Contos Curtos da Vida Lá Fora


Um Dia Qualquer…

Vou te falar sobre esse dia mágico, que por conta de alguma sincronicidade, ou talvez por sorte mesmo, é uma sexta-feira. Dia tão adorado por muitos. É o dia da badalação, dos encontros casuais, do batom vermelho, das roupas coladas, sexys e ousadas, dos cintos de couro e sapatos encerados, dos cigarros trocados, beijos marcados, em um pescoço que não podia. Ou sim, e o fez!

Parece que esse dia abençoado é o dia do prazer, dia de beauté, dia de fazer o que você não costuma fazer, de ser mais você, aquilo que você gosta e crê, e sabe-se lá o por que… Estar de boa deveria ser de todos e em todos os dias, não importa os afazeres, dizem que história boa é história com drama, como um romance policial recalcado de clichês que as pessoas adoram ler, porém nem precisa de entrelinhas, pois o crime está na cara. Ele pensou por alguns instantes em filmes pornôs. Se eles faziam algo que nem precisava contar uma história…

E é justamente isso que acontece nas sextas. É o dia em que não há tabu, existem pessoas se compartindo em todos os gostos e algumas delas com muita profusão. Todos os corpos nus. Não é um dia que você irá esquecer, vai se lembrar de muitas delas, de tantas loucuras feitas sem nenhum medo ou vergonha, e ainda quando acorda as três da tarde no dia seguinte com uma preguiça danada e seu braço encosta no da outra pessoa… O que é que você pensa nessa hora? E mais, o que sente? Independente de como era o toque, você levou o choque e soube, naquele momento que iriam repetir aquela dose, e a informação quando bateu no seu cérebro a fez sorrir, no ato, reação comum ao prazer e alegria de estar tendo um orgasmo único.

O Mito…

O Mito…

Foi aos treze anos que ela passou pela sua primeira transformação completa. Até então podia ou não ter aquela membrana que a ajudava muito a nadar entre seus dedos, ou ter guelras que se fechavam quando emergia e podia respirar como um humano normal pelo nariz. Porém quando colocou os pés no chão pela primeira vez, pode sentir a textura da areia na praia e sorriu histérica pela sensação de cócegas que lhe causava. Suas duas irmãs mais velhas estavam sentadas em algumas pedras olhando e compartindo da felicidade da pequena sereia que agora podia ser também humana.

“O que você acha, nossa menina nos dá orgulho!” Uma das irmãs mais velha de Serena estava admirada pela desenvoltura com que a jovem, para a idade das sereias realmente muito jovem, usava seu “novo” corpo. A outra irmã, a do meio, acertou o corpo sobre a pedra… “Nunca me acostumei com elas…” Dusva olhava para suas próprias pernas… “é como se não fossem para mim, sempre me dei muito bem dentro da água…” Nalhi olhou para Serena de novo… “Nessa idade, apontando para a menina, eu nem imaginava sair da água. Ela vai muito rápido para mim.” Dusva coçou o nariz… “O conselho está conversando sobre isso agora.” Nalhi pulou da pedra com agilidade e olhou feroz para cima mostrando as presas. Em contraste com o negrume de seus cabeços grandes e crespos, a brancura de seus dentes brilhou… “Não acredito que fez isso, você contou para eles?” Dusva envergonhada virou o rosto em discordância. “Iriam descobrir e seria pior para ela.” A outra respondeu rosnando… “Isso era ela quem deveria decidir!” Retrucou em desaprovação. “E o que irão fazer?” As duas estavam agora apreensivas, mas a mais velha era também a mais radical. Havia vivido quase um terço dos mil anos que as lendas contavam sobre sereias e viveu muitas histórias diferentes em que os humanos não eram os mocinhos. Entretanto ela acabou por descobrir o “dom” dos humanos, de como usar as ervas sagradas, e como fazer isso em favor de sua espécie. Então nos dias de hoje, quando transformada, possuía poderes de uma bruxa, e combinado ao que ela era, tornava-se muito poderosa, um poder que como sempre corrompe o saber. E sua espécie seria consumida por sua fúria.

“Vamos matar alguns deles, vamos mostrar a nova dinastia ao senhor Netuno, vamos mostrar para os seres do oceano e da terra quem é quem nessa história milenar.” Aqui vem um breve parênteses para comentar que existem espécies diferentes de sereias. O ser que era considerado mitológico possui características comuns, porém existem machos que são como “sereios” e machos-peixe. Há também a fêmea-peixe. E para procriar sua espécie, somente os machos da espécie humana, em uma descoberta incomum através de um amor proibido, Dusva experimentou o sexo humano, e que assim as sereias poderiam se reproduzir como “sereias”, isto é, metade humano, metade peixe, e com isso “viver” sua espécie por mais tempo. “Nem mesmo o tão poderoso, considerado pelos próprios humanos como o deus dos mares, Netuno soube disso, tanto sua busca incansável por experiências que não envolviam os humanos, e cada vez nasciam mais sereias-monstro, com deformações pelo corpo, com aspectos de mutações asquerosas.” Dusva tinha um brilho maligno nos olhos. Ela também desceu da pedra e começou a articular um plano com sua irmã. “Seremos as rainhas, nós faremos a espécie perfeita das sereias, pois nós somos as mais lindas e assim continuaremos!” Sua arrogância poderia ser seu limite, porém sua irmã Delhi gostou da ideia, mais pelo fato de poder cruzar com os machos humanos. Ela havia experimentado aquilo algumas poucas vezes, e tinha se deliciado com o toque e o calor do corpo dele, e depois com o sabor. Passou a língua sobre os caninos, lembrando depois de devorá-lo, “tão agridoce!”

Com a terceira irmã sendo muito mais forte do que elas mesmo estavam imaginando, pela velocidade e destreza que a menina estava se transformando em uma jovem, elas sabiam que logo Serena seria adulta, e uma daquelas de personalidade.

Aonde e Além…

raposinhaapele

Voa no espaço usando uma calda de cometa

É lisa, felpuda ou curva, não importa

Dona raposa é mais esperta…

Aquilo ali é um buraco negro

Onde se meteu o coelho

Minha curiosidade me levará…

 

Meu instagram tá recheado de arte surrealista e no projeto À Pele tem ilustrações para tatuagens e afins… Divirtam-se! @periclesemr e @apele_periclesemr =)

Poema para o Mar…

A saudade é do mar…

Os peixes o representam…

As flores trazem seu cheiro…

De um por de sol sereno…

 

Meu instagram tá recheado de arte surrealista e no projeto À Pele tem ilustrações para tatuagens e afins… Divirtam-se! @periclesemr e @apele_periclesemr=)

Gato Preto na Sexta-Feira 13…

Gato Preto na Sexta-Feira 13…

Ele estava atravessando a rua pela faixa de pedestres e aquela senhora da bochecha rechonchuda lhe deu um grito, “cuidado com o gato preto!” O sujeito levou um baita susto alcançando o outro lado da calçada junto com o bichano, que passou a andar do seu lado. Outras pessoas iam desviando dos dois sempre com um ou outro comentário maldoso a respeito da cor daquele animal. “Coitados” e olhei para o gato com um leve sorriso na boca e ele retribuiu. No princípio pensei que fosse uma brisa minha, é claro que o gato não sorriu de volta.

Dai passou um sujeito, aquele mesmo que usa camisa laranja e capacete de mesma cor para andar com sua bicicleta, girando o guidão soltou “cuidado com o gato preto!” e na sequência em que olhei para ele, ele olhando para o gato e uma lixeira enorme entrou em seu caminho. O camarada levou um tombo caindo de cara nos sacos de lixo. A bicicleta caiu amassada para um lado, e foi tudo tão bizarro que um casal que andava na contramão de mãos dadas, olhando para a cena próximos a mim, ela de salto alto e saia curta e ele de calça de linho e óculos de sol, estavam rindo as gargalhadas apontando para o cara da bicicleta, e acabaram trombando em um poste, ela caindo sentada e ele perdendo seu óculos que voou ao longe.

O gato preto miou para mim e continuou andando ao meu lado. Puxei um pedaço do meu sanduíche de peixe e joguei para ele, que pegou na boca e continuou a caminhada. Rimos novamente e dessa vez eu reparei bem. Eu estava chapado é claro, e estava numa larica danada, havia parado para pegar esse sanduíche de atum com cenoura e maionese e comendo pela calçada, esses atos vinham ocorrendo, e eu acreditando pela loucura que podia estar vendo coisas, ou sentindo, sei lá. Mas não, o gato preto riu comigo no mesmo tom. E eu gostei daquilo.

Andamos por mais algumas calçadas sempre com as admirações alheias, uns falando para eu tomar cuidado e na sequência um desastre surreal caia sobre essas pessoas, e eu numa boa, não sou nada supersticioso, nem religioso, não sou crente nem temente. No entanto acredito muito em energia, em fluir de boa, caminhar sossegado e fazer as coisas de um jeito bacana para mim e meu entorno. Parece que os gatos pretos também, e esse em particular, me tomou por um amigo, um companheiro, não fiquei pensando muito sobre, e fomos “juntos” por essa sexta-feira 13 adentro, contornando as pessoas, as situações, as ruas…

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