Os Vedas


Aquele que contempla no Ser todo-sapiente, sem idade,

o governante de tudo, mais sutil que o mais sutil,

o sustentáculo universal, possuindo uma forma

além da concepção humana, refulgente como o sol

e muito além das trevas da ignorância, 

atinge, verdadeiramente, 

este divino Purusha (Deus) supremo.

(Vedas)

O Conhecimento Imperecível

Os Vedas são como uma mina inesgotável de ouro, um verdadeiro legado, entregue à humanidade pelos povos antigos. Ele contém todas as formas de conhecimento necessárias ao desenvolvimento do homem, em todas as áreas, como ciência, astrologia, matemática, gramática, até o sumo e mais elevado conhecimento, que é aquele que leva ao autoconhecimento e à auto-realização do homem.

Toda a tradição secular aponta para uma sabedoria anterior à Criação. Essa Sabedoria é eterna, sempre existente. É através dessa Sabedoria que se manifesta o Poder Divino Criativo.

Dessa forma, podemos dizer que a Sabedoria não foi  criada por seres humanos, ela sempre é, foi e será.

Entretanto, esse saber e infinito é acessível a todo buscador dedicado.

Os Vedas sintetizam essa Sabedoria, por isso são descritos como o saber “não criado e eterno”.

O Eterno Mestre Védico Sathya Sai Baba diz:

“O estudo dos Vedas é o mais elevado tipo de aprendizado, já que ele conduz à vitória sobre a morte, enquanto todos os outros estudos tratam dos meios para obter pequenos prazeres do mundo. Os Vedas mostram o caminho ao reino da bem-aventurança eterna, onde não existe nascimento e morte. As pessoas esforçam-se para conhecer tudo sobre o mundo, mas elas raramente tentam conhecer nem mesmo uma minúscula parte de seus próprios reinos internos.”

Origem

Shiva-Shakti: dois polos da energia una
(yin-yang; positivo-negativo)

Cerca de 2.500 AC, no vale do rio Hindus, onde hoje se situa o Paquistão, desenvolveu-se uma civilização muito avançada, os dravídicos ou dravidianos. Era um povo totalmente pacífico, de pele e olhos escuros.

As cidades principais, em que viviam, Mohenjo Daro e Harapa, eram altamente desenvolvidas, com planejamento urbanístico, escrita, organização política e social e arte cerâmica.

Pesquisas encontraram nestes locais as primeiras manifestações de culto à Shakti, a Mãe Divina, assim como imagens representando pessoas em postura de yoga e  meditação.

Há muitas teorias tentando explicar o desaparecimento dessa avançada civilização. Uma das mais aceitas é a teoria dos fenômenos geológicos – uma grande seca motivou o deslocamento dos habitantes das margens do rio Saraswati para os rios Indus e Sutlej.

Acredita-se que a civilização Indus ou Harapa foi continuação da época védica.

O grande rio Saraswati  é louvado muitas vezes no Rig Veda, o que significa que o primeiro Veda já existia antes das acomodações geológicas que causaram a grande seca, por volta de 3000 AC

Significado

O Mestre prega; o discípulo escuta

A base do conhecimento hindu é a Shruti.

Shruti é uma palavra sânscrita que vem da raiz shru.  Shru significa escutar.

Shruti é aquilo que é escutado, ou seja, a tradição oral.

A literatura Shruti é constituída pelos Vedas, as mais antigas escrituras de que se tem notícia.

A palavra Veda tem origem na raiz sânscrita vid, ou  vidhya, que significa conhecer, saber, conhecimento sagrado.

Portanto, uma das traduções possíveis para Veda é: Conhecimento sagrado revelado.

Segundo a tradição hindu, esse Conhecimento foi revelado no início da Criação aos primeiros mestres pelo próprio Criador, e transmitido oralmente de mestre a discípulo.

Os Vedas são, portanto, apaurusheya, o que quer dizer que não foram criados por ser humano.

Eles são considerados a base do dharma.

Tradição

Shiva Nataraja, o dançarino cósmico

São muitas as histórias que contam o surgimento dos Vedas entre nós.

Segundo a tradição, enquanto Shiva realizava a dança do universo, ao som do tambor, alguns aforismos (sentenças breves, de cunho moral; máximas) foram ouvidos. Esses aforismos receberam o nome de mantras. Seriam os primeiros ensinamentos védicos e também as primeiras palavras sânscritas.

Outra versão diz que, há milhares de anos, os sábios e os iogues (também chamados rishis), meditavam nas cavernas onde reinava o silêncio absoluto. Focalizaram suas mentes nos centros de energia do corpo (chacras), tentando captar as vibrações dos vórtices. E então ouviram 50 diferentes vibrações dos sete chacras. Traduziram-nas, com o uso das cordas vocais em 50 letras, que deram origem ao idioma sânscrito. E depois, pela combinação dessas letras, os mantras védicos foram criados.

Esta é uma representação do rishi Vyasa, que teria sido contemporâneo do Avatar Krishna e teria vivido entre 4000 A.C. e 3500 A.C.

Os Vedas seriam, assim, compilações de vários mantras percebidos pelos antigos Rishis durante suas meditações e estados de comunhão divina (samadhi).

Segundo conta a tradição, os Rishis  “viam” os mantras em estado de meditação profunda e, num trabalho árduo, transcreviam esses sons.

É dito que toda a linguagem sânscrita advém desse estado de comunhão divina. Por isso, o seu alfabeto passou a ser chamado de Devanagari ou “Escrita Divina”.

(O termo “Rishi” pode ser traduzido como “Vidente da Verdade” ou também como  “Aquele que vê o Mantra”).

Composição

Rig Veda:  significa “veda dos hinos”. Compõe-se de hinos, rituais e oferendas à divindade. Só o Rig Veda possui 10.552 mantras.

Yajur Veda:  significa “veda do sacrifício”. Contém as fórmulas para fazer os rituais do Rig Veda.

Sama Veda: significa “veda dos cantos rituais“. Contém 1.875 mantras.

Atharva Veda: é composto de 5.977 mantras, que devem ser proferidos em rituais especiais.

Cada um dos Vedas é dividido em SamhitáBrahmanaAranyaka , Upanishad.

Samhitá  – são coleções de mantras.

Brahmana  são explicações das palavras e dos textos.

Aranyaka  – são textos para os renunciantes.

Upanishad  – são textos que tratam do Absoluto, Brahman, constituindo a parte final dos Vedas. É chamado também de  Vedanta, por ser a conclusão dos Vedas.

Para preservar a tradição oral do ensinamento védico, surgiu mais tarde a literatura Smrti (da raiz smr, lembrar), que significa “aquilo que é lembrado”. É composto de : Shastras, Puranas, ItihasasAgamas e Darshanas.

Shastras – são textos sobre leis, política, ética, vida em sociedade, etc.

Puranas – contém todo o material sobre mitologia hindu.

Itihasas – são os dois grandes épicos, o Ramayana e o Mahabharata.

Agamas – são textos que comentam um aspecto do Criador.

Darshanas – são os sistemas filosóficos, Nyaya, Vaisheshika, Sankhya, Yoga, Karma-Mimansa e Vedanta.

Todas as religiões existentes tiveram sua origem nos Vedas. Está se aproximando o tempo em que se reconhecerá mundialmente o seu supremo valor. E a Física Quântica é um dos meios de resgate desse conhecimento colossal.

A citação a seguir poderia ter partido de um místico do oriente, mas foi feita pelo físico quântico americano John Hagelin, Ph.D:

A tradição védica se fundamenta na premissa da unidade suprema da vida e na capacidade do cérebro humano – um instrumento muito precioso do universo – de experimentar diretamente essa unidade essencial e vivê-la. E se examinarmos em detalhes a estrutura do cérebro humano, veremos que ele foi específica e cuidadosamente construído para experimentar o campo unificado, para experimentar a unidade da vida. 


“Experimentar a unidade da vida”. Isto é espiritualidade. Isto são os Vedas. Os Vedas não são um conhecimento teórico, vazio. Eles devem ser vividos, postos em prática. Transcrevo este texto, para melhor compreensão (desconheço o autor):

Havia uma vez um rishi, um sábio, que praticou exercícios de austeridade (tapas) durante toda sua vida. Quando estava por morrer, revela-se frente a ele Brahma, o Criador, e disse: 

– Já que você fez tanto esforço, vou lhe conceder um pedido. Diga-me o que quer.

O rishi responde: 

– Dê-me por favor mais cem anos de vida.

– Mais cem anos? Mas para quê?

– Necessito estudar os Vedas.

Brahma concede o pedido. Transcorrido esse tempo, o sábio e o deus se encontram novamente. Brahma diz: 

– Agora chegou a tua hora. O prazo acabou.

Mas o rishi implora: 

– Dê-me outros cem anos, preciso de mais tempo para entender os Vedas.

Com aquela paciência infinita que somente os deuses sabem ter, Brahma outorga o segundo pedido. Passado aquele século, eles se reencontram. O deus quer levar o sábio desta vida, mas ele não desiste e pede: 

– Dê-me por favor mais cem anos, há coisas que ainda não consigo entender.

Brahma concorda e assim passam mil anos mais: o rishi pedindo mais e mais tempo para estudar, o deus aquiescendo com piedade infindável. No final, vendo que não conseguia acabar de entender as escrituras, o rishi, desalentado, pergunta ao deus: 

– Por que nunca termino?

Ele responde: 

– Porque você não está fazendo Yoga. Porque não serve para nada estudar os Vedas se você não os coloca em prática, e a prática do conhecimento védico é o Yoga.

Isto é para que você não esqueça que o estudo sem a prática não produz nenhum resultado. Os shastras dizem que se você for estudioso dos Vedas, você não é nada, pois o Veda não vai te levar a moksha (libertação).

O simples estudo dos Vedas e a recitação dos mantras traz apenas mais condicionamentos. Por isso se diz que não existe Yoga sem Veda, e não existe Veda sem Yoga. O Veda está dentro de você, e para onde você olhar. Enquanto não vir o Veda dentro de você mesmo, e em todas as coisas ao seu redor, esses livros serão inúteis. 

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