Sobre a necessidade de reinventar o modo como lidamos com a demência


Até 2050, o número de doentes deve triplicar, passando dos 150 milhões no mundo


Por Mariza Tavares, Rio de Janeiro

 

Demência é uma espécie de guarda-chuva que abrange diversas doenças que atingem cerca de 7% das pessoas acima dos 65 anos, sendo que o tipo mais comum é o Alzheimer, que representa entre 60% a 70% dos casos. É por isso que 21 de setembro, Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer, tem um significado especial. Com o progressivo envelhecimento da população, a expectativa é de que o número de pacientes com demência triplique, passando dos atuais 50 milhões para 150 milhões. A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que são 10 milhões de novos casos por ano, sendo que seis milhões em países de baixa e média renda e 55 mil no Brasil – onde o problema ganhará contornos dramáticos, dadas as deficiências do sistema público de saúde.

Condomínio que está sendo construído na França: pesquisadores acompanharão o dia a dia dos pacientes (Foto: Divulgação)Condomínio que está sendo construído na França: pesquisadores acompanharão o dia a dia dos pacientes (Foto: Divulgação)

Condomínio que está sendo construído na França: pesquisadores acompanharão o dia a dia dos pacientes (Foto: Divulgação)

No entanto, mesmo em nações mais desenvolvidas, as perspectivas são desafiadoras. De acordo com a publicação “The Lancet Public Health”, a estimativa é de que, nos próximos 20 anos, um milhão de ingleses acima de 65 anos demandem cuidados 24 horas por dia. Outros quase 9 milhões nessa mesma faixa etária viverão de forma independente. Diante desse cenário, são bem-vindas todas as iniciativas inovadoras para abordar a questão, principalmente aquelas que substituem as instituições de longa permanência tradicionais por ambientes mais acolhedores. O conceito das pequenas cidades da demência (dementia villages) é uma dessas ideias. Começou na Holanda, país reconhecido por seu esforço de abraçar a causa da longevidade ativa, que saiu na frente com a “cidadezinha” de Hogeweyk, situada em Weesp. Criado há quase dez anos, o lugar tem ruas, jardins, mercado, restaurante, bar e teatro, e todas as atividades recebem a supervisão atenta da equipe. Suas 23 unidades de habitação abrigam 152 idosos: cada uma recebe de seis a sete moradores, mas cada um tem seu quarto e o grupo compartilha sala de estar e cozinha. Há sete estilos de decoração, do mais despojado ao sofisticado, para que os ocupantes possam se identificar com locais nos quais viveram antes – quanto mais familiar, menos desorientado tende a ficar o paciente.

Hogeweyk, na Holanda: conceito pioneiro voltado para idosos com demência (Foto: Divulgação)Hogeweyk, na Holanda: conceito pioneiro voltado para idosos com demência (Foto: Divulgação)

Hogeweyk, na Holanda: conceito pioneiro voltado para idosos com demência (Foto: Divulgação)

Nord Architects, empresa dinamarquesa de arquitetura, está construindo um condomínio em Dax, na França, que promete ir além. Ficará pronto ano que vem e uma das novidades é que o complexo também vai abrigar pesquisadores, que estudarão os benefícios desse tipo de ambiente em relação às instituições tradicionais. Pelo visto, não será muito difícil confirmar as vantagens desse tipo de condomínio, no qual os idosos podem se exercitar mais, conviver com a natureza e interagir socialmente. No fim de agosto, o jornal “The New York Times” publicou reportagem sobre novas experiências holandesas que poderiam servir de inspiração para empreendedores brasileiros. Em todas, um ponto em comum: buscar formas de diminuir o estresse desses pacientes. Pode ser através da música ou evocando memórias da infância, de aromaterapia ou massagem. Um exemplo: imagens de natureza projetadas no teto acalmam quem está preso a uma cama. Há ainda simulação de viagens, com paisagens que podem ser apreciadas da janela do “veículo”. Para o dia 21 de setembro, quero compartilhar um desejo: de que o viés hospitalar, que até hoje molda o tratamento das demências, se torne uma abordagem com os dias contados.

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