Resolvendo conflitos com a PNL


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sab, 08/07/2006

O conflito é definido como “um estado de desarmonia entre pessoas, ideias ou interesses incompatíveis ou opostos.” Psicologicamente, o conflito é um luta mental, algumas vezes inconsciente, que resulta quando representações diferentes do mundo são mantidas em oposição ou exclusividade. Os conflitos podem ocorrer tanto entre as nossas próprias partes internas (conflitos internos) como externamente com os outros (conflitos interpessoais).

Internamente, os conflitos ocorrem entre partes diferentes da experiência humana e em muitos níveis. Os conflitos, por exemplo, também podem ocorrer com relação aos comportamentos. Uma pessoa pode, por um lado querer assistir a um programa de televisão, mas por outro lado pode querer sair para fazer ginástica. Os conflitos também podem ocorrer entre várias capacidades, como entre a criatividade e o protecionismo.

Uma pessoa pode ter crenças ou valores conflitantes. O indivíduo pode acreditar que, por um lado é apropriado aprender matemática, mas não acredita que ele possa aprender. Isso irá conduzi-lo para uma luta com relação ao aprendizado de matemática. Os conflitos no nível da identidade ocorrem muitas vezes com respeito ao papel que se deve exercer. Uma pessoa pode experimentar conflitos entre seus deveres como progenitor por um lado e como profissional pelo outro.

De modo interpessoal, os mapas da realidade de diferentes indivíduos são algumas vezes tão diversos que surgem “turbulências” quando eles tentam se comunicar ou interagir juntos. Suposições básicas, crençasvalorespressuposições sobre o mundo se agrupam para criar modelos diferentes da realidade. Quando esses modelos ou mapas não contém mecanismos para reagir criativamente às “turbulências” com os outros mapas, a energia é liberada na forma de discórdias, disputas, lutas ou outras formas de conflito. Negociaçãomediação e arbitragem são formas de administrar conflitos interpessoais.

‘Partes’ conflitantes

Algumas vezes, a pessoa experimenta estar “incongruente,” estar num “conflito interno,” com “duas cabeças” ou “estranha” com ela mesma. Essas questões não se relacionam à pressões externas, mas sim as estruturas muito profundas dentro da própria pessoa – a conflitos entre diferentes ‘partes’ do nosso próprio sistema mental. Em outras palavras, essas questões se relacionam a conflitos entre o si mesmo e o si próprio. Freud acreditava que tais lutas internas eram, basicamente, a causa de muitos problemas psicológicos. Como ele sustentava:

“Um lado da personalidade representa certos desejos, enquanto a outra parte luta contra eles e age defensivamente para não ser prejudicada. Não existe neurose sem conflito desse tipo.”

De acordo com Freud:

O conflito é produzido pela frustração… a fim de se tornar patogênico, o conflito externo deve ser suplementado por frustração interna… a frustração externa remove uma possibilidade de satisfação, a frustração interna tenta excluir outra possibilidade, e é essa segunda possibilidade que se torna a razão do debate do conflito.

Numa situação típica, se nós somos impedidos de atingir uma meta devido a um obstáculo externo, nós mantemos o nosso foco no resultado, inibimos qualquer “ideia contrária” e continuamos tentando outras possibilidades ou estratégias a fim de obter a meta.

Porém, se existir um conflito interno, altera a “razão do debate” interno, e uma batalha começa entre as duas partes do eu da própria pessoa. Como Freud chama a atenção, a frustração externa é suplementada pela frustração interna. É como se a pessoa estivesse “presa entre uma rocha e um lugar duro.” E quando a luta é entre as duas partes do eu da pessoa, o eu nunca pode “vencer.” Freud afirmou:

O conflito não é resolvido ajudando um lado a conquistar a vitória sobre o outro … em qualquer evento, um lado sempre vai ficar insatisfeito.

Tentar resolver esse tipo de conflito anulando um dos lados, como alguém previsivelmente faria com “ideias contrárias,” cria um ‘duplo laço’ no qual você é “culpado se fizer e culpado se não fizer.” É como se a luta fosse entre essas duas intenções conflitantes e não entre a intenção e a incerteza de que se aquilo será concluído. Isso torna a situação diferente da que está dirigida pela ressignificação, em que a questão fundamental é não entender a intenção da parte que não está sendo ouvida. Neste caso, o foco está num comportamento problemático particular. A resolução inclui descobrir a intenção por detrás do comportamento e produzir escolhas alternativas a fim de atingir a intenção. No caso de conflito, entretanto, é a confrontação das intenções contrárias que está em questão. Como as partes não se entendem, nenhuma alternativa que satisfaça diretamente as duas intenções poderá ser apresentada.

Além disso, como o conflito interno não está baseado em eventos externos ou resultados, ele não pode ser resolvido pelo feedback de alguma fonte externa. De fato, em tal situação, qualquer coisa pode se tornar um estímulo (ou desculpa) para uma briga. Mesmo as mais simples decisões conduzem para uma luta – a luta que nunca será resolvida porque não é realmente sobre o teor da decisão mas sobre a estrutura mais profunda abaixo dela.

O constante estresse resultante do conflito e da frustração pode conduzir a outros sintomas, inclusive sintomas físicos. Esses sintomas também se tornam a “razão do debate” para as partes conflitantes. Como os sistemas procuram alcançar o equilíbrio ou a homeostase, certos sintomas podem na verdade propiciar um poderoso sinal de “conciliação” entre as partes conflitantes. Como Freud afirmava:

As duas forças que entraram em oposição se encontram de novo no sintoma e se harmonizam por meio da conciliação contida na formação do sintoma. É por isto que o sintoma é capaz de tanta resistência; ele é sustentado pelos dois lados… É uma batalha entre duas forças em que uma teve sucesso entrando no nível da pré-consciência e da parte consciente da mente, enquanto a outra ficou confinada no nível inconsciente. É por isto que o conflito nunca pode ter um resultado final por um meio ou por outro… Pode-se obter uma decisão efetiva somente quando as duas forças se enfrentarem no mesmo terreno. E, na minha opinião, essa é a única tarefa do tratamento.

Integração dos conflitos

A integração do conflito se refere ao procedimento da PNL pelo qual as repostas contraditórias ou incompatíveis, as “partes” ou processos cognitivos são classificadas e resolvidas. A integração dos conflitos é uma das intervenções mais importantes da PNL e é essencial para a resolução de muitos problemas mentais, físicos e interpessoais.

De acordo com Grinder e Bandler (A Estrutura da Magia Volume II, 1976), as etapas básicas da integração de conflitos incluem:

  1. Identificar as incongruências do cliente percebendo as contradições nas mensagens verbais e não verbais.
  2. Classificar as incongruências do cliente em polaridades por meio da classificação espacial, fantasia (símbolos), sistemas representacionais, interpretação de um papel ou das categorias de Satir (Acusador, Apaziguador, Congruente e Evasivo).
  3. Integrar as incongruências do cliente – primeiro fazendo contato entre as polaridades, e depois alcançando uma metaposição da onde se reconciliam as polaridades de uma maneira nova.

O processo de integração dos conflitos que foi incluído no A Estrutura da Magia Volume II é a identificação e reconhecimento das intenções positivas das duas partes envolvidas.

Uma grande parte do processo de integração dos conflitos da PNL inclui as experiências de classificação em seus níveis apropriados a fim de evitar confusões e aborrecimentos desnecessários. A típica abordagem para a resolução de conflitos na PNL é primeiro segmentar para o nível acima do conflito para descobrir o consenso com relação as intenções positivas de “nível mais elevado.” O segundo passo inclui a segmentação para o nível abaixo do qual está ocorrendo o conflito. Nesse “nível mais baixo” é possível descobrir recursos “complementares” relacionados com as partes do sistema que aparentemente estão em conflito.

Resolvendo um problema num nível diferente do pensamento que está criando o problema

PNL fornece muitas habilidades e ferramentas destinadas a tratar e resolver conflitos tanto internos como interpessoais. Isso inclui as técnicas de ressignificação, integração dos conflitos, alteração de posições perceptivas e muitas habilidades de comunicação fundamentais como o metamodelocalibração e métodos de comunicação não verbais.

O processo de integração dos conflitos foi inicialmente desenvolvido para tratar conflitos internos dentro de um indivíduo, e também se tornou o fundamento para os modelos de negociação da PNL. Abaixo temos uma visão geral da abordagem básica da PNL para o tratamento de conflitos.

  1. Identifique claramente as questões essenciais envolvidas no conflito. Essas questões serão representadas tanto como opostas ou polaridades. Determine em que nível lógico o conflito está mais focado. Por exemplo: investir ou gastar dinheiro versus economizar o dinheiro = um conflito no nível de comportamento.
  2. Estabeleça uma ‘metaposição’ imparcial e claramente distinta dos dois grupos em conflito.
  3. Descubra uma intenção ou propósito positivo por trás das questões de cada grupo. A intenção positiva estará necessariamente num nível mais elevado do que as questões que criaram o conflito. (“Você não pode resolver um problema no mesmo nível do pensamento que está criando o problema.”) Tipicamente as intenções positivas não serão opostas ou polaridades. Elas são muitas vezes complementares, e sistematicamente benéficas embora opostas individualmente. Por exemplo: gastar dinheiro = “desenvolvimento”; economizar dinheiro = “segurança”
  4. Certifique-se de que cada grupo reconhece e admite a intenção positiva do outro. Isso não significa que qualquer um dos dois grupos têm que aceitar o método que o outro está adotando para satisfazer a intenção positiva, nem isso significa que qualquer um dos grupos têm de transigir a sua posição.
  5. A partir da ‘metaposição,’ continue ‘segmentando para cima’ até ser identificada uma intenção comum num nível mais elevado em que os dois grupos compartilhem. Por exemplo: otimização de recursos.
  6. Explore outras alternativas para alcançar a intenção compartilhada pelos dois que estão produzindo o conflito. Isso pode incluir a mistura das duas escolhas existentes, mas deve incluir pelo menos uma alternativa que é completamente distinta das duas em conflito. (por exemplo: Investir algum dinheiro e economizar algum dinheiro, emprestar dinheiro, criar uma alternativa para produção de renda, achar um parceiro investidor, reduzir alguns gastos para esse dinheiro ser investido em outras áreas, etc.)
  7. Identifique que escolha ou combinação de escolhas serão as mais efetivas e ecologicamente satisfaça, de maneira sistemática, a intenção comum e as intenções positivas individuais com o máximo impacto positivo.

Referências:

The Structure of Magic Volume II, Grinder & Bandler, 1976.
NLP Volume I, Dilts, R., Grinder, J., Bandler, R. and DeLozier, J., 1980.
Resignificando, Bandler, R. and Grinder, J., Summus Editorial
Changing Belief Systems with NLP, Dilts, 1990.
Crenças – caminhos para a saúde e o bem-estar, Dilts, Hallbom, T. & Smith, S., Summus Editorial
A estratégia da genialidade II, Dilts, R., Summus Editorial
É autor junto com Judith DeLozier da Encyclopedia of Systemic NLP and New Code –

Artigo publicado no site www.nlpu.com de Robert Dilts com o título “Resolving Conflicts With NLP

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