Por videoconferência, Beira-Mar é julgado por homicídio


Traficante é acusado de ter matado e torturado jovem em 1999.
Preso em Rondônia, Beira-Mar já tem quase 320 anos de pena acumulados.

Henrique Coelho Do G1 Rio

Fernandinho Beira-Mar é julgado via videoconferência (Foto: Henrique Coelho/G1)Fernandinho Beira-Mar é julgado via videoconferência (Foto: Henrique Coelho/G1)

O traficante Fernandinho Beira-Mar, que já tem 320 anos de prisão acumulados, enfrenta nesta terça-feira (18) mais um julgamento no Tribunal de Justiça do Rio. A acusação dessa vez é por homicídio triplamente qualificado de Michel Anderson Nascimento dos Santos.

O julgamento é por videoconferência, já que Fernandinho Beira-Mar está preso no presídio federal de Porto Velho, em Rondônia. Até o início da noite, o julgamento continuava, sem previsão para terminar.

O jovem de 21 anos foi torturado e morto em agosto de 1999, na Favela Beira-Mar, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, segundo a acusação. O motivo teria se envolvido com uma das namoradas de Beira-Mar.

Na época, a polícia interceptou uma ligação entre um homem que seria o traficante e a vítima. Na gravação, Michel descreve que os homens que estavam com ele já tinham arrancado seus dedos e orelha, e que o fizeram comê-la. No fim, é possível ouvir o barulho de tiros.

Testemunha
O delegado Ricardo Pereira foi a primeira testemunha a falar no julgamento. Ele disse que fez escutas telefônicas que foram usadas pela 59ª DP (Duque de Caxias) na investigação do crime.

“A escuta não foi solicitada pela polícia civil, e sim pela polícia federal”, afirmou o delegado. Segundo ele, o inquérito foi instaurado inicialmente como sequestro, que chegou a pedir a interceptação telefônica, e que somente depois disso a polícia civil ficou sabendo que havia escutas da polícia federal.

Beira-Mar se reservou ao direito de ficar calado durante a audiência. Em alguns momentos, parecia descontraído e sorriu.

Durante sua fala, o promotor do Ministério Público, Fabio Vieira, disse que o processo, que começou a tramitar em Duque de Caxias, mas foi transferido para a capital: “As pessoas que estivessem no juri talvez não tivessem isenção para julgar este caso, devido à influência de Beira-Mar naquela região, como atualmente ainda é, segundo a Secretaria de Segurança”, disse o promotor.

Já o advogado José Maurício Neville de Castro Junior, que representa Beira-mar, afirma que a ligação “era um trote”, e que o júri está julgando “um crime sem cadáver”. “Como alguém sem uma orelha, sem pé, vai falar comigo? Esse absurdo tem preço, doutor”, relatou o advogado ao lembrar de conversas com Beira-mar sobre o caso.

“O que está em jogo é a impunidade ou a possibilidade de um erro judiciário”, disse o advogado. Segundo ele, o Ministério Público não tem certeza de que Michel é a vítima.

Outras condenações
Em abril de 2015, O Tribunal do Júri  considerou Beira-Mar culpado por liderar uma guerra de facções, em 2002, dentro do presídio de segurança máxima Bangu I, no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, quando quatro rivais foram assassinados. Ele foi condenado a 120 anos de prisão.

Fernando Beira-Mar participa de audiência via videoconferência (Foto: Henrique Coelho/G1)Fernando Beira-Mar participa de audiência via videoconferência (Foto: Henrique Coelho/G1)
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