolíficos do mundo. Kazuo Hasegawa fez 300 filmes entre 1927 e 1963. Raizō Ichikawa, que morreu aos trinta e sete anos, fez 158 filmes entre 1954 e 1969. Ken Uehara fez 200 filmes entre 1935 e 1990. Chishū Ryū, ao longo de sua carreira, fez aproximadamente 160 filmes e participou de 70 produções de televisão. Para o público, no entanto, isso é absolutamente irrelevante. O que importa é a qualidade dos filmes. A grande maioria das pessoas não se interessa em saber, a fundo, quem são, como vivem ou com que frequência trabalham os atores.

Toda e qualquer comparação é inválida. Não devemos jamais nos comparar a outros, pois – como dito acima – todas as pessoas são diferentes, e enfrentam situações e circunstâncias diferentes em suas vidas. Por isso, toda e qualquer competividade com terceiros deve ocorrer em uma base amigável e salutar, sem comparações, que, no final das contas, são completamente inúteis. Sempre estaremos acima de algumas pessoas, e abaixo de outras.

A única verdadeira competição que pode existir é aquela que empreendemos com nós mesmos. Apenas você é capaz de vencer a si próprio. E – como eventualmente descobrirá, se tentar –, isso pode ser bem difícil, mas é verdadeiramente estimulante. Apenas nós podemos conhecer com profundidade nossas limitações, nossa capacidade produtiva, nosso nível de empenho, esforço e determinação, e a consistência de nosso trabalho. De maneira que compararmos nossos resultados com o de terceiros é algo absolutamente infantil, imaturo e desarrazoado. Devemos comparar os nossos resultados de hoje, com os nossos próprios resultados da semana passada. Avaliando, é claro, se o trabalho realizado ocorreu em circunstâncias similares.

Vencer a si próprio é um êxito muito mais consistente e significativo do que vencer a terceiros. Importantes, de fato, são os resultados que você se propõe a atingir, e são esses resultados que terão um impacto benéfico e positivo em sua vida. Conhecer suas limitações – e a partir delas efetuar um aprimoramento de suas qualidades e habilidades, sem se exaurir, evidentemente – é o princípio da verdadeira competividade. Todas as demais são vaidades efêmeras e irrelevantes.

 

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