O CUSTO MÉDIO DOS ESTÁDIOS DA SÉRIE A


11/08/2017 – por Felipe Barros e Felipe Diuana

Com campanha primorosa e apoio da torcida, Corinthians tem a maior renda bruta média da Série A

Antes algo pouco falado no Brasil, o tema “estádios” ganhou nova importância para os clubes em especial após o ciclo da Copa do Mundo de 2014. Ter uma arena moderna e capaz de gerar lucros se tornou um dos grandes trunfos de muitas equipes e tem gerado muitas discussões entre os torcedores: enquanto times que exploram bem suas casas geram grandes receitas, alguns grandes times do nosso futebol ainda sofrem financeiramente em seus jogos como mandantes.

Dentro desse tema, o Virando o Jogo analisou todos os borderôs do primeiro turno do Campeonato Brasileiro de 2017. Qual a despesa dos clubes em cada estádio? Qual a renda bruta necessária para que um time lucre em um jogo? E qual a melhor opção de estádio para cada equipe? Confira os números abaixo.

Levando em conta os clubes que atuaram mais vezes dentro de um mesmo estádio, o “campeão” do ranking é o Corinthians. Porém, como a Arena Corinthians foi construída com muito mais luxos do que o necessário, as despesas rotineiras em dias de jogo acabam sendo muito altas. Além dos custos operacionais, o atual líder do Brasileirão também “sofre” com as taxas: a cada partida em casa, o alvinegro tem que designar 10% de sua renda bruta para a Federação Paulista e para o pagamento do INSS (5% para cada um). Só com esses descontos, o Corinthians perde, em média, R$ 200 mil por jogo em casa.

Outra arena recente do nosso futebol, o Allianz Parque também tem uma despesa operacional maior do que os demais estádios. Mesmo com todo esse alto custo, o Palmeiras nem sequer cogita passar aperto financeiro nos jogos em casa. Não à toa, Corinthians e Palmeiras são as equipes que praticam o maior preço médio de ingresso no país, ao lado do Flamengo. Além da boa fase das equipes, um estádio moderno também cobra o preço de seus torcedores.

Voltando ao Rio de Janeiro, a situação do Fluminense é preocupante. Apesar de ter uma despesa média inferior à do Corinthians, o tricolor passa longe de ter uma renda bruta e média de público semelhante. Com uma arrecadação bruta média de R$ 542 mil no Maracanã, o Flu precisaria atrair mais gente para o estádio ou subir bastante seu preço de ingresso para sair do zero  a zero no Maraca.

Sem conseguir lucrar no estádio, o time não tem alternativas muito melhores. Em Édson Passos, no estádio Giulite Coutinho, o custo também não é baixo se levarmos em conta a capacidade de público e tamanho do estádio. Se quisesse voltar para o Nilton Santos, seria necessária uma composição com a diretoria do Botafogo. O custo médio de R$ 273.342 que o Botafogo tem em casa é sem aluguel do estádio, coisa que, fatalmente, o Fluminense teria que pagar ao Alvinegro para poder usar o Engenhão (algo em torno de R$ 200 mil por jogo). Tendo em vista esse cenário, para o tricolor só parecem restar duas alternativas: engajar mais sua torcida ou tentar diminuir os custos do Maracanã junto à concessionária.

Ao olhar o custo médio de todos os estádios do país, assusta (e muito) o custo da partida entre Flamengo e Atlético-MG, a única com o mando do rubro-negro no Maracanã. Se mantivesse essa média em todas as partidas em casa, o time da gávea teria quase o dobro de custo que o 2° colocado, o Corinthians. Ainda assim, o valor que o Flamengo tem pago para deixar a Ilha do Urubu em condições de jogo ainda está longe do ideal: para um estádio de aproximadamente 20 mil pessoas, o custo operacional e de utilização deveria ser bem menor que R$ 550 mil.

Um caminho para o time da Gávea poderia ser um acordo semelhante ao do Fluminense com o Maracanã. Para o tricolor, o Maracanã tem um custo médio de R$ 670 mil. Com capacidade para quase 80 mil pessoas, o antigo Maior do Mundo poderia dar mais lucros ao Flamengo em caso de jogos cheios. Para se ter uma ideia, o Fla-Flu do 1° turno (com mando do Fluminense) teve 38 mil pagantes e gerou uma renda líquida de R$ 537.794, mais que o dobro da renda líquida de Flamengo x Coritiba (R$ 245.115) na Ilha do Urubu, por exemplo.

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Enquanto uns clubes mal tem lugar para jogar, o Santos tem duas opções boas. Com uma alternância entre Vila Belmiro e Pacaembu, o alvinegro praiano precisa pensar bem antes de decidir onde vai mandar seus jogos. Por mais que, olhando o custo médio, o Pacaembu pareça ser uma opção mais onerosa para os cofres santistas, o estádio da capital paulista traz mais lucros ao Santos. Enquanto a renda bruta média jogando na Vila é de R$ 262.666 por jogo, no Pacaembu esse número sobe para R$ 753.862 por partida. Parece claro que, para os jogos de maior apelo, o alvinegro têm que optar pelo palco da capital.

Além do Santos, o Sport também tem duas opções de estádio. Mas o Leão usa a Arena Pernambuco de maneira mais esporádica, em jogos com garantia de grande público. Graças a isso, a renda bruta média nos jogos no estádio da Copa do Mundo sobe bastante em relação às partidas na Ilha: R$ 656.760 de renda média contra R$ 216.139 na Ilha do Retiro.

Já em Minas Gerais, observamos algo bem curioso. Enquanto o Cruzeiro, que joga no estádio de maior porte da cidade consegue atuar com despesas bem reduzidas no Mineirão, o Atlético-MG, que atua no Independência (um estádio bem menor), tem mais custos com suas partidas. Porém, na hora de ver a renda bruta de cada equipe, o Galo consegue gerar mais receitas, mesmo com menos ingressos para vender a cada rodada.

Ainda em relação aos custos médios do Mineirão, chama a atenção como o Cruzeiro consegue atuar em um grande estádio e ter uma despesa média inferior a estádios de menor porte como o Giulite Coutinho e a Vila Belmiro, que além de menor, é um estádio próprio. Para efeito de comparação, a única partida do Galo no Mineirão (contra o Corinthians), teve um custo superior ao R$ 400 mil.

Num panorama geral, praticamente todos os 20 clubes da Série A tem conseguido, em média, arrecadar mais do que gastam com seus mandos de campo, com exceção de Fluminense e Ponte Preta, que não tem conseguido fechar essa conta. Porém, é sempre bom lembrar que todos os grandes clubes deveriam buscar operações financeiras semelhantes a de Palmeiras e Corinthians, que possuem quase o triplo da renda bruta do 3° colocado do ranking e conseguem fazer do “fator casa” muito mais do que um favorecimento técnico.

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