Animais com necessidades especiais enfrentam dificuldades para achar um lar


Sete cachorros com algum tipo de deficiência esperam adoção no abrigo Flora e Fauna. Por trás de cada limitação, há uma história, que ainda aguarda um final feliz


postado em 10/04/2018 06:00 / atualizado em 10/04/2018 06:33

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(foto: Marcelo Ferreira/CB/DA Press )

A sala de estar da farmacêutica Andreia Zorzi, 38 anos, recebe os visitantes com um cachorro de cerâmica que segura uma placa de Bem-vindos, mostrando o amor que ela tem pelos bichos. Andreia e o marido criavam o buldogue inglês Tobias há seis anos, mas resolveram que era a hora de aumentar a família. “Uma amiga publicou nas redes sociais anúncio de adoção de um filhote que só tinha três pernas. Na hora que o vi, sabia que poderia dar o carinho e o amor de que ele precisava”, lembra. Mas, infelizmente, a atitude de Andreia ainda não é comum, e em abrigos, como o Flora e Fauna, fundado por Orcileni Arruda, animais com necessidades especiais enfrentam dificuldades para encontrar um lar.

“Muita gente chega às feiras com exigências, especificando como deve ser o bicho que eles vão levar para casa. Pensando primeiro nas necessidades próprias, e não na dos animais”, alerta Orcileni. A decisão de adotar Willy, um cachorro sem raça definida e com a perna traseira direita amputada é, para Andreia, uma das melhores que tomou. “Quando o busquei na feira de adoção, ele pulou no meu colo e eu sabia que era para a gente se encontrar. Ele é muito carinhoso comigo e sinto como se conversássemos”, conta Andreia. Por ser brincalhão e bagunceiro, o cachorro recebeu o apelido de saci-pererê.
Quem vê Willy correndo pela casa com uma bolinha na boca, não imagina a luta que o cachorro enfrentou para sobreviver. Ele foi encontrado no Pedregal, na região do Entorno, com cerca de 40 dias de vida. Apresentava uma fratura na perna traseira direita, que estava necrosada. “Tiveram de fazer várias cirurgias e amputar todo o membro. Ele era chamado no abrigo de ‘meio-quilo’, porque era muito magro e pequeno. Ninguém acreditava que ele conseguiria sobreviver”, conta.
Hoje, o animal está saudável e feliz. Há cinco anos com a família Zorzi, nunca teve uma doença grave e se tornou a rocha de Andreia quando ela perdeu o primeiro filho. “Estava grávida e, após três meses de gestação, perdi o bebê. O Willy cuidou de mim. Sempre que me via deitada ou pelos cantos, me trazia um brinquedo para me divertir, fazia de tudo para não me ver triste”, aponta. Para a farmacêutica, é como se o cachorro quisesse demonstrar gratidão pela oportunidade que ganhou ao ser adotado. “Ele é especial para mim. Todos os dias ao lado do Willy são especiais”, garante.

Esperando um lar 

Sete cachorros com algum tipo de deficiência esperam adoção no abrigo Flora e Fauna. Por trás de cada limitação, há uma história, que ainda aguarda um final feliz. “Muitos ficam aqui para sempre. São acolhidos e vivem toda a vida no abrigo, sem nunca ter a chance de um lar”, explica Orcileni. Aurora, uma cadela sem raça específica e da cor branca, perdeu a perna esquerda após ser atropelada propositalmente. Hoje, curada, anda com três patas junto aos demais animais do abrigo, incluindo Mocinha, uma cadela independente que perdeu a perna dianteira direita e também aguarda uma família.
Orcileni com a cadela Aurora: amor e muito carinho(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Orcileni com a cadela Aurora: amor e muito carinho(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O abrigo Flora e Fauna completa 13 anos em funcionamento no próximo mês. Atualmente, cerca de 650 animais vivem no lugar, entre cães e gatos. Três dos cachorros deficientes conseguem conviver com os demais animais, enquanto outros quatro têm de ficar em alas separadas, sozinhos, por terem dificuldades de se locomover. “Só precisam de mais atenção, mas são capazes de ter uma vida normal. Eles têm cadeirinhas de roda, e temos o Damião, que poderia até ter chances de voltar a andar se tivesse acesso à fisioterapia”, conta a fundadora.

O espaço para animais criado por Orcileni funciona com capacidade máxima, resistindo com apoio de veterinários, parceiros e amantes de animais, que doam rações e carinho aos bichos. “Castramos todos os animais, porque sabemos que é esse o melhor modo de pausar essa superpopulação. Mas sempre acabamos aumentando o número de animais, porque pessoas mal-intencionadas abandonam os bichos nas redondezas do abrigo, na intenção de acolhermos”, conta.

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