Hot yoga: o que é e seus benefícios


Praticado numa sala aquecida a 42ºC, o Hot yoga finca pé no Brasil e conquista centenas de fãs. Saiba onde experimentar a modalidade e seus fundamentos

Conheça o hot ioga

Sabe aqueles dias de verão, quando a gente sua em bicas e parece até ferver? Pois é mais ou menos assim que você se sente numa aula de Bikram yoga, não por acaso também chamado de Hot yoga, yoga quente ou yoga do calor. Praticado em uma sala aquecida a 42ºC – há quem diga que parece uma sauna –, o Bikram, tido como uma das modalidades do yoga que mais crescem no mundo, fincou pé no Brasil e não para de ganhar adeptos, capitaneados por celebridades como as globais Daniele Suzuki e Bárbara Paz.

Quem sua a camisa numa aula, considera a prática transformadora, quase milagrosa. “Divido a relação com meu corpo em antes e depois do Bikram. Apesar de já ter trabalhado muito meu corpo desde pequena com balé, dança, ginástica, essa prática foi muito mais fundo em todos os sentidos”, acredita a pianista Renata Terrara, 41 anos, que conheceu o Hot yoga há sete meses. E o responsável por isso seria justamente o calorão de 40ºC e a alta taxa de umidade, entre 40% e 60%. Estar num verdadeiro  forno torna o corpo mais flexível, aumenta a circulação, facilita a execução das posturas e proporciona um trabalho seguro tanto para os músculos quanto para as articulações. “O calor é o grande diferencial. Com o corpo aquecido, o aluno consegue fazer movimentos que não faria em temperatura ambiente”, explica Yuri Scott, do Bikram Yoga Brasil, estúdio pioneiro no país. Que o diga a artista plástica Mana Bernardes, 31 anos. “A prática me trouxe disciplina e meu corpo mudou radicalmente. Foi como se tivesse descoberto em mim um novo corpo, que nem eu sabia que podia ter: mais equilibrado, alongado e esguio.”

 

Conheça o hot yoga

 

Não só isso, garantem os devotos. O hot yoga melhora o condicionamento físico, desintoxica, rejuvenesce, ajuda a tratar doenças como artrite, asma, bronquite, insônia, depressão, e até cura lesões. “Sempre tive muitos problemas de coluna, principalmente na cervical. O incrível é que eu tinha o osso da cervical muito saliente e agora está totalmente alinhado. As mudanças são visíveis”, conta animada a professora Maria de Fátima Ferreira, 59 anos, que há seis meses conheceu a modalidade. Além de passar a dormir melhor e se sentir mais disposta, a dedicação de Maria de Fátima, que encara a sauna do yoga quatro vezes por semana, resultou em melhorias na silhueta. “Houve uma redução de 80% da minha celulite. E também a pele, que com a menopausa tornou-se extremamente seca, nos dias de prática não necessito mais usar creme hidratante”. A professora Érica Pavan, 46 anos, no Bikram há seis meses, assina embaixo: “Você ganha um corpo mais leve, flexível, forte, cheiroso e saudável. Um pacotão de benefícios.”

Mais: os instrutores afirmam que é possível queimar de 900 cal a 1 000 cal por aula, o equivalente a uma aula de spinning, pois o calor faria o metabolismo ficar mais acelerado. “Emagreci 9 kg sem qualquer esforço adicional”, comemora a dona de casa Magali dos Santos,65 anos, que frequenta as aulas há um ano.

 

Sala espelhada

Esqueça o clima relax e as centenas de posições (ásanas) possíveis das aulas de yoga clássica. No Hot yoga, cujas práticas duram 90 min, você aprenderá apenas 26 posturas e dois exercícios respiratórios, os chamados pranayamas. A sequência delas é sempre a mesma. A ideia é simples: a cada aula, fazer o seu corpo chegar um pouquinho além do que era capaz na anterior e fazer com que você aprimore cada vez mais os seus movimentos. Daí a sala ser cheia de espelhos. O foco deve estar sobre a sua imagem e o modo como você se movimenta a se posiciona. “Saber qual postura vem em seguida faz a pessoa se sentir relaxada e você acaba meditando, apenas respirando, sentindo seu corpo. Essas 26 posturas tratam 100% do corpo, incluindo os órgãos internos, sistemas, ligamentos, tendões e articulações. Cada parte do corpo recebe oxigênio e, com o tempo, esse sistema muda o seu corpo de dentro para fora”, explica a instrutora Andréa Wellbaum, que conheceu a prática em Londres, em 2006, e acaba de inaugurar o primeiro estúdio de São Paulo.

Palavras de entusiasmo são faladas o tempo todo pelos professores, com o objetivo de ajudar os alunos a superar seus limites, a fazer o seu melhor. “Achamos que somos fracos demais, doentes demais, velhos demais. Sempre digo durante a aula que a mente mente, e o yoga nos ajuda a encontrar a nossa própria verdade”, acredita a instrutora Yuri Scott.

Um alerta, entretanto: a quentura é a pedra no sapato dos marinheiros de primeira viagem, que não raro sentem náuseas e mesmo tontura. Por isso, a adaptação deve ser lenta, podendo levar de cinco a dez aulas. “Mas, com o tempo, as pessoas passam a gostar tanto do calor que algumas até reclamam que a sala não está quente o suficiente e pedem para aumentar a temperatura”, diz Andréa. A instrutora admite que o começo não é fácil. “Minha primeira aula foi um inferno. Sala lotada, o professor falando sem parar, eu tentando entender o que fazer em cada ásana e um calor insuportável. Quando cheguei ao vestiário, estava tão exausta que não dava nem para refletir sobre o que tinha ocorrido na última hora e meia. Porém, depois de tomar banho e sair do estúdio, senti um bem-estar tão grande, algo que queria sentir novamente, o que me fez voltar e voltar e voltar. O que faço até hoje!” Para Andréa, o Bikram também incita as pessoas as se colocarem à prova. “A determinação, persistência e a força de vontade desenvolvidas no Hot yoga são enormes, já que existe o desafio extra de tentar praticar os ásanas no calor.”

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Prática no calor faz bem ou não?

O calor e a umidade são sufocantes e os alunos parecem derreter enquanto, diligentemente, seguem as instruções do professor e se contorcem para fazer direitinho um dos 26 ásanas. Afinal, faz bem ou não se exercitar num ambiente que chega a ultrapassar os 40ºC? Os críticos da yoga do calor –e eles não são poucos – afirmam que, além do óbvio perigo de uma desidratação e do aumento da temperatura central do corpo para acima dos 36,5ºC, condição normal, corre-se o risco de causar estragos nos músculos. Sim, muita gente pode exagerar, pois eles estão mais flexíveis por causa do calor. “Somos seres homeotérmicos, ou seja, o funcionamento ideal do nosso corpo acontece numa faixa de temperatura entre 36ºC e 37ºC. Quando saímos dessa zona de temperatura, há uma exigência do organismo. Ao praticarmos uma atividade física, o corpo precisa perder o calor produzido através do suor. Um ambiente muito quente dificulta a eliminação do calor. Aí o corpo precisa produzir ainda mais suor e perder mais líquido para baixar a temperatura corporal.  É quando surge o risco de desidratação”, diz o fisiologista do exercício Paulo Zogaib.

Estudo realizado há poucos meses por especialistas do Conselho Americano de Exercício (ACE), no entanto, afirma que tudo bem, pode-se “botar fogo na lenha” e aumentar a temperatura da sala, pois não há riscos, especialmente no que se refere ao aumento da temperatura central do corpo. John Porcari, do Departamento de Ciência do Esporte e Exercício da Universidade de Wisconsin-La Crosse (EUA) e líder da pesquisa, diz que, ao contrário do alardeado, a frequência cardíaca não sobe mais do que a observada numa aula de yoga convencional. Quer dizer, você não está se exercitando mais duro. “A percepção que os alunos têm é que eles estão trabalhando mais, porque estão suando muito, mas na realidade a intensidade do exercício é a mesma que numa outra aula qualquer de yoga”, avisa o pesquisador.

Polêmicas à parte, é bom avisar: além de tomar goles pequenos de água durante toda a prática, o aluno deve beber quatro litros no dia em que faz aula. O Bikram é superdemocrático. Qualquer pessoa, em qualquer condição física e de saúde, que já tenha ou não entrado numa sala de yoga antes na vida, pode praticar. “Brinco que quanto mais quebrado você estiver, mais rápido você vai sentir os benefícios”, diz a instrutora Yuri Scott. As restrições ficam por conta dos menores de 12 anos, que são aconselhados a praticar somente as posturas de solo. Para pessoas entre 13 e 18 anos, a série completa está liberada, desde que estejam acompanhados de um adulto. Grávidas podem fazer a aula se já praticavam Hot yoga pelo menos seis meses antes da gestação.

 

Onde praticar

São Paulo
Hot Yoga São Paulo – primeiro da capital paulista. http://www.hotyogasaopaulo.com

Rio de Janeiro
Bikram Yoga Brasil – inaugurado em 2011. www.bikram.com.br
Bikram Yoga Rio – http://www.bikramyogario.com/

Florianópolis
Hot Yoga Floripa –  http://www.bikramyogafloripa.com

Curitiba
Bikram Yoga Brasil – inaugurado em 2005. http://www.bikramyoga.com.br

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