É possível produzir grafeno usando um liquidificador e detergente de cozinha


O grafeno é o supermaterial que dominará o futuro — mas sua produção ainda é feita em pequena escala, por ser muito complexa. Só que alguns cientistas descobriram que ele pode ser criado usando um liquidificador de cozinha e detergente de lavar louça. Mas não, não vai dar pra fazer todas as etapas do processo em casa 😦

Uma equipe de pesquisadores do Trinity College, na Irlanda, vem tentando descobrir a melhor maneira de aumentar a produção de grafeno, essas folhas de carbono que têm apenas um átomo de espessura. Atualmente, até mesmo as melhores técnicas de laboratório só podem gerar meio grama de grafeno por hora.

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A equipe sabia que era possível obter as finíssimas folhas de grafeno a partir de grandes blocos de grafite — a fórmula do grafite dos lápis é essencialmente composta de várias folhas de grafeno empilhadas juntas em camadas. Então eles se perguntaram qual era a forma mais eficaz de fatiar essas camadas.

Eles pegaram um misturador e um pouco de surfactante (adicionado para manter as camadas separadas) e, batendo o grafite no misturador, eles conseguiram um material que eles acreditavam ser grafeno; o microscópio eletrônico confirmou que eles realmente estavam produzindo a matéria mágica.

E a melhor parte é que eles conseguiram criar 5 gramas de grafeno por hora.

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Naturalmente, eles acreditaram que a escala de obtenção do material poderia ser aumentada. Mas o que poderia substituir um caríssimo misturador de laboratório e o uso do surfactante?

As respostas: um liquidificador de cozinha e um pouco de detergente líquido. O processo é bem simples: coloque algumas colheres de grafite no seu liquidificador, adicione água e detergente e então bata a mistura na velocidade mais alta. Você vai obter um líquido escuro cheio de espuma. Mas daqui em diante a coisa fica complicada.

Embora a técnica funcione, ela é meio temperamental. A quantidade exata de detergente a ser usada depende das propriedades do grafite usado e para determinar as medidas corretas é preciso dispor de um equipamento de química analítica que não é barato. A técnica também é incapaz de converter todo o grafite em grafeno, e além disso há o problema da separação. Basicamente, dá pra produzir esse líquido negro cheio de grafeno, mas não dá pra extraí-lo nem removê-lo no conforto do seu lar (a não ser que você seja um químico maluco a la Walter White e tenha toda a parafernalha a sua disposição).

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Mas mesmo que a técnica seja problemática para os químicos amadores, ela traz consigo várias promessas para o mercado industrial. Os cálculos sugerem que um grande recipiente com 10.000 litros do composto sendo mexido à velocidade correta poderia produzir 100 gramas de grafeno por hora e um esquema piloto já está sendo colocado em ação. Com todas as coisas legais que podem ser feitas com grafeno, esse tipo de produção em massa poderia tornar o supermaterial popular.

[Nature Materials via New Scientist / Imagem de destaque via Alin S ]

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