Superdotação como autismo (superdotação precoce ou prodígio) e esquizofrenia (superdotação atrasada) adaptados


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Existem basicamente dois tipos de pessoas altamente inteligentes (incluindo também o tipo que é mais predominantemente criativo do que inteligente), os prodígios e os superdotados ”tardios”.

Os prodígios são todos aqueles que apresentam algum tipo de talento incomum que começa a se manifestar desde a mais tenra idade. Muitas vezes confunde-se o termo ”prodígio” com  ”genialidade”. Nem todo prodígio será um gênio e nem todo gênio será um prodígio. Na verdade, é até ligeiramente complexo dizer que os superdotados ”tardios”, começarão a manifestar seus dons apenas mais tarde da vida, mas pode ser possível que os cérebros destes tipos só se tornem ”maduros” a partir dos 20, 30 anos. Em outras palavras, eles já tendem a demonstrar elevada capacidade mas que só estará plenamente desenvolvida a partir do final da adolescência.

Quando me deparei com a teoria do ”cérebro imprimido” (obs técnica= não sei corretamente se a tradução da palavra ”imprinted” em inglês para o português, será algo como ”imprimido”, mas enfim), percebi uma possibilidade para desenvolver esta hipótese para explicar a existência de dois tipos bem diferentes de superdotados.

 

Prodígios e autistas = inteligência e espectro maior da Síndrome de Savant

 

Crianças autistas tendem a ter cérebros maiores, que com o avanço da idade, costumam regredir para a média dos seus pares não-autistas. Crianças autistas tendem a ser mais intelectualmente maduras do que seus pares. Autismo e prodígio apresentam muitas similaridades. Outra semelhança entre os dois é o caráter cognitivo super especializado.

Seja para a música, a pintura ou para a ciência, autistas e prodígios costumam ter um talento altamente desenvolvido desde cedo. Um tipo de talento que se relaciona mais com ”criatividade savant-style”, isto é, que não se consiste puramente em criatividade, mas que emula aspectos fundamentais que a definem. Como eu já expliquei em um texto anterior, pinturas super realistas não são puramente criativas, a partir do momento que não está se buscando construir algo novo, algo que define criatividade per se. O talento para tocar violino ou piano e superar tecnicamente os mais talentosos nestes dois instrumentos de uma ou duas gerações anteriores, também não é completamente a criatividade, mas a replicação de ”velha criatividade”, o que não deixa de ser um grande feito e não deve ser considerado como menos interessante do que a criatividade puramente cognitiva. Da mesma maneira que portadores da síndrome de savant apresentam talento precoce, inato e especializado para a execução de determinada tarefa, os superdotados precoces ou prodígios e os autistas funcionais apresentarão os mesmos talentos naturais.

Ainda que seja evidente que muitos prodígios sejam altamente criativos, eles tenderão a ter como principal força, uma maior inteligencia e não uma maior criatividade. O estilo cognitivo dos prodígios tende a emular consideravelmente o mesmo estilo que define a mente autista, a capacidade para encontrar detalhes.

Muitos gênios foram e são prodígios e você os verá principalmente em profissões de caráter técnico, onde a capacidade para encontrar padrões harmonicos e detalhes técnicos ou mecânicos, será mais requisitada. Isto é, voce verá este tipo de superdotado, o tipo precoce e que geralmente, apresentará maiores habilidades savant do que habilidades puramente criativas.

Prodígios e autistas tendem a ser mais altos que os seus pares durante a infância. Tudo nos leva a crer que exista uma simbiose significativa entre os dois. Se  o autismo é uma manifestação mais moderada da síndrome de savant, então ”a superdotação precoce” parece ser uma adaptação tanto da síndrome de savant quanto do autismo. Como quando os ”genes” que produzem o autismo assim como também a síndrome de savant, ”entram” em harmonia, ou combinam-se de maneira harmoniosa com o restante dos ”genes” que estão presentes e ativos no corpo, oferecendo mais benefícios do que custos.

 

Superdotação, esquizofrenicos e tdahs= criatividade

 

A esquizofrenia, geralmente, começa a se manifestar completamente a partir dos 20-25 anos de idade. Provavelmente, quando o cérebro termina a sua maturação, algum tipo de erro (que neste caso, é objetivamente ruim) inato acontece durante este processo produzindo a manifestação desta desordem mental. Os cérebros dos tdah também se assemelham aos cérebros de esquizofrênicos por que tendem a amadurecer mais tardiamente do que os cérebros dos seus pares sem a expressão desta condição. Tdah e esquizofrenia não são condições sindromicas identicas, mas compartilham a mesma janela ”de oportunidade cognitiva positiva”, isto é, espremer os limões mais azedos, mas fazer deles, umas limonadas com gostos mais bebíveis e até mesmo surpreendentemente gostosos.  Se a esquizofrenia só começa a se manifestar na vida adulta, para a maior parte dos casos, então parte-se do pressuposto de que os cérebros deste grupo também amadureçam tardiamente, porque a desordem final que é a esquizofrenia, se dará quando ”os fios forem todos encapados”.

Tdah e esquizofrenia partilham uma característica altamente relevante para a criatividade, a imaginação. Ambos parecem estar acima da média nesta categoria. Os esquizofrenicos são, infelizmente, aqueles que estão fora do controle de suas capacidades imaginativas, capacidade abstrata para encontrar e produzir novos padrões. O excesso de padrões perceptivos, tende a produzir confusão cognitiva e deprimir a capacidade de harmonização destas percepções.

Superdotados tardios poderão pertencer ao tipo dos  altamente criativos, mediante às suas possivelmente elevadas capacidades imaginativas e podem compartilhar similaridades etiológicas, tanto com a esquizofrenia quanto com a Tdah. Podem não, compartilham similaridades. O altamente criativo, poderá ser um superdotado tardio, porque os mais altos níveis de criatividade, tenderão a se manifestar justamente durante os 20-30 anos. E é justamente nesta faixa etária da vida que a esquizofrenia começa a se manifestar entre os portadores da condição, enquanto que por lógica, ela se manifestará parcialmente entre aqueles que são  portadores heterozigotos destas mesmas expressões fenotípicas.

Portanto, o estilo cognitivo prevalente entre os superdotados tardios, isto é, aqueles que não forem prodígios, será a criatividade imaginativa, que é resultante da maturação mais demorada dos cérebros, assim como também da herança parcial da esquizofrenia ou da tdah, que produzirá um maior controle cognitivo perceptivo, que tenderá a se manifestar totalmente a partir dos 20 anos, tal como acontece entre os portadores homozigotos desta condição sindromica.

A inibição latente baixa é um padrão comum tanto para a esquizofrenia quanto para Tdah, mas que será produzida por diferentes processos, onde a inibição  baixa da Tdah será causada pela incapacidade de filtração de estímulos exteriores, enquanto que na esquizofrenia, a incapacidade de filtração será interna e justamente por isso, se relacionará mais com emoções e pensamentos do que com interações com o mundo exterior. Ambas são terreno fértil para a criatividade.

Os superdotados altamente criativos, segundo esta extensão hipotética para a ”teoria do cérebro imprimido”, tenderão a ser caracterizados por baixo nascimento ao nascer, cérebros pequenos durante a infancia quando comparados com os seus pares ”normais”, amadurecimento mais lento do cérebro e relação simbiótica com esquizofrenia e com tdah.

Seus dons caminharão para serem mais diversificados, assim como eu sugeri em um texto anterior sobre o espectro autismo-esquizofrenia, principalmente em associação com maior capacidade criativa, isto é, imaginativa e ou de manipulação mental. Quando o cérebro do superdotado tardio chega ao completo amadurecimento, especialmente no caso da esquizofrenia parcial, acredita-se que terá chegado a ”janela de oportunidade cognitiva positiva”, semelhante em essencia conceitual com a janela demográfica (transição demográfica), ou seja, o momento em que a combinação de metade ou menos genes da esquizofrenia com o restante do cérebro, produzirá o ápice da capacidade criativa ou o começo do ápice, que poderá durar por muitos anos, dependendo de cada indivíduo.

Esta hipótese é uma extensão tanto da teoria do cérebro imprimido, quanto das minhas teorias sobre criatividade e autismo.

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