ENTENDA DE UMA VEZ O CONCEITO DE AVERSÃO À PERDA


Entenda de uma vez o conceito de Aversão à Perda

As vezes algumas ideias passam pela minha cabeça e o que de início pareça ser uma piada ou mero devaneio, se torna algo interessante para analisar, estudar e às vezes até mesmo postar aqui no Geekonomics. Hoje tive um desses episódios. Conversando com o Rafael Jordão sobre memes, me veio a cabeça duas imagens ligadas a eventos que pode facilitar muito o entendimento do conceito de aversão à perda.

ENTENDENDO O CONCEITO DE AVERSÃO À PERDA

(VIA: BEHAVIORAL ECONOMICS)

“A aversão à perda é um conceito Economia Comportamental importante associado à teoria das perspectivas e de forma resumida foi descrito pela expressão “perdas crescem maiores do que ganhos” (Kahneman & Tversky, 1979). Pensa-se que a dor de perder é psicologicamente duas vezes mais poderosa do que o prazer de ganhar. Como as pessoas estão mais dispostas a correr riscos para evitar uma perda, a aversão a perdas pode explicar diferenças na busca de risco versus aversão.

O princípio básico da aversão à perda às vezes é aplicado em estratégias de mudança de comportamento, e pode explicar por que quadros de penalidades às vezes são mais eficazes do que os quadros de recompensas em motivar as pessoas (Gächter, Orzen, Renner e Starmer, 2009).” (Tradução livre)

A Neurociência também tem produzidos estudos cerebrais que comprovam a Teoria das Perspectivas. Cientistas já estudam teorias onde demonstram que há maior atividade em regiões do cérebro que processam emoções como insula e a amígdala.

Outros estudos também demonstram atividade cerebral quando pessoas sendo monitoradas apostam dinheiro real. Nestes casos, cientistas identificaram maior atividade em áreas cerebrais relacionadas à recompensa.

Também verificaram quedas quando o resultado da aposta era uma perda, nos mesmos circuitos ou áreas do cérebro. No entanto os pesquisadores relatam que as reações cerebrais foram mais intensas e fortes em respostas a situações de perda do que naqueles referentes aos ganhos.

TEORIA DA PERSPECTIVA?

Gosto de pensar para entender a Teoria da Perspectiva, que a “a dor da perda” é muito maior do que a dor do ganho.”. Imagine que seu corpo aumente a temperatura a cada evento de perda ou ganho. Se fosse colocado um termômetro em você no momento de um ganho, ele marcaria 37.5 graus você estaria levemente febril, tomaria um antitérmico e tudo bem.

Mas no momento em que você vivenciasse uma perda, sua temperatura se elevaria para 40,7 graus. Neste caso você estaria com febre muito alta e deveria procurar atendimento médico urgente.

É interessante pensar que neste caso parece que todos nascemos para aprender com nossas perdas e com isso, um mecanismo de defesa poderia ser construído. Será que vivenciar perdas frequentes pode nos tornar mais conservadores?

Uma vez que sentimos com maior intensidade perdas à ganhos, é razoável pensar que os registros neurais das perdas podem nos tornar mais avessos a riscos. E se as perdas forem recentes e com intensidade elevada, podem ainda acionar gatilhos de vieses cognitivos como a heurística da disponibilidade, aversão ao arrependimento, efeito posse e até mesmo reações explicadas pela regra do pico fim.

Antes de seguir com o post, vou repassar alguns conceitos, para que as ideias malucas que escrevi a seguir, possam ser minimamente entendidas.

HEURÍSTICA DA DISPONIBILIDADE

Availability heuristic (Via: Behavioral Economics)

A disponibilidade é uma heurística através da qual as pessoas fazem julgamentos sobre a probabilidade de um evento com base em quão facilmente um exemplo, instância ou caso vem à mente. Por exemplo, os investidores podem julgar a qualidade de um investimento com base em informações que foram recentemente divulgadas, ignorando outros fatos relevantes (Tversky & Kahneman, 1974).

AVERSÃO AO ARREPENDIMENTO

(Via: Behavioral Economics)

Quando as pessoas temem que sua decisão se torne errada em retrospectiva, eles apresentam aversão pelo arrependimento. Este viés está associado à aversão ao risco. As pessoas com aversão ao arrependimento podem temer as consequências de ambos os erros de omissão (por exemplo, não comprar a propriedade de investimento [ideal] correta e comissão (por exemplo, comprar a propriedade de investimento incorreta ou “sub-ótima” (Seiler et al., 2008).

A REGRA DO PICO FIM

(Via: Geekonomics)

Não é a experiência em si que vai fazer você agradar ou não em uma situação e sim sua lembrança do ponto mais extremo ao fim do episódio (Kahneman & Tversky, 1999). Saiba mais sobre a Regra do Pico Fim lendo o post do Rafael Jordão clicando no botão abaixo.

EFEITO POSSE OU DOTAÇÃO

(Via: EconomiaComportamental.org)

A inclinação de um indivíduo a valorizar mais um item que possui do que o mesmo item caso este não faça parte de sua dotação.

O efeito posse pode ser observado pela diferença entre os valores que os indivíduos demonstram estarem dispostos a receber por um bem possuído (disposição a receber) e os valores que eles estão dispostos a pagar pelo mesmo bem quando não o possuem (disposição a pagar).

Depois de toda essa reflexão teórica, vamos então aplicar estes conceitos.

Como meus pensamentos não nada convencionais eu separei alguns eventos que me chamaram a atenção e onde eu gostaria de ter medido a aversão à perda das pessoas que passaram por eles.

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