A Teoria dos Polissistemas – Itamar Even-Zohar


A Teoria dos Polissistemas
A literatura não configura apenas um conjunto de textos acabados e encerrados em si mesmos. Configura, antes, um agregado de atividades que, como um todo, constitui um sistema que interage com outros sistemas. Even-Zohar, para organizar os elementos que constituem o (poli)sistema, tomou emprestado o conhecido esquema da comunicação e da linguagem elaborado por Roman Jakobson e o adaptou ao caso da literatura, ficando assim constituído e definido :

Instituição
(contexto)

Repertório
(código)

Produtor                                                                              Consumidor
(emissor; escritor)                                                                   (receptor, leitor)

Mercado
(contato; canal)

Produto
(mensagem)

Produtor e produtores: O termo escritor não é diretamente utilizado para não suscitar, conforme aponta Even-Zohar, imagens muito específica. Os estudos literários tinham por tradição cultural colocar o escritor como o centro da literatura. Quando se viu extinta tal prática, surgiram os modelos “interpretativos” que tomam os textos como algo que existe de maneira tal que não é necessário questioná-los ou investigá-los, restando somente decifrar seus segredos “místicos”. Segundo Zohar, faz-se necessário pensar os “textos” como produto produzido por um produtor, inserido em certo contexto social, vinculado a um discurso de poder moldado segundo certo repertório aceitável e legitimado. Os produtores não estão confinados a um só papel na rede literária, atuam, muitas vezes, em outras atividades.
Consumidor e consumidores: Even-Zohar diz que o termo leitor remete a uma entidade específica para a qual se produz literatura, não alcançando a infinidade de indivíduos atingidos pela produção literária que não é só consumida mediante a leitura. Preferindo, então, o termo “consumidor”, o autor destaca a existência de consumidores diretos e indiretos, sendo que todos os membros de qualquer comunidade são ao menos consumidores “indiretos” de literatura, pois consomem fragmentos literários, digeridos e transmitidos por variados agentes culturais e integrados no discurso diário. Os consumidores diretos são aquelas pessoas voluntárias e interessadas nas atividades literárias – participam de várias outras formas no sistema literário. Os consumidores de literatura consomem a função sócio-histórica dos atos implicados nas atividades em questão.
Instituição: Consiste em um agregado de fatores implicados na manutenção da literatura como atividade sócio-cultural, regendo normas que prevalecem nessa atividade, sancionando umas e rechaçando outras. Remunera e penaliza os produtores e agentes, como também determina quem e que produtos serão lembrados por uma comunidade. Para Even-Zohar a instituição inclui parte dos produtores: críticos, editoras, periódicos, grupo de editores, escolas, universidades, meios de comunicação, etc. As instituições podem operar em diferentes seções dentro do sistema, conforme disputas travadas pelo domínio, na imposição de suas preferências.
Mercado: Comporta conjunto de fatores implicados na compra e venda de produtos literários e na promoção de tipos de consumo e inclui instituições abertas, dedicadas a troca de mercadorias, tais como livrarias, clubes do livro e bibliotecas. Os fatores da instituição literária e do mercado literário podem naturalmente encontrar-se no mesmo espaço: Uma escola, exemplifica Even-Zohar, é um membro de uma instituição, que pode servir de mercado, devido sua capacidade de vender o produto aos estudantes, servindo o professor como mercador.
Repertório: Conjunto de regras e materiais, conhecimentos partilhados que regem tanto a confecção quanto o uso de qualquer produto. Se considerados os “textos” como a mais evidente manifestação da literatura, o repertório literário será o conjunto de regras e unidades que classificam os tipos de discurso. Por outra parte, se considerado que a manifestação da literatura existe em vários níveis, o repertório literário pode ser concebido como um agregado de repertórios específico para cada um desses níveis. A estrutura de repertório pode ser definida em três níveis distintos: o nível dos elementos individuais, dos sintagmas e dos modelos. O nível dos modelos corresponde ao conceito de gêneros. O autor considera que a concepção de que as produções literárias são dadas pelos tipos (gêneros) cotidianos de discursos contribui para nos libertarmos do conceito romântico da “criação livre”.
Produto: Even-Zohar questiona o texto visto como manifestação única da literatura, pois considera que esse já não é o único, nem necessariamente, o mais importante produto literário. São também produtos quaisquer conjuntos de signos realizado (ou realizáveis), resultantes de uma atividade qualquer como, por exemplo, aquelas retiradas das obras ou referentes a elas: resumos, resenhas, críticas, citações, referência.
Para conhecer melhor as teorias de Even-Zohar acesse o Itamar EVEN-ZOHAR’s site. O autor disponibiliza todos os seus textos no sítio, com traduções em inglês e espanhol.
Breve Descrição Biográfica – Itamar Even-Zohar
Itamar Even-ZOHAR é Professor Emérito de Pesquisa Cultural na Universidade de Tel Aviv, onde nasceu no ano de  1939. Diplomou-se nas universidades de Tel Aviv (BA, e doutorado) e Jerusalém (MA), tendo estudado ainda em Oslo, Copenhagen e Estocolmo. Trabalhou como professor convidado e/ou acadêmico nas universidades europeias e norte-americanas, e fez parte dos grandes centros de pesquisa, como Amsterdã, Paris, Filadélfia, Reykjavík, Quebec City, Louvain, Santiago de Compostela, Santander, São John’s (Newfoundland), Barcelona e Santa Cruz (Califórnia). Zohar tem um conhecimento prático em diversos idiomas, entre eles: hebraico (língua materna), árabe, inglês, francês, espanhol, sueco, norueguês, dinamarquês, italiano, russo, alemão, islandês, e algumas outras línguas.
Seu principal trabalho encontra-se na Teoria dos Polissistemas, projetada para lidar com a dinâmica e heterogeneidade na cultura.  Seu trabalho de campo tem se concentrado nas interações entre as várias culturas e na perspectiva de criação de culturas, especialmente das grandes entidades (tais como “nações”).  Ele tem se empenhado nos últimos anos  na área de planejamento da cultura e sua relação com tais entidades de grande porte. Em fases anteriores do seu trabalho, ele contribuiu para o desenvolvimento de uma teoria polissistêmica de tradução, destinadas a atestar a tradução como uma atividade complexa e dinâmica regida pelo sistema de relações e não somente pelos parâmetros fixos dos recursos da linguagem comparativa.  Este foi, posteriormente, levado a estudos sobre a interferência literária, finalmente analisados em termos das relações interculturais.
Entre seus grandes trabalhos estão: Papers in Historical Poetics (1978);  Polysystem Studies (1990); e Papers in Culture Research ,  um livro eletrônico que inclui várias versões atualizadas de trabalhos anteriores e novas contribuições para a teoria e estudo da cultura.

Para um Curriculum Vitae detalhado , clique aqui .


Arquivo Cultura de Travesseiro
Educação como Reprodução da Sociedade
O Mito do Letramento – Angela Kleiman
Leitura e compreensão de texto falado e escrito como ato individual de uma prática social
A Teoria da Comunicação
Subjetividade da Fala – Benveniste
Oralidade e Letramento – Luiz Antônio Marcuschi

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