Alzheimer – Manejo de sintomas


 

Lidar com os sintomas requer enfrentar mudanças e essa é sempre uma tarefa difícil quando as mudanças não são bem vindas. Existem muitas formas de lidar com as alterações mas nem sempre são adequadas para uma boa condução da situação.

Manejos inadequados:

  • Reações emocionais negativas: Quando o paciente é tratado com irritabilidade, impaciência ou agressividade favorecendo conflitos, a atitude negativa pode causar mal estar prolongado e favorecer distanciamento, o que pode gerar de sentimentos paralisantes como a impotência, tristeza, desânimo e intensa dificuldade de presenciar perdas.
  • Indiferença: ignorar a fala, desejos e atitudes do paciente porque ele não se recordará depois pode significar um desinvestimento na pessoa com a doença de Alzheimer e enfraquecer os vínculos. Essa atitude, que reflete desistência, acontece quando o familiar busca no contato o relacionamento prévio, e, como não encontra, não é capaz de ter flexibilidade para trilhar novas possibilidades. Do ponto de vista do paciente a falta de respostas favorece a passividade ou ainda pode exacerbar confusão e até agressividade.
  • Insistência, solicitar que o paciente faça o que não mais consegue e insistir para que consiga não fará com que a função se recupere e pode ser atitude que indica a não aceitação dos sintomas. É importante tomar cuidado para não atribuir insistência à técnica de treino ou estimulação. Essa postura pode ser considerada inadequada por desconsiderar dificuldades e levar ao paciente a uma sensação contínua de fracasso, o que abala sua autoestima e prejudica seu funcionamento ao exacerbar a insegurança. Cumpre ressaltar que insistência está sendo tratada aqui em relação à tentativa de reversão de incapacidades e não como forma de garantia de cuidados como os envolvendo saúde e higiene.
  • Aceitação com permissividade excessiva: a identificação dos sintomas e a compreensão que as atitudes do paciente não são, em grande parte, coerentes, voluntárias, e nem provocativas é muito importante. Entretanto, a mera aceitação que ocorre sem acompanhamento ou controle de situações de risco mostra postura permissiva sem tentativa de cuidado ou imposição de limites. Aponta para crença errônea de que nenhum investimento no paciente gerará retrorno. Ao dar o direito ao paciente para decidir quanto come, quando dorme, se faz uso de práticas de higiene ou se toma os remédios por exemplo, delega-se a ele uma responsabilidade por suas escolhas, situação que pode ser incompatível com suas capacidades e que pode expô-lo a prejuízos na saúde, falta de segurança e ainda gerar problemas nas rotinas domiciliares.

Manejos adequados:

  • Aceitação com estimulação: Aceitar a doença envolve além de identificar sintomas, compreender que a pessoa está diferente e que novas abordagens são necessárias diante de novas necessidades, capacidades e realidade. Em uma situação de aceitação com estimulação adequada há o fornecimento de alternativas e auxílios, frente às dificuldades ou impasses, minimizando o estresse e oferecendo soluções compatíveis com o funcionamento, garantindo bem estar e participação ativa do paciente em sua vida.
    Distração: Algumas situações podem ser muito difíceis de contornar no convívio diário com os pacientes quando apresentam intensa resistência, frequente insistência ou envolvem-se em temas que gerarão muito sofrimento. Diante de postura rígida da pessoa com demência ou para protegê-la de angustia e sofrimento pode-se usar a estratégia de distração. Mudar de assunto ou desviar a atenção em prol do paciente (Ex.:
  • Dissolver comprimido em alimento) podem ser alternativas para minimizar confrontos e discussões bem como evitar sofrimentos repetidos desnecessariamente (Ex.: Receber notícia de falecimento quando acompanhada de perplexidade e exposição à intensa dor inúmeras vezes). Essa técnica deve ser usada com cautela desde que tenha sido criado impasse que necessite de interrupção. O uso indiscriminado dessa estratégia pode favorecer a confusão visto que a sensação constante de assuntos inacabados pode contribuir para mal estar associado ao mal funcionamento.
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