Imaturidade política permeia continente


PUBLICADO EM 07/01/06 – 23h32

O TEMPO ” Quais são as principais demandas da América Latina”
Marta ” Há dois tipos de problemas que se mantêm prioritários: todos os econômicos, começando pelo desemprego, a pobreza e depois vêm os problemas de violência.

Segundo o Latinobarômetro, o principal problema da democracia é a falta de representatividade. Isso é fruto do quê”
As pessoas percebem que os políticos não trabalham para todos e sim para defender seus próprios interesses, ou seja, o poder serve aos ricos e não aos pobres.

Isso explica o baixo interesse da população com relação à política”
Penso que isso é um reflexo dos baixos níveis de educação e de interação que há na sociedade.

Os baixos níveis de informação e de educação geram uma atitude bastante cômoda nos cidadãos com relação à política: a mim não interessa, não compreendo e, além disso, não me serve, porque fazem coisas para outras pessoas e não para mim.

Isso se reflete nas eleições também”
Há uma parte importante no que se refere ao voto de protesto, nulo e branco. Isso é um reflexo do desagrado com relação ao imediatismo. Ou seja, um desagrado com relação ao político que vai aos lugares de votação somente quando há eleição.

Mas há um aumento no número de eleitores que vão se aproximando mais da esquerda e da centro-esquerda. Como podemos classificar isso”
Eu acredito que há uma ausência de novas classificações. Poderia chamar de liberalismo economicamente equilibrado” (risos).

Em todas as eleições que estão acontecendo, desde novembro, não há candidato ” populista, de esquerda ou de direita ” que não diga que o principal é a eliminação da pobreza, dar saúde, moradia e educação para toda a população.

Você acredita que seria impossível pensar em uma união, como o Mercosul”
O Mercosul é uma tentativa desesperada de aumentar o comércio de qualquer maneira. Poderia se chamar acordo de amigos no lugar de Mercosul.

Seria utópico pensar em criar uma “União Européia” latino-americana”
Primeiro é necessário um mínimo de estabilidade monetária nos países. Precisamos ainda solucionar os problemas básicos de toda a população, dar a todos moradia, educação, ou seja, os elementos básicos para competir no mundo globalizado.

Como se explica a boa imagem dos EUA na região”
Se você depende 100% ou 50%, qual a capacidade de independência há para criticar ao outro” Países como El Salvador, por exemplo, vivem das remessas enviadas pelos parentes que moram nos Estados Unidos.

E por que a aceitação em relação aos EUA nos países do Cone Sul é mais baixa”
Os índices do Cone Sul se referem aos problemas históricos que os Estados Unidos tiveram com esses países.

Os norte-americanos interviram nos processos autoritários e no fim de algumas ditaduras de uma maneira muito violenta. Isso não evita que a cultura norte-americana tenha uma grande aceitação e seja admirada pela América Latina.

É a primeira vez que o Latinobarômetro pergunta sobre a imagem dos líderes da região e os dados mostram que Bush não tem uma má imagem.
Minha opinião como investigadora é a de que ele está incrivelmente bem frente a todas as coisas ruins que os Estados Unidos têm feito. O castigo dos latino-americanos com relação a Bush é dizer: olha, você nos esqueceu.

Somos um continente inexistente porque somos incapazes de criar laços comerciais. Não somos militarmente necessários para ninguém, nem geograficamente. E de alguma maneira, a liderança latino-americana omitiu dizer isso.

Há uma grande expectativa de que os Estados Unidos, algum dia, olhem para baixo e se dêem conta de que aqui existe a América Latina.

Sobre o tema corrupção, você avalia que os escândalos podem afetar o Brasil nas próximas eleições”
Quando uma sociedade está acostumada à corrupção, ela deixa de ser uma variável relevante na disputa. A corrupção se transforma em um elemento de campanha, mas não de castigo. Acredito que o castigo de Lula vai ser muito menor do que o mundo globalizado acredita.

Quais as perspectivas para América Latina nos próximos anos”
Eu não colocaria toda a região no mesmo saco. Acredito que há países que estão indo muito bem, México é um deles. Chile é outro. O Brasil, com todas as suas dificuldades, tem superado as expectativas.

Os países têm que ser vistos de maneira individual porque é equivocado falar que toda a região caminha para o mesmo lado. Penso que a Bolívia vai demorar muito a sair da crise em que está, tem problemas sérios de consenso no interior dessa sociedade.

O mesmo se passa no Equador. No caso da Venezuela, Chávez tem uma grande dificuldade em compreender o que é uma democracia. Aí vai acontecer algo. As dificuldades da Venezuela vão permanecer até que o povo venezuelano diga outra coisa.

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