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Reportagem – Dani Costa
Caderno Leve a Vida – Jornal A Gazeta/ES: 02/01/2005

Muito se fala sobre felicidade. Ela costuma ser abordada por idosos, adultos, jovens e crianças. É discutida na TV, nos jornais, nas revistas. Por julgarmos que ela é essencial para a vida, medimos nossas ações no quanto poderemos ser felizes com as conseqüências dela, ou interpretamos os acontecimentos da vida sob a perspectiva do “estar feliz”. Mesmo quem não se considera feliz, sabe a importância da felicidade e preza por ela. No fundo, a maioria das pessoas acredita que ser feliz é o sentimento básico para se sentir vivo. Caso contrário, não haveria sentido.

Por ser um assunto abrangente e de interesse de todos, a felicidade se tornou um campo de estudos dentro da psicologia. Com o tempo, conquistou mais espaço e transformou-se em um tema especifico, chamado Psicologia Positiva ou simplesmente Psicologia da Felicidade.

A psicóloga Angelita Viana Côrrea Scardua explica que, assim como existem a Psicologia do Trabalho, do Desenvolvimento, da Personalidade, passou a existir então a Psicologia da Felicidade, o que trouxe uma nova perspectiva de análise psicológica dos indivíduos e da sociedade.

Essa é uma área muito nova, tem cerca de 20 anos. Mas nos Estados Unidos, por exemplo, psicólogos, pesquisadores e até o próprio Governo dedicam muita atenção a ela”…explica Angelita, que foi a primeira psicóloga do Brasil a realizar um trabalho acadêmico nessa área, aprovado por banca,  uma dissertação  de mestrado, defendida no ano de 2003., na USP de São Paulo.  Existe o projeto para que os cinco anos de pesquisa que deram origem à dissertação vire um livro, com título e data de lançamento a serem definidos.

Felicidade dos Brasileiros

A partir de várias pesquisas, Angelita Comparou as características de pessoas felizes que vivem nos Estados Unidos, Europa e Japão, países considerados ricos. A idéia era saber se o dinheiro pode influenciar na felicidade das pessoas. Afinal, vivemos em um país considerado “emergente” e, teoricamente, deveríamos ser menos felizes.

Ela descobriu que a situação financeira não é determinante para atingir a felicidade, já que os brasileiros pesquisados apresentaram as mesmas características dos estrangeiros pesquisados. “A felicidade tem a ver com atitude e determina traços de personalidade. É a nossa atitude diante da vida que vai definir se somos felizes ou não, independente de onde moramos ou em que situação financeira estamos”, explica.

De acordo com ela, a Psicologia Positiva não tenta encontrar fórmulas para a Felicidade, mas tenta identificar  o caminho percorrido por aqueles que se sentem felizes. Aparentemente, muito dependerá da maturidade psicológica de cada um. “Maturidade psicológica significa equilíbrio entre quem você é, o que você tem, e o que você quer ser e ter”, diferencia ela.

E para alcançar esse equilíbrio, a pessoa precisa se conhecer: saber identificar o que tem e quais as suas necessidades. Ou seja, o que é preciso para realização dos seus desejos. Todos tem algo que pode ser usado para o seu crescimento. Ter conhecimento disso é um passo importante para a maturidade psicológica.

A dentista Vanessa Venzon, 23 anos, acredita que a felicidade é uma palavra que serve para definir a junção de vários sentimentos, como amor, saudade, fé, alegria, entre muitos outros. “Por isso, não podemos nos dedicar apenas a uma coisa só, e sim a tudo que nos realize. Devemos lutar pela felicidade, jamais nos acomodar em uma situação que não nos faça feliz”.

A pequena, mais esperta Luana Alves Roris, 6 anos, concorda com a dentista e complementa: “ O que sempre me deixa feliz é estar com minha família, porque ela é o mais importante para mim. Acho que todo mundo devia tentar ser feliz . Então , temos que saber como conseguir isso”.

A empresária Elian Ramile,35, e o músico Fábio Calazans, 38, acompanham cada sorriso aberto da filha Laura, de 3 meses. Eles afirmam que poucas situações a deixam desconfortável e, geralmente, dispara uma quantidade enorme de sorrisos. “ Ela é feliz, podemos sentir isso. É como se já tivesse nascido de bem com a vida “, contam. Como manda a psicologia positiva,devemos tentar encarar cada dia como as crianças encaram, como se tudo fosse uma grande novidade. Sejamos felizes !

De Acordo Com a Psicologia Positiva, As Pessoas Felizes:

– TÊM BOM HUMOR – Essa é uma característica da maturidade psicológica, porque a capacidade de rir de si mesmo demonstra que a pessoa aceita seus limites e erros, o que evita frustrações.

– SÃO RESPONSÁVEIS PELA PRÓPRIA VIDA – Uma pessoa imatura psicologicamente tende a transferir a responsabilidade de sua própria vida para os outros. Lutar para mudar algo que não deu certo é melhor que tentar encontrar culpados.

– SÃO SOLIDÁRIAS- É a capacidade de se ver no lugar do outro, entender que todos nós temos necessidades e limitações.Geralmente as pessoas com maturidade psicológica fazem algum trabalho voluntário por prazer, em que o único objetivo é ajudar.

– TÊM CAPACIDADE DE ADIAR GRATIFICAÇÕES – Por exemplo, entre trocar de carro e reformar a casa, a segunda opção beneficiará toda a família.,enquanto a primeira trará beneficio apenas para quem irá dirigir. A pessoa estará adiando uma gratificação para atender uma necessidade que atinge mais pessoas. Quem consegue fazer isso tem uma maior capacidade de definir metas e planejar a vida porque sabe compensar e encontrar alternativas.

– VALORIZAM O CRESCIMENTO FINANCEIRO – Pessoas felizes costumam se sentir bem por melhorar de vida.

– TRABALHAM NO QUE GOSTAM – Porque têm a oportunidade de desenvolver seus talentos com prazer.

– ENTENDEM QUE NÃO TÊM CONTROLE SOBRE TODAS AS COISAS – E procuram o lado positivo das situações. Pessoas felizes sempre acham que aprenderam com os próprios erros e, por isso, conseguem admitir que fizeram escolhas erradas, por exemplo.

– ENTENDEM QUE A VIDA É UMA CONSTANTE MUDANÇA E A ENCARAM COMO UM PROCESSO – A pessoa feliz tem problemas como todo mundo, a diferença é que ela sabe lidar com as adversidades.Ela não pensa, por exemplo, “ sou um desempregado “ e sim “ estou desempregado “.

– FAZEM EXERCÍCIOS FÍSICOS – Estar de bem com o corpo é muito importante para a felicidade. As pessoas felizes costumam fazer uma atividade física para sentir que o corpo “ está vivo “.

– CUIDAM DA SAÚDE – Existem pessoas doentes que de tão felizes, sentem-se saudáveis. Assim como existem pessoas saudáveis que, são tão insatisfeitas e infelizes, que se sentem doentes. Por isso, para servfeliz é preciso sempre cuidar da saúde – física e mental.

– TÊM UM HOBBY – Fazer o que gosta por lazer é fundamental para ser feliz.

– MANTÊM LAÇOS FAMILIARES – Geralmente é muito mais fácil perdoar um conhecido ou até mesmo um estranho, que perdoar um parente. As pessoasf elizes cuidam dos laços familiares e não acumulam atritos, além de sempre dedicar um tempo à companhia da família.

– VALORIZAM AS AMIZADES – As pessoas maduras psicologicamente sabem que para receber o carinho de um amigo,elas têm que retribuir da mesma forma .

-VIVEM CADA MOMENTO COMO SE FOSSE O ÚLTIMO – Porque sabem que não controlam o tempo da felicidade. Dessa forma , elas conseguem seguir o“fluxo” da vida.

– SABEM PERDOAR – Aos outros e a si mesmas.

– NÃO INVESTEM SUA ENERGIA EM UMA ATIVIDADE SÓ – É uma ilusão acreditar que dedicar toda sua energia somente no trabalho, por exemplo, trará a felicidade. Deve existir um equilíbrio de dedicação de energia em todos os setores da vida.

– TÊM FÉ – Não se trata apenas de acreditar em Deus, mas acreditar em tudo que é bom e acreditar que tudo vai dar certo.

– TÊM RELAÇÕES AMOROSAS ESTÁVEIS – Pessoas felizes costumam se aproximar de quem lhes faz bem, a começar pela escolha do companheiro.

– NÃO ASSISTEM MUITA TELEVISÃO – Quem têm todas as características acima,não tem tempo de assistir televisão por muito tempo. Além disso, essa é uma atividade passiva que tira a capacidade de estar em sintonia com o momento. Pessoas felizes assistem tevê como lazer, não como rotina.

– SABEM QUE A FELICIDADE NÃO DEPENDE DE CIRCUNSTÂNCIAS – Nem de momentos,nem de temporada, e sim de como a pessoa escolhe encarar a própria vida.

Saúde Em Vez de Doença

Após a Segunda Guerra Mundial, na década de 1950, a Europa e os Estados Unidos perceberam a importância de atender e tratar os ex-combatentes que voltavam para seus países com seqüelas emocionais. O governo americano ofereceu incentivo financeiro aos centros científicos com o intuito de encontrar um tratamento adequado para essas pessoas. Desde então, os psicólogos se voltaram para a doença mental, priorizando formas de amenizar os sintomas das patologias emocionais.

Isso durou até a década de 1980, quando o psicólogo Martin Seligman, da Pensilvânia, nos Estados Unidos, divulgou uma perspectiva diferente de análise. Tratava-se de algo simples, eficaz e otimista: os pacientes não seriam analisados com o enfoque na doença mental, e sim com enfoque na saúde mental.

Essa idéia surgiu numa tentativa de resgatar um dos objetivos originais da Psicologia, que fazia parte do corpo de práticas e teorias dessa ciência antes da Segunda Guerra Mundial. Nessa época,  entendia-se que os conhecimentos produzidos pela psicologia deveriam favorecer a criação de condições para que as pessoas pudessem viver uma vida melhor, desenvolvendo suas habilidades. Para tanto, dar atenção às potencialidades humanas seria tão importante, ou mais, quanto a necessidade de “tratar” dos pontos de fraqueza.

Portanto, os psicólogos que seguem a Psicologia Positiva, ou Psicologia da Felicidade, buscam encontrar saídas para tornar a vida das pessoas mais feliz. Para isso, optam por enfatizar o lado positivo das pessoas., suas virtudes, habilidades e capacidades. Por exemplo, se alguém esta desempregado há algum tempo e se sente mal com isso,  a abordagem psicológica priorizará a identificação e o uso dos recursos internos, e externos, que possam propiciar condições para a retomada de uma vida ativa profissionalmente.

Uma vida ativa profissionalmente, não implica, necessariamente, emprego com carteira assinada.  Muitas vezes, o reconhecimento das próprias habilidades e interesses pode ajudar a ampliar as perspectivas profissionais, seja para o mercado formal ou para iniciativas inovadoras. Uma vez, identificados os próprios potenciais, a pessoa tende a se sentir mais segura e confiante. Com isso, capaz de expor suas qualidades e limitações, ao mesmo tempo em que se sente mais disposta para arriscar.

Muitas vezes, uma pessoa pode estar tão focada em padrões que não é capaz de perceber os próprios recursos. É comum, por exemplo, não darmos o devido valor àquilo que fazemos bem e facilmente, pois tendemos a achar que o que é fácil para nós não tem valor. Existe uma cultura de supervalorização do que é difícil. Assim, costumamos desperdiçar talentos próprios para perseguir habilidades que demandam um esforço enorme de adaptação e aprendizado. Isso é muito bom! A busca pela auto-superação nos ajuda a amadurecer e a melhorar, de forma geral. Mas se essa busca não é equilibrada com a “facilidade” daquilo que já sabemos, a vida pode se tornar uma corrida infindável em direção aos padrões de excelência do mercado.

Resumindo, o problema é que consideramos banal e sem valor o que nos parece fácil, dando importância apenas para aquilo que nos é difícil. A Psicologia da Felicidade analisa esse tipo de situação pela ótica do otimismo,  apresentando o caminho da valorização de si mesmo. É claro que ao falar de otimismo não estamos falando de ver o mundo “cor de rosa”, mas de equilibrar realismo e perspectivas positivas para a solução dos problemas.

Seguindo essa linha, todo tipo de comportamento passou a ser analisado sob essa mesma análise positiva. Nesse início de século, há bons auspícios para a ciência da felicidade. Dentre todos os institutos de Psicologia dos Estados Unidos, os que estudam a Psicologia da Felicidade estão entre os que recebem maior financiamento do governo para pesquisas. Essa valorização é um reflexo da evolução da área e do grande interesse que a nossa sociedade tem na felicidade, tanto é que nas principais universidades do mundo já existe, hoje, a Psicologia Positiva como disciplina de pós-graduação.

Imagem: “Vem Comigo” (detalhe) por Konstantin Y., em 1x.com

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