Nanossatélite brasileiro é lançado e — você já sabe, né?


Smart business executive who writes badly

Criados em 1999, os cubesats são uma excelente pensada fora da caixa. Em vez de bilhões de dólares, décadas de desenvolvimento e complexidade inimaginável, eles resolvem problemas simples de forma simples. São cubinhos Knorr de dez 10 cm de lado, pesando pouco mais de 1 kg, e em geral pegam carona em foguetes lançando satélites de verdade.

Eles são usados em coletas de dados, testes de tecnologias e quando seu país é pequeno, pobre mas esforçado, como o Equador, são motivo de orgulho nacional.

Há até projetos no Kickstarter onde colaborando com US$ 150,00 você ganha o direito de direcionar o satélite e fazer 15 fotos. Timesharing em um satélite espião, só seu! Amo o futuro.

Em 2013 a Escola Thomas Jefferson de Ciência e Tecnologia construiu o primeiro cubesat feito por estudantes, posteriormente lançado com ajuda da NASA. Esse tipo de trabalho é um senhor estímulo para as crianças, você não está plantando feijão ou fazendo sandália de pneu, você está construindo um fucking satélite e mandando-o para o fucking espaço.

No Brasil é de se esperar que isso não aconteça, dado nosso viralatismo e ódio a tudo que seja relacionado com ciência, a ponto de uma escola proibir um professor de fazer foguetes com garrafa PET e ar comprimido, por ser “perigoso”.

Por sorte há gente que não compra essa visão medíocre. Um deles é o Professor Cândido Moura, da Escola Municipal Tancredo Neves, de Ubatuba. Ele teve a idéia de engajar seus alunos em um projeto quixotesco: construir, no Brasil, com alunos de uma escola pública na faixa dos 12 anos um satélite.

O projeto cresceu, eles ganharam reconhecimento, foram visitar a NASA e apresentaram o projeto no Japão. Meninos e meninas tiveram seu futuro mudado por causa do projeto, que rendeu um documentário que assim como o satélite está pra ser lançado.

O Tancredo 1, como chamam o satélite, custou R$ 14 mil. Mil, não milhões, escola pública, lembra? Hoje em dia há um monte de empresas vendendo kits de cubesats, como o usado pelos alunos. O topo de linha da CubeSatKit por exemplo custa US$ 8.750,00.

Como todo kit é uma ferramenta de aprendizado, e pode ser agregado com tecnologias experimentais e soluções próprias, como os alunos da Tancredo Neves fizeram.

Enquanto isso, no Programa Espacial Brasileiro…

O INPE e o ITA entraram na brincadeira dos Cubesats também, mas como tudo no Brasil tem que ser grande, caro e não funcionar. Construíram o AESP-14, com tanta pompa e circunstância que tem até site em inglês.

Pois bem; provando que nós não sabemos mesmo construir satélites, o AESP-14 foi lançado da Estação Espacial. É muito bonito de se ver, os bichinhos são suavemente ejetados e se afastam lentamente…

cubesats

O Cubesat brasileiro (que nem é o primeiro) deveria realizar vários experimentos durante os 15 dias de autonomia da bateria. Deveria, mas como estamos falando de Brasil no Espaço, a antena não abriu, o satélite não teve como se comunicar com a Terra e o projeto fracassou.

Pra completar, o tamanho da facada. Um kit de Cubesat, tecnologia que você literalmente compra online, custa uns US$ 8.500,00 dependendo da loja. Quanto saiu o mais novo pedaço de lixo espacial, que vai matar o George Clooney?

R$ 400 mil.

E pra finalizar, de novo o estagiário do INPE foi rápido no gatilho. Lembra quando o CBERS-3 foi lançado, soltaram o release declarando sucesso pra 5 minutos depois o satélite cair na Antártica matando pinguins? Fizeram de novo. A Agência Espacial Brasileira soltou release celebrando o sucesso do lançamento do cubesat que nasceu morto.

É triste amar ciência no Brasil. Felizmente temos a gurizada de Ubatuba pra nos dar um fio de esperança.

Fonte: O Globo.

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