Ação do Álcool no Cérebro 


Por que o álcool relaxa?

Silvia Helena Cardoso, PhD e Renato M. E. Sabbatini, PhD
André Luis Malavazzi (arte e animação)

 
Por favor, aguarde o carregamento da animação Antes do álcool

O álcool parece atuar sobre canais existentes nas membranas dos neurônios, através dos quais estas células trocam íons com o meio circundante. Por meio deles, íons positivos ou negativos
entram e saem dos neurônios, aumentando ou diminuindo sua atividade elétrica.

O procedimento, por sua vez, afeta todas as funções cerebrais. Normalmente, os canais iônicos são abertos ou fechados pela ação de neurotransmissores ou por variações na diferença de potencial elétrico entre o interior e o exterior dos neurônios.

Quando o etanol se liga ao receptor GABAérgico (canal de cor azul-violeta mostrado na imagem do centro), ele promove uma facilitação da inibição GABAérgica. O resultado é um efeito muito mais inibitório no cérebro, levando ao relaxamento e sedação do organismo. Diversas partes do cérebro são afetadas pelo efeito sedativo do álcool tais como aquelas responsáveis pelo movimento, memória, julgamento, respiração, etc. porque existem receptores GABA em muitas partes do cérebro. O uso prolongado do álcool pode causar dependência. Então, se a pessoa para de beber, ela experimenta desconforto emocional, ansiedade, tremores, insônia.

Por que o álcool relaxa ?

Embora bem conhecidos os efeitos relaxantes que o álcool provoca no organismo, até o momento ninguém sabia explicar exatamente o por quê.

O motivo – que acaba de ser noticiado pela revista Nature – foi descoberto por uma equipe de pesquisadores liderados por Toru Kobayashi, da Universidade Niigata, no Japão, e Joanne Lewohl, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos.

Os pesquisadores constataram que o álcool abre um tipo específico de canal iônico, chamado de GIRK. Quando aberto, esse canal permite que as células cerebrais eliminem íons potássio, reduzindo desse modo sua atividade. O resultado é uma depressão do
funcionamento do cérebro – percebida como sensação de relaxamento pela pessoa que bebeu.

A ação direta do álcool só foi confirmada em relação a esse fenômeno específico. Outros efeitos da droga, como a diminuição do controle motor, são provocados indiretamente e exigem o auxílio de neurotransmissores ou da alteração da voltagem nas membranas dos neurônios.

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