Em economias capitalistas, assalariados são disputados e têm aumentos salariais constantes


E isso refuta a principal tese da esquerda

“Como proprietário, estou pensando no longo prazo e adotando uma visão mais global”. Essas foram as palavras de Eric Mason, proprietário de uma franquia da rede de fast-food Chick-fil-A, em Sacramento, Califórnia.

Mason estava falando sobre seus empregados e suas vendas. Ele acredita que restaurantes bem-sucedidos são uma consequência de funcionários bem pagos e satisfeitos. Foi por isso que ele anunciou que estava concedendo aumentos para seus empregados, elevando os salários de US$ 12-13/hora para U$ 17-18 por hora. (Equivalente a quase R$ 10.800 por mês).

O fato de Mason estar elevando o salário de seus empregados para um valor muito acima do salário mínimo estipulado pelo governo da Califórnia (que é de US$ 11 por hora) é um lembrete de como os comentaristas de esquerda são desinformados quando falam emotivamente sobre “exploração” e “salários estagnados”. Eles podiam aprender muito com este fato. O empreendedor Mason enxerga com clareza algo que eles não veem: trabalhadores mal pagos são incrivelmente caros.

E eles são caros porque não são muito produtivos. Como diz corretamente o ditado, você recebe aquilo pelo que você paga. Trabalhadores mal pagos não precisam fazer um bom serviço simplesmente porque eles não estão sendo compensados por isso. Empreendedores que desejam que seus negócios prosperem precisam de empregados que se sintam bem recompensados. Mason demonstra saber disso.

Entrevistado pelo jornal The Washington Post sobre sua decisão de aumentar os salários de seus empregados, Mason disse: “O que esse salário (muito acima do salário mínimo) faz pelo empreendimento é fornecer consistência e manter pessoas que possuam relacionamentos com nossos clientes; e irá construir uma cultura de longo prazo”.

“Cultura de longo prazo” é a questão crucial aqui. O ponto de Mason é que a rotatividade de empregados é algo bastante custoso. E gerador de ineficiências e perdas. Treinar empregados que logo irão sair da empresa não apenas é um desperdício de tempo, como também é péssimo para os negócios.

Clientes frequentam e privilegiam determinados restaurantes por vários motivos. Consistência em termos de qualidade da comida e dos serviços, assim como uma atmosfera agradável e receptiva claramente são fatores determinantes. E cada uma destas qualidades tem mais chances de ser encontradas em restaurantes que retêm seus empregados no longo prazo.

Tudo isso demonstra claramente como pode sair caro para um empreendedor remunerar mal seus melhores empregados. Fazer isso significa afugentar empregados capazes de memorizar com maestria o menu, de criar uma “cultura de longo prazo”, e que irão conhecer vários clientes pelo nome e pelo pedido.

Essa constatação de Mason é tão antiga quanto o fenômeno dos lucros. Henry Ford já havia entendido, há muito tempo, o que Mason demonstra entender agora. Empregados mal pagos são um fardo para os negócios. Ford duplicou o salário básico de seus empregados em 1914. A lenda é que ele fez isso para possibilitar a seus funcionários comprarem Fords. Falso. A verdade é que ele aumentou o salário de seus empregados para diminuir a rotatividade deles. Em 1913, a rotatividade de empregados na economia americana era de incríveis 370%. Isso limitava a capacidade de Ford de obter lucros. Falando claramente, salários baixos estavam custando muito caro a Ford e à sua empresa. Assim, ao aumentar os salários e diminuir a rotatividade, Ford reduziu seus custos trabalhistas, pois não mais tinha de treinar novos empregados.

Tudo isso mostra como é insensata a popular crença da esquerda de que empresas só prosperam quando pagam o mínimo possível para seus empregados. Por uma questão de lógica básica, é impossível fornecer produtos e serviços de qualidade quando sua mão-de-obra produtiva é mal remunerada e está insatisfeita. E sem produtos e serviços de qualidade, nenhuma empresa prospera em um mercado competitivo.

É de se perguntar: aqueles que acreditam que empresas crescem por meio da exploração de empregados realmente acreditam que as visões de Mason e Ford sobre salários representam uma minoria? Empresas bem gerenciadas, de todos os tipos e tamanhos, sabem muito bem que empreendimentos só prosperam quando seus empregados aparecem todos os dias para trabalhar, e motivados e inspirados. Empreendedores e CEOs de sucesso sabem que a parcimônia nos salários não é o caminho para os lucros.

Acima de tudo, todo empreendedor sabe que empreendimentos lucrativos são aqueles que pagam bem a seus empregados. Funcionário bom e produtivo tem de ser mantido a todo custo. E quando o funcionário é bom, seu alto salário é pago com gosto.

Quando a General Electric se tornou uma blue chip na bolsa americana na década de 1990, seu apelido era “Generous Electric“, tão generosos eram os salários e bônus pagos a seus empregados. À mesma época, dizia-se algo semelhante sobre a Time Warner: a anedota era que a empresa retinha seus funcionários por meio de “algemas de ouro“. Tão temeroso ele estava de perder seu capital humano para as startups do Vale do Silício, que o Goldman Sachs começou a distribuir generosos bônus para seus empregados durante o boom da internet no final da década de 1990.

Atualmente, os leitores podem simplesmente olhar para a Amazon. É uma das cinco empresas mais valiosas do mundo. Não surpreendentemente, os salários pagos pela Amazon são bastante impressionantes. E qualquer um que duvide disso deve apenas observar a acirrada concorrênciaque está havendo entre as cidades americanas para ver qual será agraciada com a segunda sede da gigante (a original está em Seattle).

Achou os exemplos acima muito corporativos? Acha que eles envolvem apenas assalariados com formação acadêmica? Quer exemplos de empresas menores fazendo o mesmo? Pois não. Considere o setor de encanamentos. Em uma matéria que saiu na primeira página do The Wall Street Journal, em maio, foi noticiado que uma pequena empresa no Colorado, chamada Neuworks Machanical, está oferecendo a seus encanadores “barris de Chope no local de serviço”, máquinas de espresso com grãos torrados, churrasqueira e, já em construção, um estúdio de ioga. Outra empresa de encanamento, agora em St. Louis, oferece fliperamas modernos e uma “sala de descanso”, ao passo que outra empresa pequena e obscura, descoberta pelo Journal, oferece a seus empregados massagens e tratamentos de spa.

Quem atrapalha tudo?

Mas, se oferecer salários altos é o segredo, por que então há tantos casos de salários baixos e mão-de-obra mal remunerada ao redor do mundo?

Há vários motivos, mas eis os três principais:

1) O primeiro motivo é fácil, mas creio ser o mais raro de todos: empreendedores sem visão. Pessoas assim existem em todas as partes, mas não têm como ser majoritárias, simplesmente porque pessoas assim não duram muito tempo no mercado.

O que nos leva para o segundo motivo.

2) Baixa acumulação de capital.

Somente um fenômeno é capaz de aumentar os salários de todos os diferentes tipos de trabalho e, por conseguinte, o padrão de vida das pessoas: a acumulação de capital.

Quanto maior a quantidade de bens de capital utilizados por um trabalhador, maior será sua produtividade.

Um operário americano chega a ganhar até cem vezes mais que um indiano não porque ele é mais trabalhador ou mesmo mais capacitado. A explicação é muito mais simples: o americano utiliza cem vezes mais capital investido pelo mercado (máquinas, ferramentas, instalações industriais, meios de transporte etc.) que seu colega indiano.

O capital investido é o que aumenta a produtividade, os salários e, consequentemente, o padrão de vida de uma sociedade. A acumulação de capital, ao tornar o trabalho humano mais eficiente e produtivo, é o que permite aumentos salariais para todos. Trabalhar menos e produzir mais é o resultado direto da acumulação e do uso do capital.

Consequentemente, aqueles sistemas econômicos que mais favorecem a poupança (é a poupança o que permite os investimentos que criam bens de capital) e a acumulação de capital são os mais benéficos para os trabalhadores, inclusive os pouco instruídos.

Mesmo pessoas pouco instruídas podem se tornar muito mais produtivas — e, logo, terem aumentos salariais — caso sejam dotadas dos bens de capital adequados.

3) O terceiro motivo é direto: regulações trabalhistas e encargos tributários sobre a folha de pagamento.

Baixos salários, insatisfação e até mesmo “exploração” são fenômenos típicos de economias amarradas pelo governo. A lógica é direta.

Em uma economia livre e dinâmica, na qual sempre há oportunidades de emprego, se um indivíduo tem um emprego do qual não gosta ou no qual se sente desprestigiado, ele simplesmente pede para sair deste emprego e vai à procura de outro. Sendo ele competente em sua área, os empregadores irão lhe disputar acirradamente, fornecendo benefícios e salários altos. Afinal, sendo ele competente e produtivo, aquele empregador que lhe oferecer um simples aumento salarial e o conseguir como empregado terá enormes lucros. Os empregadores disputariam esse trabalhador.

Logo, em uma economia livre, é o trabalhador quem estipula o próprio salário.

Já em uma economia amarrada pelo governo, na qual há poucas oportunidades de emprego, e o próprio ato de contratar alguém legalmente é extremamente caro [no Brasil, encargos sociais e trabalhistas dobram o custo de um empregado], o trabalhador fica sem opção. Nesta economia amarrada pelo governo, aquele trabalhador que não gosta do seu emprego ou não se sente valorizado não tem nenhuma opção. Se ele pedir demissão, dificilmente encontrará outro emprego legal — pois a economia é amarrada e os custos trabalhistas são altos.

Assim, quanto mais regulada e burocratizada a economia, e quanto maiores os encargos tributários sobre a folha de pagamento, menores as disponibilidades de emprego, menor o poder de barganha dos trabalhadores, menores os salários, maior a insatisfação, e maiores as chances de abuso.

Em suma: se o mercado de trabalho é engessado por regulações trabalhistas e tributos sobre a folha de pagamento — os quais encarecem sobremaneira o preço do trabalho legal —, o governo está simplesmente fazendo com que empreender e gerar empregos legalmente seja proibitivo em termos de custos. Consequentemente, a mão-de-obra de qualidade mais baixa terá dificuldades para encontrar empregos formais, pois não é produtiva ao ponto de gerar mais receitas do que custos para seus empregadores. Seu poder de barganha será nulo, não haverá disputa por sua mão-de-obra e seus salários serão permanentemente baixos.

Não culpe os capitalistas. Culpe os políticos.

Conclusão

Tudo o que foi descrito acima mostra a dimensão do mito de que os salários estão estagnados nos EUA. Se isso fosse verdade, será que as empresas estariam pagando tanto e oferecendo tantas benesses com o intuito de conquistar e manter empregados? É verdade que há vários empreendedores e CEOs que são espertos o bastante para saber que uma força de trabalho satisfeita significa consumidores satisfeitos, mas essa atual disputa por trabalhadores é resultado da busca por talentos entre as empresas. E isso é o oposto de estagnação salarial.

Salários estagnados pressupõem ausência de crescimento econômico e uma escassez de empresas de sucesso. Nada disso se observa nos EUA, que são sede das principais e mais valiosas empresas do mundo. Em uma economia dependente de pessoas, é apenas natural que as pessoas que integram as empresas americanas estejam sendo pagas cada vez mais, e ganhando benefícios cada vez mais criativos. Tão impressionantes são os benefícios pagos nos EUA, que até mesmo redes de fast food têm de dar aumentos salariais para concorrer no mercado de trabalho.

Portanto, ao passo que vários comentaristas de esquerda genuinamente desejam o melhor para os trabalhadores, muitos ainda acreditam na falsa ilusão de que empresas prosperam quando minimizam os salários de seus empregados. Impossibilidade lógica. Elas não podem se dar a esse luxo. Elas têm de batalhar por empregados e se esforçar para pagar o máximo possível, pois, caso não consigam obter e manter os melhores empregados, estarão no caminho certo para a irrelevância.

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