Como lidar com as perdas? 5 Dicas da Psicologia


Olá amigos!

Um querido leitor me sugeriu que escrevesse sobre perdas, de um modo geral e como lidar com elas. Bem, quando li a sugestão de imediato me surgiram 5 formas de como lidar com as perdas, tendo como base os conhecimentos da psicologia. Não vou mencionar diretamente as teorias. Com isto, é um texto de reflexão da nossa seção Dicas Práticas:

1) Eu sou, eu tenho

É muito comum ouvirmos falar que temos que entender a diferença entre ter e ser. Que não devemos confundir o lado material da vida com a essência. Porém, desde a infância, os objetos que temos são muito importantes para a constituição da ideia de quem somos. É fácil pensar nisso se considerarmos a construção da identidade de gênero: um garoto recebe de aniversário um carrinho e uma garota recebe uma boneca. Este é apenas um dos exemplos que podemos pensar sobre como os objetos que temos, quer queiramos quer não, acabam se relacionando com quem pensamos que somos.

Uma amiga minha, formada em moda, me disse certa vez que a moda é fútil. Mas, embora possa ser considerada fútil (até por quem trabalha na área), a moda é um outro exemplo do que o que temos acaba sendo, inclusive para os outros, um reflexo de quem somos na sociedade.

Se eu me visto de terno e gravata, devo ser um profissional respeitável. Se eu visto uma roupa preta, de banda, devo gostar de rock. Se eu uso um hábito, devo ser um padre.

Este primeiro ponto, sobre ter e perder, faz-se importante na seguinte questão: e se perdermos tudo o que temos? O que vai ficar para identificar quem somos?

2) A posse provisória

Quando eu era pequeno, sempre achei engraçado o fato de as pessoas encherem a boca para falar que tinham alguma coisa. Por exemplo, chegar em frente a casa e dizer: “esta é a minha casa”. Olhando para trás, me parece que esta presunção na fala se tornava estranha para mim porque eu não conseguia compreender como alguém poderia ser dono de um espaço. Talvez isto tenha sido fruto de uma historinha da Turma da Mônica, na qual o Chico Bento tem que lidar com um grande empresário que quer comprar a floresta e o rio no qual ele nada…

Enfim, esta questão da propriedade privada dá uma longa discussão filosófica, em Rousseau, Locke, Marx. Não vou entrar nesse ponto – até porque não sou filósofo, mas deixo aqui também uma indicação de leitura.

Neste segundo ponto, do ter e do perder, gostaria de compartilhar a ideia de que possuir também envolve, evidentemente, um tempo. É fácil de ver quando compramos uma roupa muito boa, gostosa, que cai bem. Dizemos, adoro essa minha roupa. Mas, com o tempo, com as lavagens, a roupa vai ficando velha. Usamos em casa até que não dá mais. Temos que nos livrar daquela peça.

E é essa a ideia, em todo e qualquer tipo de posse: a transitoriedade. O usufruto por um período determinado de tempo. Se soubermos desse fato, teremos mais facilidade para deixar ir.

3) O perder e o ganhar

No campo semântico, no campo de significados da palavra perda também encontramos um oposto que é interessante para pensarmos. A perda como oposto ao ganho, o perder como oposto ao ganhar. Esses dias li uma historinha que achei muito interessante: Um garoto perguntava para o seu pai o que ele achava dos campeonatos de futebol. E o pai respondia: eles já estão ganhando e perdendo há séculos…

Eles já estão perdendo há séculos como nós estamos constantemente perdendo e ganhando, perdendo e ganhando, perdendo e ganhando. Em psicanálise, se fala muito da satisfação alucinatória do desejo, quer dizer, o desejo é realizado, mas não satisfeito e as pessoas ficam trocando de objetos na busca de preencher uma falta que é o impossível.

Por exemplo, você deseja um super novo celular. Compra o celular, depois de uma semana não liga mais para ele. Aí você deseja comprar um super tablet. Compra o tablet e depois não liga mais para ele. Depois deseja comprar uma super câmera para tirar fotos com a melhor resolução para, também, em seguida, não ligar mais para ela. O desejo que permanece insatisfeito.

Neste terceiro ponto de como lidar com a perda, o ideal seria pensar em como lidar com a perda do interesse e, se quisermos ir mais fundo, como seria possível preencher esta falta, como aplacar um desejo que mostra-se insaciável?

4) A ideia de possuir uma outra pessoa

A nossa linguagem se presta a equívocos muito engraçados. Já reparam que dizemos: ele é meu namorado, ela é minha namorada? É como se disséssemos que a outra pessoa é posse nossa: “Olha querida, você é minha, portanto não faça mais isso”. “Querido, se você quiser ser o meu namorado, você vai ter que mudar”.

Não seria interessante se no imposto de renda nós colocássemos a posse do outro como um bem que possuímos? Claro, seria ridículo mas ainda assim esse tipo de pensamento equivocado dá margem a uma série de comportamentos desastrosos como ciúmes desenfreados, brigas, e, nos casos extremos a assassinatos (como se o assassino dissesse: “vou te matar porque você é minha e não será de mais ninguém) e de suicídios (como se dissesse: “não vou viver em um mundo em que não tenho ele/ela”).

Ora, ninguém – de verdade – nunca teve ninguém! O máximo que podemos dizer é que temos a oportunidade de compartilhar momentos com outras pessoas.

Se entendermos esse equívoco na linguagem (que não existem meu marido, meu namorado, minha esposa, meu namorado, etc) conseguiremos com certeza superar melhor o fato do afastamento. Diríamos perda da outra pessoa. Mas não podemos dizer isso, porque nunca houve posse real para existir perda.

5) A perda de tempo

Por fim, é importante pensar que, já que não possuímos outras pessoas, e já que o que fazemos é compartilhar tempo (e espaço) com pessoas queridas e amadas, seria ótimo se puderemos fazer uma reflexão sobre a perda de tempo.

Apesar de que não seria totalmente correto dizer que perdemos tempo, pois o tempo também não nos pertence, é curioso pensarmos nessa frase que ouvimos com tanta frequência. O que significa ganhar o tempo? O que significa perdê-lo?

Para fechar, um exemplo do campo dos relacionamentos amorosos: se vimos que não somos donos da pessoa com quem nos relacionamos afetivamente e se vermos que o que “temos” é um tempo (curto, médio ou longo) com esta pessoa, não seria melhor aproveitar o tempo com bons momentos? E assim, ao invés de brigar por isto ou aquilo, aproveitar o tempo e viver bons momentos?

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