Uma Cultura de Paz


Uma Cultura de Paz

palestra_curitiba

Monja Coen (foto Jubal S Dohms)

Que nós possamos ser esse átomo de paz que daqui se espalha para todo o universo. “Om Shanti”.

A meditação que nós fazemos vem do “zen” que vem do sânscrito “dhyana” que é parte do yoga. O nosso fundador original Gautama Xakiamuni Buda, era um praticante de yoga. Ele se especializa, vamos dizer no “Dhyana”; ele começa a dar toda atenção da sua vida à pratica da meditação. E é daí que vem esse nosso encontro com a essência do ser. A meditação não precisa ser apenas “sentados em algum lugar”, mas – como disse a professora Monserrat – “é nossa vida”. E nessa nossa vida, que é um estado meditativo, só quando nos apercebemos disso é que há transformação. No começo dizemos que não temos muito tempo para meditar… tenho que fazer tantas coisas e não posso meditar; vou encaixar cinco minutos de meditação na minha vida… E depois, nós começamos a ver ao contrário, a nossa vida é todo um processo de crescimento, de compreensão, de aprofundamento.

Quando nós falamos de cultura de paz, na verdade esse termo “cultura de paz” já começa a aparecer no séc XIX, claro que é uma coisa muita antiga, mas só bem mais tarde é que a UNESCO vai incorporar e fazer “a década da cultura de paz”, no ano 2000. É também uma coisa muito recente, nós estamos falando de uma coisa muito recente ainda, embora seja muito antiga no sentido de uma transformação de consciência de toda a humanidade. Essa transformação, como também disse Monserrat, da primeira pessoa do singular para a primeira do plural. Esta caminhada que não é só “cada um de nós”, mas é “nós todos”, porque se nós todos não fizermos essa caminhada, ela não chega a ser uma grande caminhada. Ela vai ficar limitada. Mas depende que cada um de nós comece a dar os seus passos em direção à paz. E como bem a professora disse, nós temos que morrer primeiro, mas não é morrer a morte física, nós temos que morrer para os nossos conceitos, as nossa idéias, os nossos pré-conceitos, as nossas discriminações, a ilusão de que estamos separados, a ilusão de que o eu individual existe separado e é forte e permanente, nós somos um processo contínuo em transformação.

Eu sempre gosto de contar a história de um monge que viveu China, no séc VIII, e que chamava-se Guensha Shibi. Ele era um pescador, e um dia ele foi com seu pai fazer uma pescaria, e o pai caiu na água e morreu. E ele não conseguiu o salvar o seu pai, e ficou desesperado. Depois ele se sentou quietamente no barco, e as águas se acalmaram, e as nuvens se foram, havia uma lua cheia que se refletia completamente nas águas. E ele se lembrou que os monges budistas diziam que a nossa mente deve ser tranqüila, tão plácida como as águas na qual a lua se reflete. E ele teve uma inspiração: que ele se tornasse um monge; era a maneira dele homenagear seu pai, que havia morrido, e ele não havia podido salvar. E ele vai ao mosteiro e, em pouquíssimo tempo, ele se torna o abade principal. Era raro, porque os abades eram só das elites aristocráticas, muito intelectualizadas. Ele era um homem simples, semi-alfabetizado. Mas as pessoas começam a vir de todas as partes perguntando a ele: – qual a essência do seu ensinamento? e ele dizia que “o universo é uma jóia maravilhosa, arredondada, mas não há dentro nem fora”.

Isso merece atenção, é muito importante, o universo, vejam, mesmo naquela época, muito antes de terem descoberto que a terra era redonda, nós estamos falando do séc VIII, na China, ele dizia que o universo, tudo que existe é uma jóia arredondada que não tem dentro nem fora. A nossa mente dualista separa eu e o outro, dentro e fora. Nós temos que chegar a esse ponto da transcendência da dualidade, onde o uno se manifesta.

O que é o obstáculo do uno? É o duo, no cristianismo tem uma palavra especial para isso, é o diabo; no budismo também existem muitos diabos, nós falamos de muitas formas, muitas energias que querem nos separar e procuram nos afastar do uno. Mas nós dizemos que cada uma dessas forças que querem nos impedir, cada obstáculo da nossa vida, é um portal. E é o que nos permite perceber que nós podemos ir além, na hora que vem o obstáculo, oh! que horrível esse obstáculo, não… que bom que esse obstáculo veio até a mim, porque ele é uma porta, ele vai permitir uma penetração mais profunda na verdade.

Há um monge vietnamita chamado Tchich Nhat Hanh, os amigos mais íntimos o chamavam de Tái (Thai – mestre, no budismo vietnamita). Ele ajudava muitos refugiados durante a guerra do Vietnam. Uma vez, na Malásia, não queriam deixar que os refugiados entrassem e ele ficou muito nervoso com isto. E ele começa a caminhada meditativa, e ele se lembra que ele dizia às pessoas que sofriam os horrores da guerra, que não tivessem rancores, não tivessem ódio, que respondessem com ternura e compreensão mesmo para aqueles que os feriam. Mas ele fica revoltado e na hora e não consegue nem sentar na meditação, então ele anda no quarto de um hotel em que ele está, e ele diz “eu invoco a paz, que a paz esteja aqui, que eu possa alcançar a paz”. Ele começa a fazer a respiração consciente, então ele começa a trabalhar com a respiração e seus passos. E ele se acalma, se tranqüiliza, entra nesse estado de paz, e sente ao penetrar nesse estado, uma maior capacidade intelectual, ele se lembra de alguém que lhe deu um cartão, ele telefona a essa pessoa, e consegue resolver o problema, ele consegue fazer com que tenham alimentos nos navios e que as pessoas não morram.

Há tantas coisas que nós podemos fazer no dia-dia quando nós penetramos nesse espaço da tranqüilidade verdadeira, que é a nossa natureza. No budismo nós vivemos a natureza Buda, a natureza iluminada; não é que nós temos, nós somos, tudo o que existe é a manifestação dessa natureza iluminada Gensha Shibi falava “essa jóia arredondada, que não tem dentro nem fora, e que está num processo contínuo de transformação, não pára nem um momento”.

O apego, como tão bem Monserrat falou, que importante é nós desapegarmos. Eu costumo brincar com as pessoas, que o apego é assim… Se eu tiver uma cola na minha mão, algo melado, grudento, e eu pegar esse microfone e disser que esse microfone é a melhor coisa que existe, que adoro este microfone, que não vou largar nunca mais, é meu. Não é assim que nós começamos com o apego? é meu! Daí uma mão não é suficiente, quero pegar com as duas, é todinho meu, não solto nunca mais. Daí eu fico com sede, é difícil, porque não vou poder pegar água, porque as duas mãos estão ocupadas, quero sair da sala não posso, porque o fio é limitado. É isso que nos fazem os apegos, eles nos limitam, nos aprisionam. E não são só os apegos às coisas materiais, os apegos às nossas idéias, até aos nossos conceitos de cultura de paz – veja como é forte isso. Até disso, nós temos que abrir mão para nos tornarmos essa paz, para podermos ter ações efetivas de libertação, da verdadeira libertação de cada ser, no máximo de seu potencial, e da nossa sociedade, da nossa comunidade.

Como é que nós estamos agindo na comunidade? Como é que nós nos transformamos na compaixão pura e ilimitada? Dentro do budismo existem dois alicerces, duas bases, a compaixão e a sabedoria. Não existe sabedoria se não houver também compaixão. Não se pode dizer que a pessoa é muito sábia, mas que não percebeu que intersomos. Ou que ela é muito compassiva, boazinha, mas não é sábia. Não há verdadeira compaixão sem sabedoria, se as duas coisas não caminham juntas. Esse monge vietnamita, Tái, ele fala essa palavra que eu adoro, que devia estar em todos os dicionários: interser. Nós intersomos, nós não existimos sozinhos, nós somos a vida do universo em transformação, nós somos feito da mesma matéria prima de que são feito os astros, as minhocas, os cupins, tudo que existe. A matéria prima é a mesma, causas e condições fazem com que nós surjamos agora nesta forma que temos nesse momento, que não é fixa, que não é permanente, que está em transformação. Agora, em que direção que vai essa transformação, é nossa responsabilidade. Nós direcionamos isso, nós podemos fazer escolhas, e a escolha é feita a cada instante.

Uma das preces que nós fazemos em japonês diria assim, por exemplo: “Namu Kanzeon”, que seria uma invocação à Compaixão Suprema “Avalokitesvara”; outra seria “Namu Xaquiamuni Butsu”, que é o Buda Histórico; “Namu Amida Butsu”, que é o Buda da Luz Infinita; “Namu MyoHo Renge Kyo” que é o Sutra do Lótus do Maravilhoso… Existem várias maneiras, mas o que é mais importante, é que a nossa mente se torne Buda. Eu não vou pensar sobre Buda, não vou falar dos conceitos sobre o que é Buda e o que deixa de ser Buda, mas como é que o meu pensamento pode se tornar iluminado, a minha forma de pensar e falar, e a minha ação concreta na realidade, ela tem que ser iluminada. Mas ela só é iluminada na hora que eu encontro o espaço da iluminação em mim.
Eu digo que cada vez que um de nós se torna um ser iluminado toda a humanidade caminha um passo em direção a iluminação, porque nós estamos interligados, interconectados.

Este monge vietnamita, que também gosto muito, assim como do Dalai Lama, sem dúvida ele tem uma forma educativa, que eu acho muito interessante, e que questiona, erguendo uma folha de papel: vocês estão vendo a nuvem aqui? Há uma nuvem nesta folha de papel. Ele diz que qualquer poeta vê, será que nós estamos vendo? Porque sem a nuvem não há árvore, sem a árvore não há papel. Se nós vimos a nuvem e vimos a árvore, nós vimos o sol e as estrelas, nós vimos os campos, nós vimos os animaizinhos, vimos as folhas, as flores, os frutos, as várias estações do ano. E vimos o lenhador… Oh, lá vem vindo o lenhador, e ele traz o seu machado; e nós vimos os minérios, tem o ferro… O lenhador traz também no seu bolso um sanduíche, um lanchinho que a mamãe dele preparou, olha a mãe dele, ela está aqui no papel. E, se vimos o sanduíche que é feito de pão, vimos o campo de trigo. Essa folha de papel é feita de elementos não-papel. Tudo que faz essa folha é tudo que ela não é.

Nós, cada um de nós, somos feitos de elementos não-eu. Nós somos feitos de tudo que existe no universo. Então, se não cuidarmos de tudo, não estamos cuidando de nós. Para cuidarmos de nós, e enquanto cuidamos de nós, também estamos cuidando do todo. Quando nós paramos no nosso dia a dia, e vamos ter uma respiração consciente, e vamos cuidar da nossa mente, da nossa sanidade, vamos encontrar o nosso espaço de sabedoria e compaixão, nós estamos cuidando do todo. E quando nós nos engajamos em ações sociais, de cuidar daqueles que precisam, sem a intenção de estar sendo bonzinho, mas percebendo que o outro sou eu, que todos os outros que nós encontramos são aspectos de mim mesmo, é que a minha doação é livre e solta de intenções, ela se torna uma ação efetiva de transformação. Agora se tiver qualquer resquício de que “eu estou fazendo e veja que bonzinho eu sou quantos méritos eu tenho”, daí começa a ficar pegajoso, começa a ficar aquela coisa que acaba nos limitando e não nos libertando, e a nossa ação deixa de ser efetivamente de transformação.

Cultura de paz quer dizer essa transformação em tudo. Nós estamos falando de uma coisa muito profunda. Como é que é feita a educação nas escolas? Nós podemos educar para a paz? A maneira que a história da humanidade é contado nas escolas é uma história de guerra, de violência, de conquistas, nós aprendemos a primeira guerra mundial, a segunda; mas raramente aprendemos como é que situações difíceis foram resolvidas através do diálogo, da reconciliação, dos encontros. Parece que é só guerra, mas nós não somos só guerreiros…

Onde está a história das mulheres? Quem escreveu qual é o papel da mulheres na história da humanidade? Tem pouca coisa escrita… A história dos negros, da África, onde está? E a história dos índios? Mesmo na minha tradição budista, nós temos feito estudos críticos… o budismo crítico… Onde está a história das monjas? Muitas vezes, quando falam das monjas… “ela era tão desapegada”, mas não passa disso… isso é importante, é fundamental, mas existe um passo no caminho… Como diz a professora Monserrat, tem que se chegar a essa compaixão e sabedoria. As monjas eram analfabetas, elas não escreviam os textos… Isto é cultura de paz… quando nós vamos incluir tudo aquilo que forma a nossa humanidade. Dentro do budismo há muito respeito, por exemplo, aos antepassados… O budismo japonês é muito cuidadoso com isso. Vamos respeitar aqueles que vieram antes de nós, que tornaram possível nossa vida. Se nós formos olhar lá para traz, é imenso… imagina de cada pessoa tem pai e mãe avô e avó, maternos e paternos, bisavô e bisavó, de um e de outro lado… imagine, uma multidão lá atrás. E mesmo assim, tem menos pessoas lá atrás do que agora. Por que? Qual é a nossa ancestralidade comum? Como falamos de respeito ao ancestral, é um respeito à vida, a todas as formas de vida, nós respeitamos primeiro, com certeza, aqueles cujos nomes nos lembramos, as faces que nós conhecemos, mas há todas as faces, todos os nomes… É muito mais intenso esse respeito à vida, na sua diversidade.

Quando se fala em tolerância, é uma palavra muito importante, mas que nós já estamos até indo além, porque o tolerar dá a impressão de que “eu tolero isso”, mas ainda tem uma coisa de rejeição. Nós procuramos dizer que “mais do que tolerar, apenas” é compreender e respeitar. Compreendo que há diversas maneiras de se manifestar o sagrado, as diferentes culturas e religiões; mas se eu sei que essa grande força é una, onde tudo está incluído, tudo e todos os seres, como eu posso dizer que um grupo não faz parte? Todos fazem parte.

A mentira faz parte da verdade. Se alguém mentir aqui nessa sala, se eu disser uma mentira, todos vão dizer: isso é uma mentira, “é verdade que isso é mentira”. Se nós estamos no uno, todas as partes fazem parte, não tem exclusão. Mas tem que haver um cuidado porque, embora todos sejamos essa manifestação da verdade do universo, muitos ainda não percebem e vivem como se vivessem dentro de um casulo, se achando separados. E não adianta ficarmos com raiva deles, não adianta a gente querer sacudir a pessoa e dizer “sai!”, porque daí estaríamos entrando na mesma cultura de violência, de querer agir violentamente para transformar, quando o que vai transformar é a sabedoria e a compaixão, então esse “cuidado” é a maneira terna de compreender.

Eu fiz uma palestra em uma escola, e uma moça, uma aluna que estava fazendo cursinho para vestibular, depois veio, me abraçou e começou a chorar muito, então eu perguntei… o que foi? Ela contou: minha casa está horrível, meu pai está bravíssimo com minha mãe, o tempo todo ele fica falando mal da família da minha mãe, e isso me incomoda muito, eu fico muito triste, porque é a família da minha mãe, eu gosto deles, gosto da minha mãe, do meu pai, e eles brigam muito, é terrível! Então eu disse para a aluna, pedi para que fale com seu pai… Como? Ele está dando um grito de socorro, ele não está bem, se ele fosse sempre assim, mas não é. Algo está acontecendo com ele, então ao invés de afastá-lo, você tem que chamá-lo, pergunte o que está acontecendo, faça alguma coisa procure o caminho, o caminho do coração, fale de coração com coração, procure acessar naquele ponto… Às vezes as pessoas se perdem… o que está acontecendo, quando alguém está dando esse grito de violência?

Ontem à noite quando cheguei no hotel, e pude ver na televisão a cabo, eu pouco vejo televisão, e estavam noticiando sobre as eleições americanas, a respeito do presidente atual e de um outro candidato do partido democrata. E eu ouvi um pouco, porque é tão interessante, porque é tão nacionalista a campanha, e ele também foi um soldado na guerra do Vietnam. Ele estava dizendo que “nós vamos fazer guerra, sim, mas se for necessário, mas não vamos criar guerras”, isso é uma resposta aparente a alguém, por uma guerra que foi iniciada segundo ele, sem necessidade. Eu pergunto: onde está a transformação? Não são partidos políticos que transformam; é a mudança do coração humano. Quando o governante se tornar aquele que vai cuidar de verdade, acho que nem vai falar em guerra nenhuma. Porque a humanidade toda forma um só corpo, uma só vida, eu não posso defender o país contra outro país, não existem inimigos.

Existem três venenos para o ser humano: a ganância, a raiva e a ignorância; e eles podem pegar qualquer um de nós. E quando alguém está envenenado, como um bom médico, nós não vamos ficar com raiva da pessoa com veneno, nós não vamos querer destruir a pessoa que está envenenada, mas nós temos que procurar o antídoto. Da ganância, o contrário é a boa ação, o que minha vida tem a oferecer ao mundo? A minha superiora dizia “que a vida dela fosse como uma lâmpada acessa e que se queimasse na sua própria existência queimando para iluminar todos os seres, para oferecer alguma coisa, um pouco de luz, de calor, de sabedoria”, não o que vou tirar para mim, mas o que eu ofereço, a minha vida para o bem de todos os seres. É um dos primeiros passos, o contrário da ganância, de “vou pegar coisas, eu preciso coisas”. Elas passam por mim, eu passo por elas, e fico a disposição de servir.

A raiva é forte, ela vem e nos pega, nos aperta, esquenta, contrai a musculatura. Por isso é tão importante o trabalho do yoga, ele trabalha com a essência do ser, vai em cada pedaço do seu corpo, para você soltar as amarras emocionais, espirituais, se transformar – é preciso isso. A raiva é uma contração muscular, é um processo respiratório; nós podemos transformar a raiva através da respiração consciente. E mais importante, como diz Dalai Lama, é como é que transformamos a raiva em compaixão, em compreensão. Eu sempre repito um episódio do Dalai Lama, que adoro, e que diz de um monge que havia sido preso, torturado, e que finalmente foi solto, quando houve a invasão do Tibet. Dalai Lama, estava em Dharamsala, na Índia, e esse monge chegou até ele, e sua santidade pergunta a ele “meu filho o que foi mais terrível para você durante esses anos de prisão de tortura, o que foi pior?” e ele responde que “por um breve instante quase deixei de sentir compaixão por aquele que me torturava; isso é apavorante! se o meu coração de compaixão se fechar… disso eu tive medo”. Eu acho que isso, essa é a transformação de raiva em compaixão.

Um amigo meu, que é um xamã, conta que existem crianças xamânicas na Bolívia, que disseram que o mundo está em tanta violência, tanta guerra, porque as lideranças mundiais têm crianças internas e que essas crianças internas estão com medo, e que nós temos que fazer as nossas preces, orações, meditações para que as crianças internas, das lideranças mundiais não tenham medo. Medo é uma força terrível, e o ensinamento principal é não ter medo, não há nada a temer, não há nada a perder, porque não tem o eu. Só quando nós percebemos esse inter-ser, é que realmente a mudança acontece. A raiva se transforma em compaixão, em compreensão, em sabedoria.

E sabedoria é o terceiro antídoto, o contrário da ignorância. Que nós possamos acessar essa fonte de sabedoria que está em todos nós. Ela já está, escondida, dentro de nós; ela se manifesta em cada célula do nosso corpo, mas a nossa mente consciente pode acessá-la. É como se fosse o mouse do computador, e aonde eu quero acessar, eu posso acessar, o Buda mais iluminado e mais sagrado, a essência verdadeira de mim mesma, ou qualquer melodrama. O que nós procuramos de verdade, na hora que nos procurarmos, verdadeiramente encontramos. Há uma frase de um bispo católico que dizia “a procura é o encontro, o encontro é a procura”, o caminho não tem fim, não tem começo, é onde nós estamos.

E que nessa nossa caminhada, nós possamos ser esses átomos de paz que vão transformando, e que vão exigindo a transformação efetiva, para o bem de todos os seres através de ações, cursos, educação, sensibilização de todos nesse sistema, principalmente no educacional, na saúde pública e na justiça social. É nosso dever sermos esses emissários da paz, é que assim nós construímos, juntos, uma nova maneira, que é muito antiga, de nós cuidarmos e compartilhamos da beleza, da alegria da vida. Como ela disse, o contentamento, “santosh”. Mesmo sem nada, nós podemos ser contentes; mas a gente também pode ser contente tendo e compartilhando os bens materiais e espirituais com todos os seres.

Gasshô (mãos em prece).

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