Vagas ainda são poucas, mas Comperj volta a contratar após 03 anos parado


Três anos depois da paralisação das obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) — que foram suspensas em meio a denúncias de corrupção na Operação Lava-Jato e após uma baixa contábil de R$ 21,8 bilhões no balanço da Petrobras de 2014 —, as ruas de Itaboraí estão novamente cheias. Na terça-feira passada, os primeiros contratados pela empresa que retomará as obras se reuniram para uma assembleia do sindicato local. São, ao todo, 250 operários. Muitos, após uma longa espera, aceitaram voltar ao trabalho por salários bem menores em postos que exigem menos qualificação.

No auge das obras, o Comperj chegou a reunir 30 mil trabalhadores. A Petrobras investiu US$ 14 bilhões no complexo mas, até a paralisação do projeto, não tinha saído da fase de terraplanagem.

No fim de março, a estatal assinou um contrato de R$ 1,9 bilhão com o consórcio formado pela chinesa Shandong Kerui e a Método Potencial para construir a Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN), em Itaboraí, que irá processar 21 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Empregados nas Empresas de Montagem e Manutenção Industrial do Município de Itaboraí (Sintramon), Paulo César dos Santos, cerca de 250 trabalhadores foram convocados para essa nova fase. Mas ele se queixa de que a empresa não está priorizando a mão de obra local:

— Eles estão trazendo pessoal de Minas Gerais, do Espírito Santo e do Sul.

DE SOLDADOR A AJUDANTE

Maurílio Costa tem qualificação como operador de tratamento térmico, esmerilhador e soldador. Após três anos desempregado, voltou a trabalhar no Comperj, mas como ajudante, o menor salário de todas as funções: R$ 1.391,50.

O lixador e esmerilhador Diones Antunes Bacelo está na mesma situação. Após trabalhar no Comperj de 2012 a 2015, foi entregador de água. Agora, conseguiu ser recontratado, mas também para atuar nas obras como ajudante.

  

O soldador Anderson Alves estava desempregado e é outro que se viu obrigado a aceitar a oportunidade de ajudante na Enaval, responsável pela preservação e manutenção de equipamentos no Comperj, recebendo um salário que equivale à metade do que receberia como soldador.

— Eu fazia uns bicos de motoboy, mas roubaram a minha moto — contou.

Em nota, a Kerui Método informou que a empresa tem priorizado a contratação de mão de obra local e, até a data de hoje, possui 92% de mão de obra direta da região do Conleste (que reúne cidades do Leste Fluminense), sendo 79% do município de Itaboraí. O recrutamento vem sendo realizado de acordo com a necessidade do projeto. Ainda segundo a empresa, a obra atingirá o seu pico de contratação em meados de junho de 2019, com demanda de aproximadamente 1.300 trabalhadores diretos. Mas, até o fim de 2018, a previsão é de 600 novas vagas. Já a Enaval não se pronunciou até o fechamento desta edição.

O presidente do Sintramon acrescenta que as outras empresas que também vão atuar no empreendimento, como Mip Engenharia, Tubovia, Construtora Brasil, Azevedo & Travassos, devem abrir vagas até agosto deste ano, totalizando 5.000 contratações. Informação que gera esperança em muitos ex-trabalhadores do Comperj.

Roberto de Souza Gomes, açougueiro em um supermecado de Itaboraí, espera voltar a trabalhar como motorista para ganhar um salário mais alto. Já o encanador industrial Aldo Roque Pereira, que veio da Bahia por causa do complexo petroquímico, acredita que terá a oportunidade de trabalhar na manutenção. Enquanto isso não acontece, há três anos desempregado, ele faz bicos de pintor, ajudante de obra e encanador doméstico.

— Eu chegava a ganhar, com hora extra, R$ 4 mil. Hoje, quando tem algum trabalho, tiro na diária de R$ 50 a R$ 150. Tive até que mudar de casa porque não dava conta de pagar o aluguel — conta. ( Fonte)

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