MÉTODO RAJA IOGA DE MEDITAÇÃO


 

(Sugestões preliminares para aqueles que desejam ir além do estágio de iniciante)

Patânjali foi um compilador de ensinamentos que, até o seu aparecimento, haviam sido transmitidos oralmente durante muitos séculos. Ele foi o primeiro a fornecer por escrito os ensinamentos para a utilização dos estudantes e, por isto, é considerado como o fundador da Escola da Raja Ioga.

A data do nascimento de Patânjali é desconhecida e há muita controvérsia sobre este assunto. A maioria das autoridades ocidentais dá esta data como situada entre os anos 820 e 300 AC, embora um ou dois a localizam depois de Cristo. Contudo, as próprias autoridades hindus que se supõe tenham algum conhecimento sobre o assunto, a situam em época muito anterior, até mesmo 10.000 anos AC.

Os Aforismos da Ioga são o ensinamento básico da Escola Transhimalaia, à qual pertencem muitos dos Mestres de Sabedoria, e muitos estudiosos afirmam que os essênios e outras escolas de treinamento e pensamento místicos, intimamente ligadas ao fundador do Cristianismo e aos primeiros cristãos, estão baseados neste mesmo sistema e que seus instrutores foram preparados na grande Escola Transhimalaia.

O primeiro passo para obter este desenvolvimento é a concentração, ou a habilidade de manter a mente firme e sem se desviar, sobre o que o aspirante escolher. Este primeiro passo é um dos mais difíceis estágios no processo da meditação e envolve a habilidade contínua e ininterrupta em trazer a mente de volta para o “objeto” sobre o qual o aspirante decidiu concentrar-se. Os estágios da concentração são, por sua vez, bem definidos, e podem ser enunciados como se segue:

1 – Escolha de algum “objeto” sobre o qual concentrar-se.

2 – A retirada da consciência da mente da periferia do corpo, de modo que as vias de percepção e de contato (os cinco sentidos) sejam aquietadas e a consciência não mais se dirija para fora.

3 – O centrar da consciência, mantendo-a firme, no interior da cabeça, num ponto a meia distância entre as sobrancelhas.

4 – A aplicação da mente, ou a manutenção de uma atenção firme, sobre o objeto escolhido para a concentração.

5 – A visualização, a percepção imaginativa e um raciocínio lógico a respeito do objeto.

6 – A extensão dos conceitos mentais que foram formulados, do particular e específico para o geral e o universal ou cósmico.

7 – Uma tentativa para chegar ao que está por trás da forma considerada, ou para alcançar a ideia que é responsável pela forma.

Este processo aumenta gradualmente a consciência e permite que o aspirante chegue ao aspecto vida da manifestação em vez de chegar ao aspecto forma. Ele começa, no entanto, com a forma ou “objeto”. Os objetos sobre os quais se deve concentrar são de quatro espécies:

1 – Objetos externos, tais como imagens de divindades, retratos ou formas da natureza.

2 – Objetos internos, tais como centros do corpo etérico.

3 – Qualidades, tais como as diversas virtudes, com o propósito de despertar o desejo para a obtenção destas virtudes, incorporando-as assim, à vida pessoal.

4 – Conceitos mentais ou as ideias que encarnam os ideais que estão por trás de todas as formas animadas. Estes podem tomar a forma de símbolos ou de palavras.

Foi a conscientização da necessidade de “objetos” na concentração que deu origem à exigência de imagens, esculturas sacras e pinturas. Todos estes objetos acarretam o emprego da mente concreta inferior e este é o necessário estágio preliminar. Sua utilização leva a mente a uma condição controlada, de modo a que o aspirante possa levá-la a fazer exatamente o que desejar.

Os quatro tipos de objetos mencionados acima levam o aspirante gradualmente para o interior e o capacitam a transferir sua consciência do plano físico para o reino etérico, e daí para o mundo de desejos ou das emoções e assim até o mundo das ideias e conceitos mentais.

Este processo, que se realiza no cérebro, leva o homem inferior todo a um estado de atenção coerente dirigida, estando todas as partes de sua natureza dirigidas para a obtenção de uma atenção fixa ou uma concentração de todas as faculdades mentais. A mente, então, não mais vagueia sem firmeza e para o exterior, mas sim, está inteiramente “com a atenção presa”. Esta clara, dirigida e calma percepção de um objeto sem que nenhum outro objeto ou pensamento penetre na consciência da pessoa, é uma realização muito difícil, e quando pode ser feita durante doze segundos, obtém-se a verdadeira concentração.

A meditação nada mais é que a extensão da concentração e cresce da facilidade que o homem conquista em “fixar sua mente” segundo sua vontade, sobre qualquer objeto. Enquadra-se nas mesmas regras e condições que a concentração e a única distinção entre as duas é o elemento tempo.

A NECESSIDADE DE CUIDADO NA MEDITAÇÃO

A Energia Segue o Pensamento

A lei fundamental que governa todo o trabalho de meditação é antiga, formulada pelos videntes da Índia séculos atrás, que “a energia segue o pensamento”. Do nível das ideias (ou do conhecimento da alma) a energia derrama-se pouco a pouco nas mentes densas dos homens, e todos os atuais movimentos progressistas, de bem estar público e de melhoria grupal, podem ser atribuídos a ela, bem assim os conceitos religiosos e os conhecimentos exteriores das Causas que produzem objetividade.

Qualquer forma, seja a de uma máquina de costura, seja a de uma ordem social ou de um sistema solar, pode ser enunciada como a materialização do pensamento de algum pensador ou grupo de pensadores. É uma forma de trabalho criativo, tendo sido todo o trabalho concentrado com energia de uma espécie ou outra. O estudante de meditação deve, portanto, lembrar-se que ele está sempre trabalhando com energias e que estas energias variam e terão um efeito preciso sobre a natureza da forma.

Torna-se evidente, portanto, que o homem que está aprendendo a meditar deve esforçar-se por fazer duas coisas:

Primeiro: Aprender a guardar na mente para depois interpretar corretamente o que foi visto e contatado, e então transmiti-lo correta e precisamente ao cérebro atento e impressionável.

Segundo: Deve aprender a natureza das energias contatadas e treinar-se para utilizá-las corretamente. Pode-se dar aqui uma ilustração prática universalmente reconhecida. Quando somos varridos pelo ódio ou irritação, instintivamente começamos a gritar, a berrar. Por quê? Porque a natureza emocional tem-nos nas suas garras. Aprendendo a controlar a energia da palavra falada, começamos a dominar este tipo particular de energia emocional.

A história completa do trabalho de meditação está condensada nestas duas ideias de interpretação e transmissão exatas da energia e do uso certo da energia. Torna-se também evidente qual o problema com que se confronta o estudante, e por que todos os professores prudentes da técnica da meditação insistem com seus discípulos sobre a necessidade de proceder lenta e cuidadosamente.

A Necessidade de Discriminação

Os estudantes devem aprender a discriminar entre os campos de percepção que se lhes podem abrir, na medida que se tornam mais sensíveis à impressão. Consideremos, brevemente, alguns fenômenos da mente inferior, que os estudantes constantemente interpretam erradamente.

Registram, por exemplo, um encontro enlevante com o Cristo ou com alguma Grande Alma, que lhes apareceu quando meditavam, sorrindo-lhes e dizendo: “sede de ânimo elevado. Estais fazendo grandes progressos. Sois um trabalhador escolhido e a verdade revelar-se-vos-á”, ou algo semelhante. Que aconteceu, realmente? Terá o estudante realmente visto o Cristo?

Lembremo-nos aqui do truísmo que “os pensamentos são coisas” e que todos os pensamentos tomam forma. O poder da imaginação criativa está apenas começando a ser pressentido, e é possível ver-se justamente o que se quer ver, mesmo que nada haja lá. O desejo do aspirante de progredir e o seu denodado esforço forçaram-no a despertar ou tornar-se consciente no plano psíquico, o plano das imaginações vãs, do desejo e das suas realizações ilusórias.

O mundo da ilusão está cheio destes pensamentos-forma, construídos pelos pensamentos amorosos dos seres através das épocas, e aquele que medita, trabalhando através de sua natureza psíquica (a linha de menor resistência para a maioria) entra em contato com tal pensamento-forma, toma-o como real e o imagina dizendo tudo o que quer ouvir. Todos nós estamos em perigo de ser iludidos da mesma maneira, quando começamos a meditar, se a nossa mente discriminadora não estiver alerta ou se tivermos uma aspiração secreta de proeminência espiritual, ou sofremos de algum complexo de inferioridade que deve ser neutralizado.

O ponto que cada estudante de meditação deve sempre conservar na mente, é que todo conhecimento e instruções são enviados para a mente e para o cérebro pela sua própria alma; é a alma que ilumina o seu caminho. Os Instrutores e os Mestres da raça trabalham através das almas. Portanto, o primeiro dever de cada aspirante deve ser a realização perfeita da meditação, serviço e disciplina, e não contatar alguma Alma elevada. É menos interessante, mas preserva-o da ilusão. Se ele fizer isto, os resultados mais elevados se manifestarão por si mesmos.

Portanto, caso lhe surja uma aparição ou uma entidade lhe faça comentários triviais, ele fará uso do mesmo julgamento que faria nos negócios ou na vida cotidiana caso alguém lhe viesse dizer: “Um grande trabalho está nas suas mãos, você o está fazendo bem. Nós vemos e sabemos, etc, etc…” Provavelmente rir-se-ia e continuaria com a atividade ou o dever do momento.

O primeiro mundo que o aspirante contata é usualmente o psíquico, e este é o mundo da ilusão. Este mundo tem os seus usos e entrar nele é uma experiência muito valiosa desde que se mantenham as regras do amor e da impessoalidade, e se todos os contatos forem feitos com a mente discriminadora e o senso comum. É útil tomar nota do que viu e ouviu e depois esquecer, até à altura em que começamos a atuar no reino da alma; então, não estaremos mais interessados na sua recordação.

Escritos Inspirados

Outro efeito da meditação, muito prevalecente nesta época, é a inundação dos escritos pseudoinspirados que têm surgido com grandes pretensões por toda a parte. Emanam de diferentes fontes interiores. São curiosamente semelhantes; indicam um espírito amoroso de aspiração; não dizem nada de novo, e repetem o que já se disse tantas vezes antes; estão cheios de afirmações e frases que os ligam com os escritos dos místicos ou com o ensinamento cristão; podem conter profecias quanto a acontecimentos futuros (geralmente sombrios e terríveis, e raras vezes, se é que alguma vez, de natureza feliz).

Como distinguir, perguntar-se-á muito oportunamente, os escritos verdadeiramente inspirados do conhecedor verdadeiro, dessa massa literária que inunda as mentes do público atualmente?

O escrito verdadeiramente inspirado será inteiramente sem autorreferências; ressoará uma nota de amor e será livre de ódios e barreiras raciais, transmitirá um conhecimento real e trará consigo uma nota de autoridade pelo seu apelo à intuição; responderá à lei das correspondências e estará em harmonia com a visão do mundo; acima de tudo, trará a marca da Sabedoria Divina e conduzirá a raça um pouco mais para frente.

Os verdadeiros servidores da raça e os que contatarem o mundo da alma através da meditação não têm tempo para superficialidades, não estão interessados na boa opinião de qualquer pessoa encarnada ou desencarnada, e preocupam-se apenas com a aprovação da própria alma e estão vitalmente interessados no trabalho de vanguarda do mundo. Nada farão que alimente o ódio e separatividade ou que fomente o medo. Atiçarão a chama do amor onde quer que vão. Ensinarão a fraternidade na sua verdadeira inclusividade, e não um sistema que ensine a fraternidade a uns poucos e deixe os restantes de fora.

Reconhecerão todos os homens como filhos de Deus; não considerarão uma raça como melhor que qualquer outra, embora reconheçam o plano divino e o trabalho que cada raça tem que fazer. Em suma, ocupar-se-ão em educar o caráter dos homens e não desperdiçarão o seu tempo destruindo personalidades e tratando de efeitos e resultados. Trabalham no mundo das causas e enunciam princípios.

Problemas da Superestimulação

Os estudantes queixam-se frequentemente de superestimulações e de um tal aumento de energia que ficam incapazes de a controlar.

Dizem-nos que quando tentam meditar, têm uma inclinação para chorar, ou para ficarem impropriamente inquietos; têm períodos de intensa atividade em que se surpreendem andando de um lado para outro, a servir, falar, escrever, e trabalhar. Outros queixam-se de dores de cabeça, de enxaquecas por vezes imediatamente em seguida à meditação ou de vibrações desconfortáveis na fronte ou na garganta e tornam-se incapazes de dormir.

De fato, estão superestimulados. Estes problemas são as perturbações do principiante na ciência da meditação e devem ser tratados com cuidado. Manejados corretamente, desaparecerão rapidamente, mas se forem ignorados poderão ocasionar problemas sérios. O aspirante esforçado e interessado, a esta altura, está de tal modo ansioso por controlar a técnica da meditação que ignora as regras dadas, apesar de tudo o que o instrutor lhe diga, ou dos avisos que receba.

Em vez de aderir à fórmula de quinze minutos, tenta forçar o passo e ir para os trinta minutos. Em vez de seguir este esquema que está de tal maneira organizado, que leva cerca de quinze minutos para ser realizado, tenta manter a concentração tanto tempo quanto possível, esquecendo-se que, neste estágio do seu treino, está aprendendo a concentrar-se e não a meditar. Assim, sofre e tem um esgotamento nervoso, ou um ataque de insônia e o seu instrutor e que recebe a culpa e a ciência é considerada perigosa. Contudo, o culpado é ele próprio. Quando ocorrem algumas destas complicações primárias, o trabalho de meditação deve ser temporariamente interrompido ou reduzido.

Nos tipos mentais, ou no caso dos que já têm uma certa facilidade em “centrar a consciência” na cabeça, são as células cerebrais as superestimuladas, o que provoca dores de cabeça, falta de sono, uma sensação de estar cheio, ou uma vibração perturbadora entre os olhos, ou no alto da cabeça. Por vezes registra-se uma luz que cega como um relâmpago repentino de luz ou de eletricidade, observado com os olhos fechados num quarto às escuras, ou às claras.

Quando for este o caso, o período de meditação deve ser reduzido de quinze para cinco minutos, ou praticar-se a meditação em dias alternados, até que as células do cérebro se ajustem ao ritmo novo e à crescente estimulação.

Não é preciso ficar ansioso se for usado um julgamento sábio.

Nos tipos emocionais, sente-se primeiramente o problema na região do plexo solar. O estudante sente-se inclinado à irritação ou à preocupação; particularmente no caso das mulheres, pode-se encontrar a disposição para chorarem facilmente. Por vezes, há uma tendência para a náusea, pois há uma estreita relação entre a natureza emocional e o estômago, evidenciada na frequência de vômitos em momentos de choque, medo ou emoção intensa. As mesmas regras se aplicam como na primeira série de casos citados: bom senso e um uso lento e cuidadoso do processo da meditação.

Excesso de Sensibilidade

Mencionaremos outro resultado da superestimulação: as pessoas sentem que estão se tornando demasiadamente sensíveis. Os sentidos trabalham demasiado e todas as suas reações são mais apuradas. “Absorvem” as condições físicas e psíquicas daqueles com quem vivem; encontram-se “escancarados” aos pensamentos e ondas de outras pessoas.

A cura para isto não é diminuir os períodos de meditação – que devem ser mantidos conforme programa – mas se tornarem mais mentalmente interessados na vida, no mundo do pensamento, em qualquer assunto que tenda a desenvolver a capacidade mental. A cura efetuar-se-á por uma atenção focada na vida e em seus problemas e por alguma ocupação mental potente. É sempre necessário um desenvolvimento completo e o crescimento na vida espiritual deve ser acompanhado por uma mente treinada.

Estimulação Sexual

Muitas pessoas, particularmente homens, descobrem, quando começam a meditar, que a natureza animal requer atenção. Descobrem internamente desejos incontrolados, mais os efeitos fisiológicos que lhes causam problemas e desencorajamentos agudos. Uma pessoa pode ter uma alta aspiração e um impulso forte para a vida espiritual e, contudo, ter aspectos da sua natureza ainda incontrolados.

A energia que se derrama durante a meditação espalha-se pelo organismo e estimula o aparelho sexual. O ponto fraco é sempre descoberto e estimulado. A cura para esta situação pode resumir-se nas palavras: controle da vida dos pensamentos e transmutação.

O ensino oriental diz-nos que a energia, normalmente dirigida para o funcionamento da vida sexual, tem de ser elevada e transportada para a cabeça e a garganta, particularmente esta última, uma vez que ela é, como se diz, o centro do trabalho criativo. Para pô-lo em termos ocidentais, isto significa que aprendemos a transmutar a energia utilizada no processo procriativo ou em pensamentos sexuais, e a usá-la no trabalho da escrita criativa, numa obra artística, ou em alguma expressão da atividade grupal.

A transmutação não é certamente a morte de uma atividade ou a cessação do funcionamento de qualquer nível de consciência para a salvação de um superior. É a utilização correta dos vários aspectos da energia onde quer que o Eu sinta que eles devam ser usados para fazer progredirem os fins da evolução e para ajuda ao Plano.

O aspirante à vida do espírito conforma-se não só às leis do reino espiritual, mas também aos costumes legais da sua era e época. Portanto, regulariza a sua vida cotidiana de tal modo que o homem da rua reconheça a moralidade, a correção e a retidão da sua apresentação no mundo. É uma das ajudas mais importantes que podem ser dadas ao mundo neste momento é um lar baseado numa relação verdadeira e feliz entre um homem e uma mulher, assente em confiança mútua, na cooperação e na compreensão; e em que os princípios da vivência espiritual são realçados.

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