4 Segredos de grandes comunicadores


Segredos de grandes comunicadores

Você acha que se comunica bem? Você acha que precisa melhorar sua comunicabilidade? Para minha surpresa, quando comecei a estudar o assunto, me dei conta de que a maioria das pessoas pensa que não precisa melhorar nada nesse aspecto. Eu sempre assumi que grandes comunicadores são raros e que nós “simples mortais” não usamos todas as ferramentas à nossa disposição para nos comunicarmos da melhor forma possível.

Fiquei realmente surpreso ao me dar conta de que as pessoas em geral não fazem ideia do quanto ainda precisam aprender nesse aspecto. Acredito que essa deficiência caia em um ponto cego, o mesmo responsável por termos tanta convicção em nossas opiniões. Eu estou certo, os outros estão errados. Eu me comunico bem, os outros é que se comunicam mal! Essa miopia nos impede de enxergar com clareza nossas próprias habilidades, principalmente quando interagimos com os outros.

Pesquisadores na Universidade de Chicago colocaram essa teoria em teste e o que eles descobriram é surpreendente. Em um estudo, os participantes foram colocados em pares, primeiro com pessoas que eles conheciam bem, depois com estranhos. Os pesquisadores descobriram que as pessoas que se conhecem bem não se entendem melhor do que completos estranhos que acabaram de se conhecer. Elas apenas têm a sensação de que seus familiares e amigos próximos as entendem melhor – mas elas estão erradas! Os participantes com frequência superestimaram a própria capacidade de se comunicar e isso se tornava mais evidente quando conversaram com pessoas próximas. Nosso problema na comunicação com amigos e família é que temos a ilusão de que o outro nos entende, passando a impressão de que fomos bem sucedidos ao transmitir nossa mensagem. Proximidade produz uma sensação de compreensão e sinergia, mesmo quando o outro não concorda e não entende o que estamos comunicando.

Quando nos comunicamos com pessoas que conhecemos bem, nós presumimos que elas nos entendem, presunção que nós não fazemos com estranhos. A compreensão de que o que sabemos é diferente do que o que os outros sabem é essencial para a comunicação eficaz, mas essa percepção pode ser enganosa. Algumas pessoas podem realmente compreender certos assuntos no mesmo nível quando estão se comunicando, mas na maioria das vezes, isso é raro. Com muita frequência, nos concentramos tanto no que estamos querendo dizer que esquecemos de considerar a perspectiva do outro. Simplesmente assumimos que o outro está absorvendo o que estamos dizendo. Quando o outro não concorda conosco, simplesmente presumimos uma diferença de opinião, não que a outra pessoa simplesmente não compreendeu o que queríamos dizer, e pior, nem passa pela nossa cabeça que isso ocorreu porque nós é que não sabemos traduzir nossos pensamentos em mensagens que os outros possam compreender.

Comunicação é a essência da liderança

Não há circunstância que mais evidencie problemas de comunicação como a liderança. Subordinados sabem muito bem quem são os verdadeiros líderes e quem só está tentando mandar, mas não é líder.

A comunicação é a essência da liderança. É impossível ser um bom líder sem ser um bom comunicador. Bons comunicadores inspiram as pessoas, eles criam uma conexão real, emocional, e pessoal. Grandes comunicadores conseguem forjar essa conexão através de uma compreensão das pessoas e uma habilidade de falar diretamente através de suas necessidades em uma maneira que elas estão preparadas para ouvir. O bom líder fala a linguagem do liderado.

Essas quatro estratégias a seguir podem ajudá-lo a superar certas tendências inconscientes que prejudicam a nossa capacidade de comunicar o que realmente queremos dizer e sermos compreendidos.

1. Ajuste sua mensagem ao interlocutor

Bons comunicadores não falam da mesma forma com todo mundo, eles são camaleões. Procure absorver rapidamente do outro o estilo de comunicação quando você começa a conversar. Fazer um esforço para entender como o outro se comunica o ajudará a adaptar sua linguagem, tom, e mensagem para que o outro compreenda. Nunca se esqueça: quando você está falando, o importante não é você nem o som da sua voz, mas a capacidade da outra pessoa entender e absorver o que você está querendo dizer. Se você falhar nesse aspecto, sua comunicação foi ineficaz. Um bom parâmetro é observar as perguntas que o outro está fazendo. Se ele não pergunta nada ou se as perguntas demonstram apenas uma tentativa de “ser educado”, você não está comunicando bem sua mensagem. Perguntas profundas e inteligentes demonstram que o outro está entendendo e você está despertando interesse.

2. Leia as pessoas

Um dos maiores segredos dos grandes comunicadores é a capacidade de “ler as pessoas”. Quando você está falando, os outros respondem de diversas formas através de linguagem corporal, pequenos sons, comentários rápidos, perguntas, etc. Ao observar esse feedback, bons comunicadores ajustam a comunicação dinamicamente para que se adapte ao que o interlocutor é capaz de absorver. O que fazemos geralmente é que começamos a falar e nos empolgamos com o que estamos dizendo, esquecendo de prestar atenção no outro. Assumimos que o outro está nos entendendo perfeitamente e seguimos em frente, sem prestar atenção nos sinais que podem nos informar que nossa mensagem está sendo mal compreendida – ou mesmo que o outro está interessado em ouvir o que estamos dizendo. Não é realmente uma questão de fazer os outros tomarem nosso ponto de vista. Podemos discordar e mesmo assim sermos eficazes na comunicação. Eficiência nesse sentido não é fazer todo mundo concordar conosco, mas transmitir o que queremos dizer de forma com que as pessoas, por mais que não concordem conosco, consigam entender o que queremos dizer. Isso é muito mais difícil do que imaginamos! Geralmente só descobrimos o quanto fomos mal compreendidos quando uma crise estoura e a outra pessoa revela o que entendeu do que você disse e você se dá conta de que ela não entendeu nada!

Ler as pessoas é uma habilidade que é desenvolvida aos poucos. Ela começa quando esses pontos que estamos analisando aqui são plenamente compreendidos (você não pode se preocupar em ler as pessoas enquanto não compreender a importância disso). Quando você entende que precisa prestar atenção no feedback dinâmico que o outro está te dando no momento em que vocês estão interagindo, você se torna mais atento a esses sinais e vai aos poucos, naturalmente, aprendendo como adaptar sua forma de se comunicar.

3. Escute mais do que fala

Isso parece mais fácil do que parece. Esse é um problema comum em pessoas que falam bastante, mas surpreendentemente, eu descobri que pessoas quietas também podem cometer o mesmo erro. Quando estava ensinando esse assunto uma aluna muito tímida me disse que ela mal fala, então logicamente ela não precisa aprender esse ponto. Eu sugeri que ela participasse de alguns experimentos depois da aula para que eu pudesse observar seu estilo comunicativo. O que descobri – e que depois confirmei estudando outros alunos tímidos – é que eles ficavam tão preocupados em ter alguma coisa interessante para falar, ou responder, que não prestavam realmente atenção no que os outros estavam falando, mesmo que falassem pouco.

Evidentemente, esse é um problema que atinge tanto os falantes quanto os quietos. A origem dele está no fato de que achamos mais importante convencer o outro do nosso ponto de vista do que estabelecermos uma comunicação saudável e sinérgica.

4. Faça uma conexão emocional

A escritora e poeta Maya Angelou sabiamente disse que as pessoas se esquecem facilmente do que você disse, mas nunca se esquecem de como você as fez sentir. A falta de uma conexão emocional é frequentemente gerada pelos fatores que discutimos acima, uma ânsia para convencer o outro, para contar as nossas histórias, para falarmos coisas interessantes, e uma incapacidade de notar se o outro está realmente interessado, ou mesmo se está entendendo.

Uma das melhores dicas que já aprendi para criar uma conexão emocional verdadeira com o interlocutor é deixar as aparências de lado, se abrir e deixar com o que o outro se abra. Um componente importante desse processo é evitar o senso de humor com válvula de escape para situações desconfortáveis. Se alguém lhe confessa algo muito pessoal, evite fazer piadinha, ser sarcástico, ou irônico. Evite também a tentação de querer contar uma história sua ou de alguém que você conhece que é melhor, pior, mais isso ou mais aquilo. Ao contar outra história em cima de algo que você acabou de ouvir, o que você está transmitindo é que a história do outro não é boa suficiente, porque você conhece outra que é ainda melhor.

Sempre se lembre: conexões emocionais se formam quando os outros se sentem bem quando estão conosco e isso ocorre quando damos espaço para que contem suas histórias e as valorizamos como importantes e interessantes.

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