Tornar-Comum


Nas zonas cinzentas da imprensa, a verdade passou a não ser almejada mais que tudo. Temos o jornalista como uma máquina, direcionada para a fiel tradução da realidade. A verdade é a verdade do rebanho. Em direção aos interesses da massificação da informação, para atingir cada vez mais, um maior número de público.

A mídia nasceu com o intuito original na possibilidade de circular novas idéias e produzir interação dentre os que compartilhavam as mesmas convicções, pois todo comunicar é tornar-comum. Entretanto o caráter industrial atribuído ao jornalismo no inicio do século XX fez com que as técnicas individuais do jornalista não fossem levadas em consideração, traduzindo assim o jornalismo em mero relatório, com técnicas impessoais e com o único intuito de abreviar. O Profissional transformou-se em apenas um espectador da realidade e a Noticia transformou-se numa abreviação da própria vida.

A falta de experiência que invadiu o seio jornalístico, afeta a qualidade e prejudica toda a sociedade também nas novas tecnologias de informações, assim como uma celebração do amadorismo. Andrew Keen sugere que “a internet possa ser um pesadelo cultural”. Nem sempre o que se lê na internet pode ser levado a sério. A notícia que circula na web sobre o cancelamento do show da Beyoncé no Rio de Janeiro, creditada ao site do jornal O Globo, é falsa. Tivemos também as falsas noticias sobre vôo 447 e outra sobre o fenômeno Ronaldo, ambas usadas para roubar senhas bancárias de internautas. Nada escapa ao mercado no mundo capitalista em que vivemos. A blogosfera em si, virou um inconsciente coletivo.

A terra se transformou na maquinaria global dos interesses e rendimentos. Na crise do pensamento, duas vertentes passaram a comandar: a mídia que mostra a verdade e a que manipula. O ex-deputado Wallace Souza que o diga. Acusado de comandar uma máfia e de encomendar assassinatos para conseguir imagens para o programa de televisão na qual era apresentador. É em torno da lógica do dinheiro e da audiência, que passou a ser definida as relações entre as pessoas e a mídia.

Em uma sociedade inteligente, jornalistas não são simples observadores, mas participantes ativos de sua participação são atores dos fenômenos que reportam. O ideal seria que todas as mídias pudessem promover o debate, incitar a reflexão e provocar questionamentos de ordem intelectual e apelar para sua experiência singular, utilizando o conhecimento útil, provendo a seleção de noticias com qualidade, fazendo utilização dos filtros imaginários, que orientam o caminho jornalista, servidor do instante.

A realidade é uma opinião. O jornalismo imparcial é impossível, e que se há uma realidade, ela é constituída pelo olhar de cada um de nós, trabalhadores do conhecimento.

by Jéssica Cegarra

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