O que é meditação mindfulness?


Antes de definirmos o que é meditação, é importante que tenhamos em mente que ao tratar desse tema, não necessariamente estamos falando da mesma coisa.

Explico:

Quando alguém diz que trabalha ou pratica meditação transcendental não é a mesma coisa que dizer que está praticando meditação mindfulness, por exemplo. Porque cada prática tem diferentes abordagens, técnicas e contextos. Há uma infinidade de tipos de meditações, ou seja, ao usar essa palavra em uma conversa com alguém, existe uma grande chance de estarmos falando de coisas diferentes.

Portanto, nesse texto, trataremos apenas da meditação mindfulness, por ser o nosso foco de prática e especialidade. Isso não quer dizer que uma técnica seja melhor ou pior do que a outra, quer dizer que são diferentes, apenas.

A definição da palavra meditar no dicionário Aurélio é: 1. v.t. Submeter a um exame interior. 2. Considerar, refletir. 3. Concentrar intensamente o espírito em algo.

Também podemos dizer que meditar é um exercício. Assim como nós fortalecemos a nossa musculatura ao fazer exercícios em uma academia, quando estamos meditando, estamos exercitando e fortalecendo a nossa capacidade de voltar a nossa atenção para o momento presente.

Para isso, quando o praticante inicia um exercício de meditação, ele escolhe um objeto de concentração, também conhecido como âncora meditativa, que nada mais é do que um ponto de foco para direcionar a sua atenção de maneira intencional, sempre que necessário.

Mas é só isso? Exercitar minha capacidade de concentração?

Na verdade, quando falamos de meditação mindfulness, meditar não significa apenas exercitar a sua capacidade de concentração. Quando sentamos para meditar, precisamos de mais alguns elementos que acabam sendo treinados de maneira paralela quando estamos praticando. Esses elementos são:

– Auto-cuidado;

– Compaixão;

– Curiosidade;

– Abertura;

– Carinho.

Se você já tentou meditar alguma vez, provavelmente sabe o que costuma ocorrer pouquíssimo tempo depois de iniciar uma prática. A atenção do meditador é levada para outro local, geralmente para um pensamento sobre o passado ou futuro, um som ou qualquer outra coisa que possa sequestrar a sua atenção. É exatamente nesse momento que utilizamos nossa âncora meditativa, pois usamos o nosso objeto para retomar a atenção para algo que queremos deliberadamente.

Falaremos mais sobre outros objetos de meditação mais adiante, mas, para que possam entender a dinâmica do exercício, nesse primeiro momento utilizaremos a respiração como âncora.

É simples, quer ver?

Assistam essa breve animação que mostra um exercício de meditação passo a passo utilizando a respiração.

Não consigo focar no momento presente. Sou muito agitado. Pensamentos sobre o passado e futuro são constantes quando tento meditar, há algo errado comigo?

Como vimos no vídeo acima, não há nada de errado com o fato de nossa mente começar a vagar e pensar em outra coisa. Portanto, em mindfulness, meditar não significa ficar com a mente “em branco”, “não pensar em nada”, ou “levitar”.

Ao praticar a meditação mindfulness, justamente quando sua mente viajar é que iremos, gentilmente, voltar a nossa atenção para nossa respiração. E, acredite, isso vai ocorrer muitas e muitas vezes. Portanto, procure não se culpar quando perceber que não está focado na respiração porque o nosso objetivo aqui é simplesmente voltar a atenção para respiração toda vez que nosso pensamento voar para algum outro lugar, ok?

O que você precisa saber antes de começar a meditar?

Agora que você já sabe o que é meditação, temos algumas informações importantes que você deve conhecer antes de iniciar a prática, ok?

Tenha em mente

  • A meditação não substitui tratamentos e recomendações médicas ou de qualquer outro profissional de saúde;

  • Não é recomendado praticar meditação caso você se encontre em uma condição clínica severa. Da mesma maneira, pacientes com transtornos de humor ou comportamento devem procurar profissionais qualificados e experientes para realizar algum programa específico para sua condição atual;

  • Ao meditar, é inevitável que a mente comece a vagar. Trate-se com carinho quando isso ocorrer e traga gentilmente a tua atenção de volta para o teu objeto de concentração;

  • É possível que você perceba sensações diferentes em teu corpo, bem como sensações já conhecidas como frio, por exemplo. É comum termos uma leve queda da temperatura corporal quando estamos meditando;

  • Podem surgir pensamentos sobre passado ou futuro, além de julgamentos sobre as outras pessoas e sobre você mesmo;

  • Para meditar com mais qualidade e segurança, procure um profissional certificado que possa orientar e supervisionar sua atividade. Dessa forma, será mais fácil e simples manter a rotina de exercícios, tirar dúvidas e trocar experiências enriquecedoras;

  • Meditar não significa, necessariamente, relaxamento, apesar de algumas práticas ou em algumas oportunidades isso acontecer, o objetivo não é ficar relaxado;

  • Meditar não é ficar sem pensar em nada (nossa mente foi feita para pensar);

  • Apesar de muitas religiões e tradições terem a meditação como parte de suas rotinas e práticas, para meditar, você não precisa estar ligado a uma religião;

  • Os benefícios e ganhos da prática da meditação são comprovados cientificamente. Inclusive, os programas de Meditação Mindfulness que são seculares e baseados em estudos e pesquisas científicas;

  • No início, comece com períodos mais curtos de meditação, 5 ou 10 minutos já são suficientes. Aumente o tempo de prática gradativamente. Mesmo se 5 minutos for tempo demais para você, não se preocupe. Não há nenhum problema em trabalhar com 2 ou 3 minutos enquanto estiver aprendendo e se familiarizando com a meditação. Lembre-se de se tratar com carinho e respeitar suas limitações;

  • Meditar é algo simples, mas isso não quer dizer que seja fácil. Implementar a meditação em sua rotina pode ser um desafio. Portanto, procure testar horários, posições e práticas diferentes. Desta maneira, pode ser que você consiga se adaptar com mais facilidade;

  • Algumas dificuldades e desafios como: sonolência, agitação, aversão, desejos e dúvidas são comuns e esperados durante a meditação. Eles também fazem parte do processo. Saiba que eles não acontecem somente com você. Falaremos detalhadamente sobre cada um mais adiante.

Por onde começar

Ok, já explicamos o que é meditação e também listamos algumas informações importantes que você deveria saber antes de começar a meditar. Agora está na hora de colocar a mão na massa. E pra iniciar, nós vamos falar sobre um ponto que gera muitas dúvidas: a postura.

Posturas

Há muitos mitos e questões quando as pessoas pensam em uma postura ideal para meditar, entretanto, há duas coisas que devemos prestar atenção para que a postura seja um aliado importante da prática.

1. Não deve haver rigidez muscular, isto é, basta encontrar uma postura confortável e  relativamente relaxada. Não é necessário inventar ou se submeter a posturas complicadas ou difíceis;

2. É razoável que, além de uma postura confortável, o praticante encontre uma posição em que ele permaneça alerta. Em resumo, precisamos estar nos sentindo bem, mas sem estar relaxado demais a ponto de adormecer, por exemplo.

Deitado

Certamente é uma das posições mais confortáveis para meditar, mas é comum cair no sono quando estamos meditando, por isso, o meditador deve manter a mente alerta para evitar cochilar ou dormir no meio do exercício.

Pode ser melhor deitar sobre uma esteira ou colchonete ao invés de utilizar a cama, pois a cama normalmente está associada ao sono. Porém, se esse for o único lugar em que você se sente realmente confortável para meditar, sinta-se à vontade para utilizar a cama como um local de prática. Tente meditar com os olhos abertos, pois isso também pode ajudar a não dormir. Por último, procure meditar nessa postura em horários em que esteja mais disposto e menos cansado.

Sentado

Caso você prefira adotar uma postura em que permanecerá sentado, poderá faze-lo em uma cadeira comum, de joelhos no chão ou com as pernas cruzadas. De qualquer maneira, é importante que consigamos posicionar a nossa pélvis em um ângulo adequado, pois, desta forma, você conseguirá encontrar uma postura mais confortável.

Por ser a base da parte superior de nosso corpo, a posição da pélvis afeta o alinhamento da coluna vertebral, pescoço e cabeça.

Devido ao fato de passarmos bastante tempo sentados em cadeiras, temos uma tendência de perder a curvatura natural e adotarmos os ombros mais arredondados e cabeça à frente da linha da coluna, causando uma tensão no pescoço. Se possível, encontre uma postura em que consiga manter a pélvis equilibrada e ereta. Assim, a coluna irá acompanhar a forma natural de “S”, permitindo que a cabeça descanse na parte superior da coluna.

Sentado em uma cadeira

Se escolher meditar em uma cadeira, escolha uma com encosto reto e firme. Se suas costas são fortes, você pode sentar próximo à ponta do assento, deixando a coluna livre para seguir as curvas naturais. Entretanto, se suas costas são mais frágeis, coloque uma almofada ou cobertor enrolado para dar apoio à coluna mantendo-a ereta.

Certifique-se que teus pés estão apoiados no chão de forma estável. Experimente utilizar uma almofada ou travesseiro sob os pés. Apoiá-los diretamente no chão pode causar algum desconforto.

O que você pode encontrar (desafios da prática)

Sonolência: Muitas vezes, quando estamos meditando podemos sentir sono e, por conta disso, ter dificuldades para continuar praticando. A vontade de dormir pode indicar a necessidade de descanso, então, analise se você está precisando de mais algumas horinhas de sono e/ou tente horários e posições diferentes que possam te deixar um pouco mais alerta.

Dúvida: Outro desafio bastante comum é a dúvida. Pensamentos que questionam a utilidade da prática e também a nossa capacidade de conseguir meditar, costumam estar presentes em nossa mente. Nesses momentos, lembrar que a meditação é uma prática que tem ajudado muitas pessoas ao redor do mundo e que também tem cada vez mais o respaldo científico, pode ser útil. Mas o mais importante é ter uma prática sincera. Voltar a sua atenção gentilmente para a sua respiração irá auxiliá-lo.

Aversão: Pode ser que em determinados momentos você experimente algum sentimento desagradável que gere repúdio ou aversão. Medo, raiva, irritação e outros sentimentos também podem aparecer. Procure recebê-los como visitantes em sua casa. Trate-os com respeito e apenas observe-os, sem julgamentos, como visitantes que são. Em algum momento irão embora e deixarão o seu aprendizado.

Desejo: Desejar uma sensação específica ou a sua ausência é outro desafio comum encontrado pelos praticantes de meditação. O que pode gerar um certo apego à alguma experiência, sensação ou sentimento. Independente da experiência, em mindfulness procuramos observar o fenômeno que ocorre naquele instante, seja bom ou ruim. O que nos dá a oportunidade de ver como reagimos diante de determinadas situações, como somos com medo, ansiosos ou agitados, por exemplo.

Agitação: Em algumas oportunidades, ao sentar para meditar você se sentirá inquieto e agitado. Mas, esse também é um desafio esperado e, diga-se de passagem, se essa é uma sensação (sentir-se agitado) recorrente em sua vida, meditar provavelmente irá ajudar a lidar com isso de uma maneira mais funcional.

Outros tipos de meditação mindfulness

Além da prática da respiração que você pode realizar nas posturas que já mencionamos anteriormente (sentado e deitado), há também outras práticas que podem ser um pouco diferentes mas seguem o mesmo princípio, utilizando uma âncora meditativa. Abaixo, você encontra os links de alguns áudios em português com práticas de meditação mindfulness guiadas, em que você pode seguir a orientação do áudio para facilitar o processo:

Prática do Escaneamento Corporal

Prática da Compaixão

Prática dos Sons e Pensamentos

Bom, agora que você já sabe o que é meditação mindfulness, só precisa colocar a mão na massa, ou melhor, sentar e meditar.

Veja também o nosso infográfico de Como Praticar Meditação Mindfulness em 9 Passos.

Não deixe de conhecer as outras páginas através dos links abaixo:

Por que funciona?

Como Mindfulness é aprendido?

Mindfulness no Brasil

Mindfulness no Mundo

Exercício Mindfulness

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s