A BUSCA DA FELICIDADE


 
O ser humano tem a capacidade para questionar, para julgar, para decidir, para mudar, para agir, não agir ou agir de forma diferente em determinada situação. Isto é um privilégio. Mas ao mesmo tempo, é a raiz das suas indecisões, inseguranças, receios, etc. O que fazer com esta liberdade?
Todos os seres humanos buscam essencialmente o mesmo, felicidade. Todos nós queremos estar bem, em paz e felizes, não apenas num determinado momento ou local, mas sim em todos os momentos, em todos os lugares. Uma paz e felicidade que sejam plenas, não limitadas por espaço, tempo ou circunstância.
Os restantes seres vivos, programados pelos seus instintos, satisfazem-se com as necessidades básicas: comida, abrigo, procriação e pouco mais. Mas o ser humano não se sente realizado com isto. Se já temos uma casa, um dia ambicionaremos uma casa maior, ou mais apetrechada, ou num local mais aprazível. Não nos limitamos a comer, se temos possibilidade procuramos uma comida mais requintada num restaurante gourmet. Precisamos de roupas para proteger o nosso corpo, mas não nos vestimos apenas para isso, vestimo-nos para nos sentirmos bem. Nós enchemos um guarda-fatos com centenas de peças de roupa com cores variadas e formatos bizarros, na esperança que isso nos traga satisfação.
Procuramos segurança, felicidade e plenitude em todas estas coisas. Buscamos segurança numa casa, prazer numa viagem a um país exótico ou numa experiência alternativa, e ansiamos pela pessoa (a chamada cara-metade) que nos preencha este vazio que sentimos. Vivemos assim toda a vida, procurando a felicidade no mundo dos objectos, experiências e relações. A pergunta pertinente que se coloca é: Sou feliz? Sinto-me completo? Em paz? Sempre? E se não sou, será possível algum dia ser sempre feliz e sentir-me completo?
Temos duas opções: ou a nossa natureza real é insatisfação, infelicidade e assim, por mais que façamos, por mais que busquemos no mundo, o melhor que conseguiremos serão momentos fugazes de prazer; ou a nossa essência é, na realidade, plenitude, já somos completos e felizes. Se a nossa natureza real for insatisfação, para quê esta busca de felicidade? Se somos essencialmente um ser incompleto e insatisfeito, então deveríamos sentir-nos bem tal como estamos. Neste caso, para que serviria o Yoga?

Ora, o ser humano procura desesperadamente por felicidade, em tudo o que faz na vida. Queremos estar bem, sempre. Porquê? Porque não aceitamos esta sensação de limitação, de incompletude. E isto acontece porque todos nós já tivemos momentos de plenitude, aqueles momentos em que tudo está bem, não precisamos de mais nada, tal como somos basta-nos. Isto faz-nos buscar a tal felicidade permanente. E só quando o conseguirmos é que poderemos viver em paz. Em sânscrito existe uma palavra que define este estado de felicidade e liberdade permanente: mokṣa. Mokṣa é liberdade da dependência do mundo, seus objectos, experiências e relações para ser feliz.
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